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"Políticas culturais são uma exigência transversal para todos"

O coordenador nacional do Ano Europeu do Património Cultural (AEPC), Guilherme d'Oliveira Martins, defende que o património cultural deve estar no centro das preocupações de uma sociedade moderna, que se deve preocupar com a memória.

"Políticas culturais são uma exigência transversal para todos"
Notícias ao Minuto

11:34 - 21/10/17 por Lusa

Cultura Guilherme Martins

Guilherme d'Oliveira Martins, em entrevista à agência Lusa, chamou a atenção para o caráter transversal do Património Cultural, que se liga ao Ordenamento do Território, à Educação, à criação de emprego, ao Ambiente, ao Turismo, entre outras áreas.

As "políticas culturais são uma exigência transversal para todos e não a cereja no topo do bolo, nem são um luxo", advertiu.

"Ao falarmos do património cultural estamos no coração das preocupações que não podem deixar de existir numa sociedade moderna, que se tem que preocupar com a sua memória", asseverou Guilherme d'Oliveira Martins, antigo ministro das Finanças e da Educação.

Oliveira Martins reconheceu que há resistências às políticas culturais e enfatizou que "é contra essas resistências que [é preciso] agir".

"Este AEPC é justamente a demonstração de que não se trata de um luxo, não se trata de algo marginal, mas de algo central", sublinhou, acrescentando que "se não houvesse resistências não seria necessário fazer-se o AEPC".

O responsável defendeu a criação de roteiros culturais que "permitam chamar à atenção do turista, mas também do cidadão comum", e que incentive "um melhor conhecimento da História e do património".

Questionado sobre o crescimento turístico, que se refletiu num aumento de visitas aos museus e monumentos nacionais, Oliveira Martins argumentou que "Portugal tem é de se organizar melhor para acolher o turismo".

"Nós devemos garantir as melhores condições para os turistas que nos visitam e, portanto, o que temos de fazer, como se faz nos países mais desenvolvidos, é de encontrar soluções para todos usufruírem da melhor maneira aquilo que temos para dar, não se trata de fechar a porta ou restringir, mas que as visitas se façam nas melhores condições", declarou.

Oliveira Martins defendeu ser preferível fechar as portas de um monumento que "deixá-lo à cobiça" e sugeriu que se guarde determinado bem, evitando uma deterioração por excessiva exibição ou até por uma má intervenção de restauro.

"Devemos ter a consciência de que aquele bem deve ser preservado, guardado, protegido, da cobiça ou da intervenção desadequada", defendeu.

Assim, "em determinadas situações é necessário ter um especial cuidado e não fazer intervenções que ponham em causa o valor e a qualidade do Património; uma intervenção fora do tempo ou por alguém que não é especialista é pior que guardar a coisa, pois numa intervenção desadequada pode destruir o que foi preservado ao longo de vários séculos".

O atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian afirma que é preciso "sempre adequar a situação aos recursos", defendendo que se deve ser exigente e "evitar a tentação de lançar dinheiro sobre os problemas", pois muitas vezes a tomada de consciência de um valor cultural é muito mais importante que todos os programas específicos.

Oliveira Martins referiu ainda que "os atentados [contra a paisagem patrimonial] que tanta vezes infelizmente [se presenciam], devem-se à não-consideração pela articulação necessária entre a defesa do património e a criação contemporânea, que não pode comprometer o valor daquilo que [se recebe]", pelo que é necessário "um cuidado extremo".

Património Cultural "não pode ser visto como um luxo"

O ano de 2018, na opinião de Oliveira Martins, "não deve ser um momento que depois se esqueça", disse em entrevista à agência Lusa. "2018 deve ser um momento especial de consciencialização e de lançamento de iniciáticas com continuidade e futuro, essa é a grande preocupação, e daí o lançamento do desafio para a sociedade civil e para os diferentes protagonistas do mundo cultural".

"Este ano europeu é justamente a demonstração de que não se trata de um luxo, não se trata de algo marginal, mas de algo central", sublinhou.

"2018 é um ano de sensibilização, é um ano de responsabilidade acrescida, mas, sobretudo, é um ano em que iremos lançar a prioridade europeia para as políticas públicas culturais do património", afirmou, realçando que, até 2020, este é o único ano temático escolhido pela União Europeia (UE). "Assume por isso uma importância significativa, tendo em conta o momento que a Europa atravessa, a necessidade de hoje considerarmos o Património Cultural numa aceção mais ampla do que aquela que é normalmente é considerado".

"A noção, hoje, de Património Cultural é uma noção dinâmica, não é estática, retrospetiva, passadista", argumentou Oliveira Martins, que coloca a salvaguarda do Património Cultural no topo das prioridades de uma política pública de Cultura.

Para o ex-presidente do Centro Nacional de Cultura, "a proteção e a salvaguarda do património é algo que deve ser sempre considerado como prioritário numa política pública de cultura".

"Uma política pública de cultura não pode deixar, em primeiro lugar, de começar pela atenção àquilo que recebemos das gerações que nos antecederam", sublinhou, numa entrevista à agência Lusa.

O AEPC será um período de consciencialização dos cidadãos para o "lugar central e transversal" que tem o Património Cultural, mas também para "lançar sementes", nomeadamente entre os jovens, defendeu.

Uma das iniciativas que vai ser levada a cabo destina-se aos estudantes. "Há que envolver as escolas, adotando monumentos, ligando-se mais ao estudo, atenção e proteção do património", disse.

Esta é uma aposta, para no futuro, os jovens se tornarem cidadãos mais atentos quanto ao "valor inestimável do Património Cultural".

Oliveira Martins, ex-presidente ddo Tribunal de Contas, atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, realçou que "é indispensável que haja uma consciência dos cidadãos relativamente às responsabilidades quanto ao Património Cultural".

Guilherme de Oliveira Martins, de 65 anos, foi convidado para coordenar o AEPC, em Portugal, dado o seu currículo na área, nomeadamente o ter coordenado as Jornadas Europeias do Património, em Portugal, a redação do texto da Convenção de Faro (2005), e fazer parte da organização não-governamental Europa Nostra.

A convenção assinada na capital algarvia, "caracteriza o Património Cultural como o património construído, o imaterial, e associa a isto a criação contemporânea", explicou. A convenção foi antecedida pelas convenções de La Valetta, Granada e Florença.

Para Oliveira Martins, no próximo ano deve-se sensibilizar para "a preservação do património construído, depois a salvaguarda, ao lado do património paisagístico e do imaterial, e tornar tudo isto coerente com a criação contemporânea".

Questionado sobre o seu principal intuito para esta celebração, o responsável disse: "Sensibilizar todos para encontrarmos noções equilibradas que preservem o Património Cultural nesta aceção ampla". "Portugal é dos países mais ricos em património Cultural e nós não podemos esquecer isto".

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