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Andrei Shleifer considera decisores impreparados para agir antes da crise

O economista norte-americano Andrei Shleifer, o mais citado do mundo de acordo com o índice RePEc, considerou, em entrevista à Lusa, que os decisores de política económica não estão preparados para atuar antecipadamente caso surjam sinais de crise.

Andrei Shleifer considera decisores impreparados para agir antes da crise
Notícias ao Minuto

14:13 - 31/08/19 por Lusa

Economia Crise Financeira

"Não há dúvida de que estão prontos para reagir à crise, e o sucesso de reação à crise [de 2008], tanto nos Estados Unidos como na Europa, consolidou essa visão. Mas estão prontos para atuar antecipadamente quando houver os primeiros sinais de crise financeira? Acho que não", disse Andrei Shleifer à Lusa.

O economista, professor na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, falou com a Lusa à margem do 46.º encontro anual da Associação Europeia de Finanças, que decorreu na Nova School of Business and Economics (SBE), em Cascais, distrito de Lisboa.

Andrei Shleifer considera que as instituições "não mudaram realmente a forma como olham para a economia, não mudaram os seus modelos, apesar de achar que não há nenhum mecanismo natural incorporado para responder ao crescimento da alavancagem ou à acumulação de perdas no setor bancário".

Questionado sobre como se poderiam implementar tais sistemas, Andrei Shleifer apontou para "dois pontos possíveis".

O primeiro, que "irá acontecer de certeza", é de que os "modelos macroeconómicos padrão que os bancos centrais usam colocarão o setor financeiro muito mais central do que fazem agora, ou o incorporarão muito mais centralmente".

O segundo diz respeito aos "indicadores antecipados mais importantes, como a perda de dinheiro por parte dos bancos ou a diminuição de preços dos ativos, que devem ser tomados de forma mais séria e clamam por algumas intervenções, ao invés de se esperar pela crise".

De acordo com o académico da escola de Chicago, a relutância em alterar alguns modelos de análise remonta ao facto de "os bancos centrais, até 2008, durante duas ou três décadas, terem sido extremamente bem sucedidos no mundo usando determinados modelos", alicerçados na ferramenta da alteração das taxas de juro e na relação entre inflação e desemprego.

Os modelos "falharam dramaticamente em 2008", considerou o economista, salientando contudo que "nos anos 80, 90 e 2000 funcionaram".

"Isto faz crescer a ideia de que os bancos centrais têm um livro de instruções, que é o desemprego, a inflação e a taxa de juro como ferramenta de política monetária. Esse é o segredo do seu sucesso", afirmou Andrei Shleifer.

No entanto, atualmente, o economista crê que existe "uma situação em que algumas das maiores ameaças à estabilidade económica vêm do setor financeiro, ou de ciclos de crédito, o que significa que há um novo conjunto de ideias e de ferramentas às quais se deve dar atenção".

Entre essas ferramentas estão os aumentos de capital ou o corte de dividendos dos bancos "quando há um risco", ainda antes de existir "uma certeza" de crise financeira.

"Acho que os bancos centrais estão muito relutantes em ir para esse território porque é território desconhecido. Não é o que fizeram bem durante 30 anos, e prefeririam muito mais voltar ao mundo tradicional", disse Andrei Shleifer.

"Temos de pensar em intervenções 'ex-ante', mas apenas focadas no capital do setor financeiro", advogou, reconhecendo que hoje "a opinião pública aceita muito mais facilmente a política de se atuar depois, porque [o antigo líder da Reserva Federal] Ben Bernanke e companhia salvaram a economia norte-americana e Mario Draghi [presidente cessante do Banco Central Europeu] a europeia".

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