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Moçambique tenta viver sem cartões bancários mas negócios ressentem-se

Moçambique está hoje a tentar voltar a viver sem cartões bancários, com a principal rede de caixas automáticas e terminais de pagamento paralisada desde sexta-feira, mas não está a ser fácil e os negócios estão a ressentir-se.

Moçambique tenta viver sem cartões bancários mas negócios ressentem-se
Notícias ao Minuto

23:11 - 17/11/18 por Lusa

Economia Bancos

Dados oficiais mostram que só pouco mais de um terço dos adultos no país têm conta bancária, mas essa faixa da população é a maioria da clientela de um dos principais hipermercados de Maputo, conta à Lusa o supervisor de caixas, Mehdi Alhaj.

Do universo que conhece, "quase ninguém anda com dinheiro no bolso" para fazer compras no hipermercado Spar Premier, pelo que muitos clientes estão desde sexta-feira a deixar compras para trás.

Outros dizem não ter recebido informação sobre a abertura dos bancos hoje, de forma excecional e sem cobrar cheques avulso, para ajudar os clientes a fazer levantamentos para o fim de semana.

Como resultado, aquele responsável diz que há menos clientes, "o fluxo está baixo. Nunca sentimos isto num sábado normal", refere.

Vitorino Niquice, um dos clientes do hipermercado, deu voltas e mais voltas à carteira para encontrar dinheiro suficiente para pagar as compras, depois de ter sido surpreendido pela falha do seu cartão.

"Tive que procurar, sim. E agora, quando chegar a casa, vou ver o que lá tem a minha mulher", acrescentou.

Os clientes com cartão fazem o grosso do movimento de muitos outros estabelecimentos do centro da cidade, como o café e pastelaria de Firoz Hassam.

Há muita diferença, deste sábado de manhã para os outros, disse à Lusa.

"Tenho praticamente metade da casa, é como vê", mostrando a maioria das mesas vazias na Nautilus, um dos pontos de encontro na zona da Polana, na capital moçambicana - onde, por precaução, também foi reduzida a produção da respetiva padaria.

"A maioria dos meus clientes usa cartão, mesmo para pequenas quantias", perdendo-se o hábito de trazer dinheiro, um costume que não será prático retomar, se a paralisação do sistema se prolongar, prevê.

Há 14 anos em atividade, Firoz Hassam diz não ter memória de uma falha destas.

Aly Mallá, funcionário da Autoridade Tributária, diz à Lusa que seria "complicado" voltar a viver sem cartões, enquanto sai de um outro estabelecimento comercial nas imediações.

Um cartão traz a comodidade de poder "pagar em qualquer lado, a qualquer hora" e a segurança acrescida de não andar com dinheiro no bolso.

Mas, por agora, será necessário cada um trazer numerário e é isso que Joana Tinga se prepara para fazer.

"Só tenho 200 meticais", cerca de 2,5 euros, e não se sabe quando é que as caixas automáticas ou terminais de pagamento (POS) vão voltar a funcionar.

Numa ronda pela cidade e bairros periféricos, a Lusa viu hoje agências bancárias abertas e algumas tinham dezenas de pessoas a realizar levantamentos.

Quem já tentou usar cartões de bancos moçambicanos no estrangeiro também enfrentou o apagão no sistema de interligação bancária.

José Castro, proprietário de uma oficina automóvel em Maputo, foi apanhado pela falha quando comprava peças na África do Sul, a cerca de 100 quilómetros, e nenhum dos três cartões emitidos em Moçambique e que habitualmente usa, funcionou.

"Tive de pedir dinheiro emprestado para comprar combustível para regressar a Maputo", referiu à Lusa.

A Sociedade Interbancária de Moçambique (Simo), empresa gestora da rede única de pagamentos eletrónicos moçambicana, anunciou na sexta-feira, em comunicado, uma paralisação do serviço, mas sem detalhes sobre a origem do problema e sem indicar quando deverá estar resolvido.

A Lusa contactou diferentes fontes no setor, mas nenhuma tem certeza sobre o que se passa.

As únicas caixas automáticas e POS que ainda funcionam pertencem ao banco Millennium Bim que utiliza uma outra forma de interligação, independente da rede SIMO.

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