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Intelectuais apelam à libertação da viúva do dissidente chinês Liu Xiaobo

Dezenas de artistas e escritores de vários países, incluindo a França e os Estados Unidos, apelaram às autoridades chinesas para que libertem Liu Xia, viúva do prémio Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo mantida em prisão domiciliária sem acusação formal.

Intelectuais apelam à libertação da viúva do dissidente chinês Liu Xiaobo
Notícias ao Minuto

12:46 - 17/05/18 por Lusa

Mundo Prisão Domiciliária

Numa iniciativa conjunta do American Pen Club, sociedade de escritores, e da Amnistia Internacional, 28 intelectuais difundiram na quarta-feira vídeos on-line a ler poemas de Liu Xia.

Liu Xiaobo, condenado em 2009 a 11 anos de prisão por subversão, após ter apelado a reformas democráticas na China, morreu em julho passado, num hospital de Liaoning, semanas depois de ter sido colocado em liberdade condicional por motivos de saúde. A viúva, de 57 anos, é mantida em prisão domiciliária, desde 2010, quando o marido foi distinguido com o Nobel da paz.

Entre os participantes naquela iniciativa está o Prémio Nobel da Literatura de 2003, o sul-africano e australiano John Maxwell Coetzee, e o escritor chinês Ma Jian, radicado em Londres.

Para Suzanne Nossel, diretora da Pen America, "o grito de liberdade de Liu Xia ecoa em todo o mundo e satiriza a afirmação oca do Governo chinês de que ela é livre".

Em França, o jornal Le Monde publicou na segunda-feira uma carta aberta de quarenta personalidades, todas mulheres, que pedem ao Presidente chinês, Xi Jinping, que liberte Liu Xia.

"Liu Xia é uma artista, cuja tristeza e solidão absoluta lançaram numa depressão profunda, e conduziram-na quase ao suicídio. Pedimos-lhe, em nome da humanidade, que permita que ela finalmente desfrute de todas as liberdades que são formalmente garantidas pela Constituição chinesa ", escreve este grupo de mulheres, que inclui a filósofa Elisabeth Badinter e a ex-ministra da Cultura, Aurélie Filippetti.

No início do mês, uma mensagem transmitida pelo escritor chinês exilado Liao Yiwu, numa carta publicada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, dá conta que Liu Xia está disposta a morrer em casa, em protesto, caso as autoridades chinesas a mantenham sob prisão domiciliária.

"Não há nada a temer agora. Se não me deixarem sair, morrerei em casa. Xiaobo já se foi, e não há nada neste mundo que reste para mim. Morrer é mais fácil do que viver", afirmou Liu Xia.

Liu Xiaobo foi o primeiro prémio Nobel a morrer privado de liberdade desde o pacifista alemão Carl von Ossietzky, que morreu em 1938, num hospital, detido pelos nazis.

Na semana passada, cinco diplomatas europeus tentaram visitar Liu Xia, mas foram impedidos pela polícia chinesa.

Questionado sobre os apelos à libertação de Liu, o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Lu Kang, limitou-se a afirmar que a China gere os assuntos nacionais, "incluindo a questão de Liu Xia, de acordo com a lei".

JPI // ANP.

Lusa/fim

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