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Opositores pedem saída de Tomás Correia e eleições na Associação Montepio

Os opositores de Tomás Correia defenderam à Lusa eleições antecipadas na Associação Mutualista Montepio Geral, depois de ter sido conhecido que o Banco de Portugal o condenou por irregularidades no banco no período em que era presidente.

Opositores pedem saída de Tomás Correia e eleições na Associação Montepio
Notícias ao Minuto

17:43 - 22/02/19 por Lusa

Economia Banca

"Era a forma de repor a legitimidade, de repor a confiança, em defesa da instituição, dos associados e dos trabalhadores", disse António Godinho, que nas eleições de dezembro ficou em segundo lugar (com 36,3% dos votos), atrás da Tomás Correia, que com 43,2% dos votos renovou o mandato à frente da mutualista.

O empresário considerou que esta condenação vem alterar os pressupostos de Tomás Correia quando se recandidatou, uma vez que o fez dizendo que "tinha a certeza de que não seria condenado e que tinha toda legitimidade ética para se candidatar".

"Hoje sabemos que não é assim", vincou Godinho, que defendeu que haja uma "posição do Governo, das entidades oficiais, sobre o tema" para afastar Tomás Correia.

Também Fernando Ribeiro Mendes, que pertenceu à administração de Tomás Correia, de quem se afastou e concorreu nas eleições de dezembro (tendo conseguido 20,5% dos votos), defendeu eleições internas, para reforçar a confiança numa entidade com 600 mil associados e que geria no final de 2018 um ativo de cerca de 3,8 mil milhões de euros.

"São 600 mil pessoas que depositam as suas poupanças ali e como vão manter a confiança na organização que tem como presidente uma pessoa que o Banco de Portugal não considera idónea para gerir bancos? O que seria decente era [Tomás Correia] sair, mas como já deu sinal de que não o fará tem que haver um sobressalto interno para o afastar, novas eleições", afirmou.

Ribeiro Mendes disse que o poder para convocar eleições antecipadas está na assembleia-geral, pelo que os órgãos de governo interno da mutualista deveriam reunir-se para se entenderem numa linha de ação, considerando que meterem "a cabeça na areia é o caminho para o desastre".

Questionado sobre se as ligações a Tomás Correia dos membros do órgãos sociais poderão levar a que não tomem medidas, Ribeiro Mendes disse acreditar que porão a mutualista acima de outros interesses: "Ainda acredito que haja muita gente que ponha o Montepio acima dessas fidelidades", disse.

Fernando Ribeiro Mendes criticou ainda a posição da Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), considerando que é "absolutamente irresponsável" que não faça a avaliação da idoneidade de Tomás Correia.

Ribeiro Mendes considerou que o período de transição faz sentido para cumprimento de regras da atividade seguradora, como rácios, que tem de ser gradual, mas que "não faz sentido que a idoneidade não seja já".

"A supervisão já tem poderes, não pode ficar 12 anos à espera de exercer poderes na idoneidade", indicou.

O presidente da ASF disse hoje à Lusa que não cabe ao regulador dos seguros pronunciar-se sobre a idoneidade de Tomás Correia, uma vez que ainda não tem a supervisão da Associação Mutualista Montepio Geral.

"O assunto da idoneidade não tem que ver com a ASF no período transitório", afirmou José Almaça.

O responsável pelo regulador dos seguros considerou que só após o período de convergência da mutualista com o setor segurador é que caberá à ASF essa competência.

"Não temos de nos pronunciar sobre essa matéria, o trabalho da ASF neste momento é verificar se convergem para o regime segurador. Só depois de convergirem passarão para a nossa supervisão", acrescentou.

Esta quinta-feira foi noticiado pelo jornal Público que o Banco de Portugal condenou Tomás Correia (atual presidente da Associação Mutualista Montepio Geral), sete ex-administradores e ainda o próprio banco Montepio a multas por irregularidades relacionadas com concessão de créditos, no âmbito de um processo de contraordenação que teve origem na auditoria especial feita em 2014, a pedido do banco central.

Tomás Correia foi condenado a pagar 1,25 milhões de euros.

Tomás Correia vai recorrer da contraordenação, disse à Lusa fonte ligada ao gestor, considerando que as contraordenações "não inibem a atividade profissional".

Em janeiro passado, quando tomou posse para um novo mandato como presidente da mutualista, Tomás Correia afirmou aos jornalistas que não acreditava numa condenação do Banco de Portugal, no âmbito do processo agora concluído, e sobre a avaliação da sua idoneidade disse que essa cabe à assembleia-geral da mutualista e não ao regulador dos seguros, apesar das alterações feitas no ano passado ao Código das Associações Mutualistas.

A Lusa contactou o Ministério do Trabalho, a quem cabe a regulação da Associação Mutualista Montepio Geral, mas ainda não obteve resposta.

A Associação Mutualista Montepio Geral é o topo do grupo Montepio e tem como principal empresa o banco Montepio.

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