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Assange saiu arrastado da embaixada mas com um livro na mão. Porquê?

Julian Assange, que hoje foi detido no Reino Unido, saiu da embaixada arrastado pelas autoridades britânicas, mas carregando um livro muito específico.

Assange saiu arrastado da embaixada mas com um livro na mão. Porquê?

Julian Assange tinha um livro na mão no momento em que era arrastado para fora da embaixada equatoriana pela polícia britânica, em Londres, na manhã desta quinta-feira. Para os curiosos, trata-se do título ‘History of the National Security State’ (‘História do Estado de Segurança Nacional’), do romancista e ativista político norte-americano Gore Vidal. Há alguma mensagem subliminar neste detalhe?

Contextualize-se. Assange é o fundador da organização Wikileaks, que, em 2010, divulgou mais de 90 mil documentos confidenciais relacionados com ações militares dos Estados Unidos no Afeganistão e cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra no Iraque.

A bateria de documentos trazidos à luz do dia, porém, não ficou por aqui. No mesmo ano, foram tornados públicos cerca de 250 mil telegramas diplomáticos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, num grande embaraço e, à altura, potencial crise diplomática para o país.

Desde essa altura, o ‘whistleblower’ tem escapado à prisão com recurso ao asilo político. Desde 2012 que estava no Reino Unido, a morar na embaixada do Equador de Londres, onde evitava a extradição para a Suécia ou para os Estados Unidos, por crimes diferentes.

Em novembro de 2018 surgiu um sério sinal de ameaça para o australiano de 47 anos. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos referiu, inadvertidamente, o nome de Assange num documento judicial, levantando dúvidas sobre uma eventual acusação secreta. Já em janeiro deste ano, os advogados de Assange anunciaram que estavam a trabalhar para que a administração do norte-americana revelasse as tais “acusações secretas”.

Entretanto, a relação entre Assange e o governo equatoriano começou a denunciar alguma tensão. A sucessiva troca de acusações entre ambas as partes - que envolveu até alegações de maus-tratos a um gato -, terminou no início deste mês de abril com o chefe de estado do Equador a alegar que Assange “reiterou violações” ao acordo sobre as condições do asilo. Começaram, entretanto, a ser divulgadas notícias sobre a sua expulsão da embaixada, embora nada oficial.

Esta quinta-feira, 11 de abril, Julian Assange foi expulso da embaixada e detido em solo britânico, depois de um acordo firmado entre o Reino Unido e o Equador.

O livro ‘História do Estado de Segurança Nacional’, que Assange trazia na mão ao ser retirado da embaixada equatoriana, fala sobre o “complexo industrial-militar”, expressão cunhada pelo presidente norte-americano Dwight Eisenhower para criticar um alegado poder oculto das forças armadas e da indústria militar na política americana. É também um crítica ao imperialismo norte-americano, um facto que torna este gesto num possível ato de protesto e crítica aos Estados Unidos.

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