Castelo virou parque de diversões: As notas do Vitória SC-Benfica

Seis golos, um mar de oportunidades e um resultado que se manteve incerto até ao fim. O cardiologista foi o melhor amigo de vimaranenses e encarnados.

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Ricardo Santos Fernandes
28/10/2021 07:59 ‧ 28/10/2021 por Ricardo Santos Fernandes

Desporto

Análise

Criticada por tantas, acarinhada por tão poucos, mas uma Taça da Liga que, nesta quarta-feira, nos bajulou com um dos melhores ‘pratos’ da temporada.

Mas, atenção, um prato à boa maneira portuguesa: cheio até à borda e de sabor divinal. Seis golos, três para cada lado, outras tantas oportunidades desperdiçadas, golos anulados, bolas nos ferros, e um jogo terrível para cardíacos.

O Benfica entrou de Alfa e beneficiou do infortúnio do antigo futebolista dos encarnados para entrar a vencer na partida. A vantagem foi dilatada pouco depois com uma fatia de Pizzi. Os pupilos de Pepa não se renderam e Rochinha deixou a defesa das águias a chorar e serviu para o remate certeiro de André André.

Surgiu, posteriormente, novo golo do conjunto lisboeta e que golaço de Radojnic. O sérvio estreou-se a marcar com a listada vermelha e branca e, por consequência, de um remate em excesso de velocidade.

Punho de força de um lado, punho de força do outro, e tempo ainda na etapa inicial para o tento de Estupiñán. O avançado colombiano que viria a igualar a contenda, mas o lance acabaria anulado por fora de jogo, na altura do passe de Rochinha.

Todavia, e empurrado pela acérrima paixão dos seus adeptos, o Vitória SC chegaria mesmo à igualdade, nos instantes finais, por Bruno Duarte. Deu gosto e nós pedimos mais ‘pratos’ assim. Em que salivámos, tamanha a qualidade do petisco.

Agora vamos a contas. O Vitória SC está agora com quatro pontos, o Benfica, com um, e o Covilhã, ainda sem pontuar. As águias precisam agora de vencer a formação serrana por dois ou mais golos de diferença para se qualificarem, já os vitorianos necessitam de uma derrota, um empate, ou um triunfo pela margem mínima dos encarnados para seguir em frente para a final four. Se, por acaso, o Benfica vencer o Covilhã, por 2-0, teria de se aplicar um terceiro critério: a média de idades dos jogadores utilizados nos dois encontros realizados. A mais jovem levará a melhor e seguiria em frente.

Partimos agora para os destaques desta partida.

Figura

Mal amado por uns, adorado por outros (talvez os que têm melhor memória e recordam-se do mágico Luís Miguel). Pizzi voltou a esfregar a lâmpada e das chuteiras do internacional português saiu um golo e nasceu a produção para outro. Foi uma placa giratória de alta rotação que transportou o Benfica para maiores voos no Castelo. 

Surpresa

Radonjic vai aumentando a mudança de jogo para jogo e começa a tornar-se um caso sério de ‘espalha brasas’. Descontrolo pela ala, a irreverência do internacional ‘quebra rins’ a adversários e tornar imprevisível o desfecho das jogadas. Rubricou, mais uma vez, depois de Vizela, uma boa exibição em solo minhoto e agora coroada com um golaço para ver e rever.

Desilusão

Nem sempre conduzir um Alfa é a melhor opção para entrar num jogo. Alfa Semedo marcou na própria baliza logo nos instantes iniciais da partida, além de ter perdido a redondinha numa série de ocasiões. Nem sempre bem colocado, foi realmente um ‘peixe fora do aquário’ nesta partida. 

Treinadores

Pepa partiu com o objetivo bem definido para esta partida: vencer e garantir desde já a qualificação para a final four da competição. Os 20 minutos iniciais quase hipotecavam esse objetivo, mas o Vitória SC conseguiu corrigir algumas lacunas a nível defensivo, mantendo no decorrer do encontro uma toada vertiginosa no último terço do relvado. 

Jorge Jesus sofreu a primeira grande contrariedade logo no arranque da partida com a lesão de Taarabt, mas a equipa não abanou e nos primeiros 45 minutos foi, quase sempre, uma equipa balanceada para o ataque. Um aperto ao rival que diminuiu na etapa complementar. O Benfica reduziu a mudança, sofreu o empate e podia até ter sido derrotada. Tivemos efetivamente um Benfica de duas caras no Castelo.

Árbitro da partida

Hugo Miguel não teve uma partida nada fácil e nem sempre esteve bem no aspeto disciplinar. Os seus assistentes tiveram ainda trabalhos redobrados em dois lances: primeiro anularam o golo a Estupiñan, num lance que só o VAR poderia decifrar [não está disponível nesta competição] e no remate certeiro de Bruno Duarte também surgiram algumas críticas na ala encarnada, por alegado fora de jogo. 

Leia Também: "O resultado mais justo seria a nossa vitória"

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