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Ex-FARC denuncia assassinato de ex-combatentes pós-acordo de paz

A Força Alternativa Revolucionária Comum (FARC), antiga guerrilha colombiana reconvertida em partido político, denunciou hoje o assassinato de mais de uma centena de ex-guerrilheiros, falando em violação do acordo de paz assinado em 2016.

Ex-FARC denuncia assassinato de ex-combatentes pós-acordo de paz

Reunidos hoje e sexta em Bogotá, capital colombiana, os líderes da FARC -- sigla que antes queria dizer Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -- emitiram uma declaração na qual afirmam que a violência política pós-acordo de paz "já custou a vida a 133 ex-guerrilheiros, assim como a 34 dos seus familiares", e resultou ainda em "onze desaparecidos".

A reunião -- realizada à porta fechada e que juntou três dezenas de dirigentes, presididos pelo líder da FARC, Rodrigo Londoño, que tinha o cognome de guerrilheiro "Timochenko", e pelo senador Julián Gallo, conhecido como "Carlos Antonio Lozada" -- foi convocada na terça-feira, após o assassinato de dois ex-guerrilheiros que estavam cobertos pela imunidade concedida pelo acordo de paz.

Os líderes da FARC consideram estas mortes "uma clara violação" do acordo de paz firmado entre a ex-guerrilha e o Governo colombiano.

Reconvertida em partido político, a FARC pediu ainda à comunidade internacional que garanta condições de participação nas eleições municipais agendadas para outubro.

Participante no encontro, o deputado da FARC Omar Restrepo escreveu, na sua conta na rede social Twitter, que "os assassinatos sistemáticos de ex-guerrilheiros comprometidos com a paz" exigem "alternativas" ao Presidente Iván Duque, que assegurem "as garantias adequadas à vida dos líderes sociais e dos ex-guerrilheiros" das antigas FARC.

"A solução não é só proteger à força, é necessário gerar um clima de reconciliação nacional", defendeu o congressista eleito pela FARC.

No seu sexto relatório, a Secretaria Técnica da Verificação Internacional do Acordo de Paz manifestou preocupação face à "problemática de assassinatos de líderes sociais e de ex-combatentes, que persiste de forma preocupante".

O mesmo organismo indicou que, entre 01 de fevereiro e 30 de abril, houve um aumento em 75% dos homicídios de ex-guerrilheiros.

O principal risco para os ex-combatentes das FARC prende-se, segundo o relatório, com a presença de grupos armados em redor dos Espaços Territoriais de Reincorporação e Capacitação, onde fazem a transição para a vida civil.

A declaração feita hoje pelos líderes da FARC acontece depois de, em 30 de maio, o Tribunal Constitucional colombiano ter rejeitado a proposta do atual Presidente, Ivan Duque, para alterar o acordo de paz concluído pelo seu antecessor, Juan Manuel Santos.

O tribunal ordenou ao chefe de Estado a promulgação, sem alterações, da lei que estabelece as disposições do acordo concluído em novembro de 2016.

O Presidente colombiano tinha proposto seis alterações para evitar que os narcotraficantes possam escapar à justiça, mas estas foram rejeitadas pelas duas câmaras do Parlamento, que, porém, pediu parecer ao Tribunal Constitucional.

O plano de paz estabelece que os principais responsáveis por um dos conflitos mais sangrentos na América Latina, sejam guerrilheiros, militares ou civis, não respondam perante a justiça desde que contem a verdade, indemnizem as vítimas e não voltem a recorrer à violência. O mesmo plano prevê até 20 anos de prisão para quem opte por não respeitar esta disposição.

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