Singapura multa bancos britânicos e ex-gestor do Goldman Sachs

O regulador financeiro de Singapura disse hoje que multou dois bancos britânicos e sancionou um antigo banqueiro do Goldman Sachs no âmbito de uma operação contra o branqueamento de capitais ligado ao fundo estatal malaio 1MDB.

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O banco Standard Chartered Bank foi penalizado em 5,2 milhões de dólares de Singapura (3,4 milhões de euros), enquanto o banco Coutts foi multado em 2,4 milhões (1,5 milhões de euros) por violarem as normas contra o branqueamento de capitais em transações relacionadas com o fundo 1MDB, disse a Autoridade Monetária de Singapura em comunicado.

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As multas surgem depois de a Autoridade Monetária de Singapura, que também é o banco central da Cidade-Estado, ter encerrado as filiais locais dos suíços BSI e Falcon Private Bank no início do ano pelo seu papel em facilitar as transferências de fundos ilegais que envolveram o fundo 1MDB.

O escândalo do 1MDB surgiu em meados do ano passado, quando o diário norte-americano The Wall Street Journal e o portal Sarawak Report denunciaram que o primeiro-ministro da Malásia tinha recebido nas suas contas bancárias privadas 681 milhões de dólares em transferências feitas através do fundo.

Informações posteriores elevaram o valor a mais de mil milhões de dólares norte-americanos.

Najib Razak negou as acusações e, após uma investigação de uma comissão anticorrupção, o procurador-geral da Malásia decidiu, em janeiro deste ano, ilibá-lo de qualquer responsabilidade pelo recebimento de dinheiro, que atribuiu a um donativo da família real da Arábia Saudita.

Uma inspeção ao Standard Chartered Bank revelou "lapsos significativos" em medidas de vigilância, disse a Autoridade Monetária de Singapura, indicando que alguns funcionários não estavam cientes dos riscos de lavagem de dinheiro.

A Autoridade Monetária de Singapura disse, no entanto, que apesar de as falhas serem "graves", a sua investigação "não encontrou (...) má conduta intencional" por parte do credor.

O banco britânico Coutts, que em 2015 foi vendido à Union Bancaire Privee, foi sancionado por falta de diligência sobre os clientes considerados "pessoas politicamente expostas", um termo para pessoas com ligações próximas ao governo.

Yak Yew Chee, antigo banqueiro do Coutts que se juntou ao BSI, foi preso em novembro em Singapura, sob acusação de fraude relacionada com o escândalo financeiro.

Yak também foi banqueiro privado do financiador malaio Low Taek Jho, um amigo próximo da família de Najib, que ajudou o líder malaio a estabelecer o fundo 1MDB.

Low negou as acusações.

A Autoridade Monetária de Singapura também disse que iria impedir o antigo direto do Goldman Sachs Tim Leissner de trabalhar no setor financeiro de Singapura durante 10 anos.

Leissner, que supervisionava a conta do 1MDB, emitiu uma carta de referência não autorizada a dizer que as diligências tinham sido levadas a cabo em relação a Low e à sua família e que não tinham sido detetadas quaisquer preocupações relacionadas com a lavagem de dinheiro.

A Autoridade Monetária de Singapura disse que "essas declarações eram falsas e que foram feitas por Leissner sem o conhecimento ou consentimento do Goldman Sachs".

Leissner demitiu-se do banco em fevereiro.

O regulador de Singapura disse que iria continuar a trabalhar com outros reguladores para examinar o papel do Goldman Sachs em transações de títulos 1MDB.

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