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Polícia e chefe do Governo alvo de manifestantes em Hong Kong

Karen Ho e o marido ainda não têm filhos, mas o trabalho social com os mais jovens conduziu-os ao protesto de hoje em Hong Kong, com um mensagem simples inscrita num cartaz: "Não disparem sobre os nossos estudantes".

Notícias ao Minuto

12:57 - 16/06/19 por Lusa

Mundo 3.º Protesto

Numa semana na qual se realizaram outros dois protestos maciços contra as alterações à lei da extradição, um dos quais marcado por confrontos violentos entre a polícia e os manifestantes, os dois assistentes sociais disseram à agência Lusa que estão "muito desapontados" com a chefe do Governo, Carrie Lam, mas também com a atuação da polícia.

À semelhança da esmagadora maioria dos outros manifestantes, algumas centenas de milhares que invadiram as ruas do centro de Hong Kong, Karen e Isaac Ho estão vestidos de preto, como que em luto pelo que dizem ser um ataque à democracia.

"Muitos dos estudantes ficaram feridos e foram para o hospital, não sabemos por que razão a polícia foi deter os jovens aos hospitais", criticou Karen Ho, classificando o ato como inadmissível.

Na quarta-feira, os manifestantes cercaram o quartel-general do Governo em protesto contra as alterações à lei que permitiria extraditar suspeitos de crimes para países sem acordo prévio, como é o caso da China continental.

Pelo menos 22 polícias e 80 manifestantes ficaram feridos e 11 pessoas foram detidas e acusadas de participação em motim, crime punível até dez anos de prisão.

Algumas das detenções efetuadas pela polícia aconteceram nas instalações das unidades de saúde, uma situação que mereceu críticas tanto de responsáveis hospitalares, como da organização não-governamental Civil Human Rights Front.

"Não temos medo da polícia porque a nossa iniciativa é justa", frisou à Lusa Karen Tai, de 17 anos, empunhando uma flor na mão direita.

As flores são para honrar a memória do manifestante que caiu de um prédio e morreu, no sábado, depois de colocar uma faixa de protesto, esclareceu a estudante do ensino secundário, pouco antes do minuto de silêncio para homenagear a vítima mortal.

Quatro horas e meia depois dos manifestantes terem iniciado um percurso, que normalmente duraria cerca de 25 minutos a pé, de Victoria Park até muito perto da sede do Governo, o protesto parecia continuar a ser 'alimentado' por multidões que surgiam de ruas adjacentes às principais vias escolhidas pela organização.

O protesto juntou sobretudo a população de Hong Kong, unida contra a proposta de lei da extradição e pela exigência da demissão de Carrie Lam, mas levou também à rua outras nacionalidades.

Nigel Piersen é um professor neo-zelandês que vive em Hong Kong há oito anos. "Estou aqui para me juntar à população de Hong Kong e para exigir que Carrie Lam e o Governo recuem com a lei", explicou à Lusa.

O homem de 59 anos destacou que o seu gesto é solidário com as pessoas de Hong Kong, mas afirmou ter o receio pessoal de que possa vir a ser possível a extradição de suspeitos de crimes para a China, motivo que também o 'empurrou' para a rua: "Há muitas provas de que o sistema de justiça não é justo na China e isso preocupa-me muito".

"Não nos devemos submeter à vontade de Pequim [...] ainda que Carrie Lam diga que não, muitas pessoas de Hong Kong pensam que ela é apenas um fantoche de Pequim", acrescentou.

No sábado, Carrie Lam, que no próprio dia dos confrontos tinha reafirmado a intenção de prosseguir com a lei apesar dos protestos, acabou por anunciar a suspensão do debate sobre a proposta.

Proposto em fevereiro e com uma votação final inicialmente prevista para 20 de junho, as alterações propostas permitiriam que a chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Os defensores da lei argumentam que, caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países como a China, tal poderá transformar Hong Kong num "refúgio para criminosos internacionais".

Os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio 'um país, dois sistemas', precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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