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"Ódio a Israel". Imprensa e políticos alemães criticam gala da Berlinale

Vários órgãos de comunicação social e políticos alemães criticaram hoje a indústria cultural após alguns dos vencedores do 74º Festival Internacional de Cinema de Berlim -- Berlinale terem manifestado solidariedade com Gaza e ignorado o terrorismo do Hamas.

"Ódio a Israel". Imprensa e políticos alemães criticam gala da Berlinale
Notícias ao Minuto

22:26 - 25/02/24 por Lusa

Cultura Berlinale

"Solidariedade com Gaza, silêncio sobre o Hamas", títula o jornal Spiegel, "Aplausos para o ódio a Israel na Berlinale", escreve o Berliner Zeitung ou "Espetáculo pró-Palestina na Berlinale: a cultura falha como lugar sério de diálogo" pode ler-se no Tagesspiegel.

O cineasta e ativista palestiniano Basel Adra, co-realizador com outros três cineastas do melhor documentário 'No Other Land' sobre a Cisjordânia, exigiu no discurso de entrega do prémio que a Alemanha deixasse de fornecer armas a Israel.

Adra acrescentou que achava difícil celebrar o prémio enquanto "dezenas de milhares de pessoas estão a ser massacradas em Gaza", sob fortes aplausos, enquanto o seu colega israelita Yuval Abrahan falava da ocupação e do apartheid.

O cineasta e ativista norte-americano Ben Russell, co-realizador com Guillaume Cailleau do filme 'Direct Action', que ganhou o prémio de melhor filme na secção Encontros e uma menção especial na categoria de melhor documentário, acusou Israel de genocídio, palavras que também foram aplaudidas.

Apenas a co-realizadora da Berlinale, Marriette Rissenbeek, aludiu ao Hamas e apelou à organização terrorista para que liberte os reféns, ao mesmo tempo que pediu ao governo israelita para aliviar o sofrimento da população civil de Gaza e facilitar uma paz rápida.

"A gala de encerramento deixou claro, mais uma vez, que a indústria cultural é incapaz de ter em conta o ponto de vista de Israel e de mostrar alguma empatia pelo sofrimento dos israelitas", escreve o Tagesspiegel.

Por sua vez, o social-democrata Michael Roth, presidente da comissão parlamentar dos assuntos externos, escreveu na sua conta da rede social X: ""Não sei o que é pior. O discurso sobre o genocídio, os aplausos ou o facto de ninguém se ter levantado e dito nada contra".

Também o presidente da comissão parlamentar alemã dos Segredos Oficiais, Konstantin von Notz, do partido os verdes, exigiu que os profissionais da cultura, "incluindo os internacionais, conheçam e sejam capazes de contextualizar os contextos e os factos políticos e históricos", adiantando que "falar de genocídio é, na melhor das hipóteses, ingénuo e estúpido e, na pior, abertamente antissemita".

O vice-presidente da comissão parlamentar da cultura e dos media, Marco Wanderwitz, disse que "esta Berlinale deve ser avaliada com muito cuidado" do ponto de vista da política cultural.

"Infelizmente, houve várias declarações anti-israelitas incontestadas no palco e na plateia que não devem ser aceites. Não tem nada a ver com a liberdade artística", acrescentou.

O 74º. Festival de Cinema de Berlim termina no sábado.

O conflito em curso entre Israel e o Hamas foi desencadeado pelo ataque do movimento islamita em território israelita em 07 de outubro.

Cerca de 240 civis e militares foram sequestrados, com Israel a indicar que mais de 100 permanecem na Faixa de Gaza, território controlado pelo Hamas desde 2007.

Em retaliação, Israel, que prometeu destruir o movimento islamita palestiniano, bombardeia desde então a Faixa de Gaza, onde, segundo o governo local liderado pelo Hamas, já foram mortas mais de 29 mil pessoas, na maioria mulheres, crianças e adolescentes.

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