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"O meu pai estava preso e visitei-o com a minha mãe. É a última memória"

Marisa Cruz recorda passado marcado por momentos muito difíceis.

"O meu pai estava preso e visitei-o com a minha mãe. É a última memória"

Marisa Cruz esteve à conversa com Fátima Lopes no programa ‘Conta-me Como És’, da TVI, uma entrevista que destacou sobretudo o passado da modelo. “Se calhar, se não tivesse passado o que passei não estava a trabalhar como manequim no Japão com 17 anos, sozinha, sem ninguém”, afirmou, confessando de seguida que nunca desejou ser modelo: “Não era o meu sonho. Fui para a moda porque a minha mãe me levou a uma agência”.

“Fui para uma agência de manequins com 15/16 anos. Usava óculos grandes, não me sentia bonita. Era muito alta e muito magra. Quando me propuseram a concorrer à Miss Portugal achei aquilo ridículo, mesmo, porque achava que nem sequer ia ser selecionada. A moda é realmente um sítio bonito, onde nos põem bonitas, conhecemos sítios maravilhosos … Viajei e, se calhar, de outra maneira não tinha tido essa oportunidade. Mas fui sempre uma espectadora, aquilo não era a minha essência”, partilhou.

Teve que crescer rápido e “nunca teve muito tempo para sonhar ser alguma coisa”. “Queria ser veterinária, depois quis ser bailarina, não cheguei a uma fase de me dar a esse luxo de ter oportunidade de pensar no que é que queira ser. Não tive”, realçou.

“Vim muito nova de Angola. O meu único irmão de mãe e pai nasceu cá. Fomos separados muito novos, eu fiquei com a minha mãe, e a partir daí a minha vida foi um reboliço. Nunca tive aquelas memórias do Natal, a minha vida sempre foi aqui e ali. Ficávamos num sítio e depois íamos para o outro. Em casa de amigos, pensões … Depois, já mais velha, tive que ajudar a minha mãe, fui trabalhar com ela. Trabalhei em limpezas, num café, fiz um pouco de tudo e nunca consegui criar raízes em lado nenhum porque sempre me habituei a sobreviver sozinha”, continuou.

Marisa lembra que “era cuidadora da mãe e dos meus irmãos”. “Não tive infância”, desabafou. “Não tive a oportunidade de estudar como gostaria. E muitas vezes em conversa com amigas mais novas que diziam que iam tirar o curso disto e daquilo, eu estava a trabalhar, tinha que trabalhar. Sentia-me inferiorizada”, acrescentou, mostrando todas as dificuldades pelas quais passou.

Só estudou até ano 9.º ano e por vezes tinha que deixar um ano a meio para se deslocar para outro lugar com a mãe. “Eu estava na escola, a minha mãe chegava e dizia que tínhamos que ir para ali e deixava o ano a meio”, disse, referindo que esta situação aconteceu várias vezes.

Marisa “tomou conta de cinco irmãos [da parte da mãe] durante muito anos”. “Não tínhamos quase o que comer e tive que inventar com o que tinha”, recordou.

Criou uma “boa relação” com os irmãos, que neste momento estão noutro país. “Eles perceberam e acho que têm a noção que fui uma mãe para eles”.

Começou a viver sozinha aos 17 anos, depois da mãe se mudar para Londres e de Marisa ter preferido ficar em Portugal. “Parece um bocado cruel o que vou dizer, mas foi como eu me senti: senti-me em paz. [Por ela ir embora]”, afirmou.

Na altura dividia um quarto com uma amiga, no Bairro Alto, em Lisboa. “Essa começou a ser a minha vida, o sítio onde me sentia em casa, com os meus amigos da agência, pessoas que ia conhecendo”, contou.

Depois de iniciar-se no mundo da moda foram surgindo outras oportunidades, como na representação. Integrou o filme ‘Kiss Me’, uma porta que se abriu mas que acabou por não aproveitar o momento. Isto porque “optou por ter a família que nunca teve”. “E não me arrependo. Os meus filhos são a melhor coisa, mesmo”, salientou.

Hoje continua a fazer trabalhos no mundo da representação e tentou sempre “dar aos filhos a estabilidade que não teve”. Por isso é que manteve-se a viver no Porto enquanto filmava a novela ‘A Herdeira’.

“O meu filho mais velho não queria vir e não queira de maneira nenhuma traumatizá-lo, e que isso fosse um problema para ele. Até que, tanto eu como o João, percebemos que isso era o melhor para todos e assim foi. Tive a fazer uma novela, ‘a Herdeira’, para cima e para baixo. Gravava dois dias e ia para cima, estava com eles um dia ou dois e depois vinha … Estive assim dois anos. É muito desgastante, mas tinha que ser”, revelou.

Por vezes a beleza é o que é mais destacado em vez do talento, um assunto que também comentou durante a entrevista. “Infelizmente hoje em dia, não só comigo, as pessoas têm uma facilidade em julgar os outros … Antigamente, quando saía alguma notícia e eu ia ler os comentários... era tão triste. Nunca me dei a conhecer, é certo, as pessoas não sabem o meu passado, agora sabem um bocadinho, mas isto é só um bocadinho. Se as pessoas vivessem o que eu vivi, caminhassem um bocadinho do que eu caminhei, compreenderiam algumas escolhas que tive na vida, compreenderiam opções que tive que, se calhar, não foram as mais corretas e não julgavam a loira burra”, desabafou.

“Sim, gostava de ter tirado um curso superior, gostava de ter estudado. Não pude. Hoje em dia também percebo e sei que a inteligência não se vai buscar num curso. Hoje em dia aprendi tanto com a vida, com o que vivi, viajei, as pessoas que conheci, aprendi de outra maneira. Não me sinto uma pessoa burra, nem fútil, nem vazia, muito pelo contrário”, acrescentou.

Esteve separada do irmão, Carlos, filho do mesmo pai, durante 40 anos e depois, graças a uma tia, voltou a encontrar-se com ele há cerca de seis anos. Hoje mantêm o contacto e o irmão até lhe deixou uma mensagem que foi passada no programa. Palavras que deixaram Marisa em lágrimas.

Digo-lhe a brincar que ele teve mais sorte do que eu. Teve muita sorte de ficar onde ficou [com o pai]”, admitiu, revelando que o irmão na altura foi adotado.

Quando se deu o reencontro, foi um momento muito especial, apesar do medo que teve antes de o ver. “Foi como se nunca nos tivéssemos separado. Não o vou largar mais”.

Marisa soube que o pai morreu quando tinha 8/9 anos. “Da maneira que soube foi um bocado traumático, foi violenta e é um dos momentos da minha vida que me recordo, infelizmente, que foi no meio de uma discussão da minha mãe com o meu padrasto. Eles já sabiam que ele tinha morrido e ele [o padrasto] vira-se para mim e atira aquela bomba: ‘Estás a olhar mas nem sabes. O teu pai já morreu’. E eu desatei a chorar, a correr. São coisas que nenhuma criança deveria passar”, lembrou, acrescentando que teve muito pouco contacto com o progenitor.

Ele estava preso, não sei muito bem porquê, e lembro-me de o ter visitado com a minha mãe. É a última memória que tenho dele, e de ele me oferecer um fio de ouro”, recordou.

Hoje sente-se amada e tem pessoas à sua volta que estão sempre disponíveis e a apoiá-la. A relação que tem com os filhos é “a coisa mais maravilhosa”. “Eles são mesmo o melhor de mim. Quero que eles se orgulhem na mãe que têm. Quero dar-lhes o melhor de mim. Quero crescer com eles, acompanhá-los”, afirmou.

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