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Conjuntivite. É mesmo contagiosa? E mais comum no verão? Médico responde

Há quem diga que as conjuntivites são mais comuns durante a estação quente. É mesmo assim? Para responder a esta e a muitas outras perguntas, falámos com Eugénio Leite, médico oftalmologista e diretor clínico das Clínicas Leite, em Coimbra e Lisboa.

Conjuntivite. É mesmo contagiosa? E mais comum no verão? Médico responde

Conjuntivites são extremamente comuns e já afetaram (quase) toda a gente. Muitos dizem que se torna ainda mais comum durante o verão. É algo que realmente se confirma? Esclarecemos esta, e outras dúvidas, na mais recente edição d'O Médico Explica, com Eugénio Leite, médico oftalmologista e diretor clínico das Clínicas Leite, em Coimbra e Lisboa. 

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Por exemplo, a conjuntivite tem diferentes causas "uma de tipo infeciosa, bacteriana ou viral e outra de tipo alérgico", indica o oftalmologista. Nem todas são contagiosas, "a alérgica não passa de pessoa para pessoa", elucida o médico. 

Já a lista de sintomas mais frequentes (e incómodos), inclui "olhos vermelhos e lacrimejantes, pálpebras inchadas, comichão ou ardência, intolerância à luz, sensação de areias nos olhos, secreções de vários tipos". 

E sim, é mesmo mais comum no verão, já que, segundo o oftalmologista, isto acontece "essencialmente devido ao aumento das temperaturas e humidade do ar típico do verão". 

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O que é a conjuntivite? 

De uma forma simples, uma conjuntivite é um processo inflamatório, de origem infeciosa ou alérgica da conjuntiva, a estrutura transparente que recobre a parte branca do molho. É um processo limitado no tempo dependente do tipo em causa.

Notícias ao Minuto Eugénio Leite© Clínicas Leite  

Quais são as causas mais comuns? Existem diferentes tipos de conjuntivite?

Temos dois grandes tipos de conjuntivites, uma de tipo infeciosa, bacteriana ou viral e outra de tipo alérgico. Obviamente há outros tipos de conjuntivite, mas a grande maioria enquadra-se nestes três tipos de conjuntivite: bacteriana, viral e alérgica.

A conjuntivite alérgica não passa de pessoa para pessoa, mas a infeciosa sim, quer seja viral ou bacteriana

Quais são os sinais de alerta? 

Por princípio os olhos não se sentem, logo o primeiro alerta é sempre que começamos a sentir que eles existem. Os sinais de alerta são múltiplos de acordo com o tipo, como sejam e a título de exemplo, hiperemia (olho vermelho), secreções, prurido (comichão), gânglio pré-auricular, fotofobia ou edema da conjuntiva.

É realmente contagiosa? Como? 

De um modo geral, classificamos a conjuntivite como infeciosa (causada por vírus ou bactéria) ou alérgica. A conjuntivite alérgica não passa de pessoa para pessoa, mas a infeciosa sim, quer seja viral ou bacteriana.

A transmissão ocorre por contacto direto e não pelo ar. É preciso que a pessoa toque na outra ou pegue em algum objeto que foi tocado pela pessoa contaminada. Ou seja, se usar uma toalha ou um talher que foi usado por uma pessoa com conjuntivite, corre sério risco de ter a doença.

Na conjuntivite viral, o vírus pode ser transmitido pelo espirro ou pela tosse. Apesar da infeção ser apenas nos olhos, o vírus ou a bactéria está nas mãos, no rosto e em qualquer outra parte da pessoa contaminada.

Pode acontecer nos dois olhos ao mesmo tempo?

Uma conjuntivite infeciosa por regra começa e é monolateral mas há uma forte probabilidade de aparecer no segundo olho na sequência da evolução do processo de conjuntivite.

Já um processo de conjuntivite alérgica é mais frequentemente bilateral apesar de poder ter intensidade diferente em cada olho. 

Quais são os sintomas mais comuns? 

Os sintomas mais frequentes são, olhos vermelhos e lacrimejantes, pálpebras inchadas, comichão ou ardência, intolerância à luz, sensação de areias nos olhos, secreções de vários tipos.

Existe algum grupo de pessoas que esteja mais em risco deste problema?  

Uma conjuntivite pode ser contraída por qualquer pessoa, contudo quem tem uma tendência alérgica estará mais propenso a uma conjuntivite alérgica ou que tem as suas defesas imunitárias debilitadas terá mais propensão a conjuntivite infeciosa, bacteriana ou viral. Mas também devemos considerar como grupo de risco todos os que contactam com doentes com conjuntivites infeciosas.

Qual é o tratamento? Tem algumas dicas? 

O tratamento de uma conjuntivite é determinado pelo agente causador da doença. A medicação tópica ou sistémica da conjuntivite varia de acordo com o agente responsável pela inflamação (vírus, bactérias, fungos, ou outras, etc).

Se a conjuntivite é causada por vírus, o tratamento é efetuado aplicando colírios de antivíricos, corticoides e lágrimas artificiais. Na conjuntivite causada por bactérias recorre-se a colírios antibióticos que devem ser sempre prescritos por oftalmologista, pois alguns colírios são contraindicados por poderem provocar graves complicações e agravar a doença.

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A conjuntivite provocada por agentes químicos ou físicos, e aqui se chama atenção a uma conjuntivite na maior parte das vezes acidental que costuma evoluir favoravelmente e desaparecer ao fim de alguns dias sem tratamento, a menos que surjam complicações.

Normalmente, o tratamento para conjuntivite é eficaz em todos os casos, evoluindo sem complicações, contudo, elas são possíveis. Uma das complicações da conjuntivite mais graves é quando envolve a infeção da córnea (queratite). O tratamento da mesma é efetuado com colírios antibióticos.

Enquanto o seu olho estiver vermelho ou com secreção pode sempre transmitir a conjuntivite para outras pessoas

É possível prevenir o contágio? Como?

Deve:

  • Lavar sempre as mãos, principalmente depois de mexer nos olhos, ou aplicar os colírios;
  • Só usar lenço de papel para limpar os olhos e descartá-lo depois. Não usar lenços de pano;
  • Evitar cumprimentar ou beijar as pessoas;
  • Não partilhar toalhas, fronhas nem talheres com outras pessoas. Lavar diariamente toalhas, lençóis e fronhas, separadamente;
  • Manter os olhos secos e limpos;
  • Evitar aglomerações ou frequentar piscinas públicas;
  • Não partilhar o uso de lápis, rímel, delineadores ou de qualquer outro produto de maquilhagem ou beleza;
  • Não se automedique. 

A transmissão da conjuntivite pode ocorrer por vários dias mesmo depois de iniciado o tratamento. Enquanto o seu olho estiver vermelho ou com secreção pode sempre transmitir a conjuntivite para outras pessoas.

É um problema mais comum no verão. Porquê?

Essencialmente devido ao aumento das temperaturas e humidade do ar típico do verão favorecem a disseminação da doença na sua forma viral e bacteriana principalmente em locais fechados ou com grandes aglomerações. Assim, durante este período do ano, é necessário redobrar os cuidados na prevenção da doença.

Tem algum tipo de sequelas? 

A conjuntivite pode causar uma inflamação generalizada dos olhos, e, como tal causar cegueira. No entanto, este quadro é raro, e, mais provável em doentes que já tenham sofrido outros tipos de traumas oculares

Quanto tempo pode durar? 

Na generalidade pode-se dizer que o quadro inflamatório se resolve de uma a três semanas, com exceção das conjuntivites alérgicas cuja duração é incerta.

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