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'A Torre de Babel', a sátira humorística à atual situação mundial

A peça de teatro 'A Torre de Babel', que A Barraca estreia na quarta-feira, parte da mítica história bíblica para fazer uma crítica em tom satírico ao "desvario humano e civilizacional que atravessamos", revelou o encenador.

'A Torre de Babel', a sátira humorística à atual situação mundial
Notícias ao Minuto

18:17 - 25/06/19 por Lusa

Cultura Teatro

Segundo a Bíblia, a Humanidade era uniforme a seguir ao Grande Dilúvio, falava um único idioma; as pessoas foram para Oriente e decidiram construir uma cidade e uma torre muito alta para alcançar o céu.

'Deus não gostou'. Misturou as suas vozes para que não se pudessem entender e dispersou-as por todo o mundo.

Foi nesse contexto que surgiu Portugal que, "invocando Deus, Deuses, e implorando milagres, desfraldando bandeiras e brandindo a cruz e a espada" uniu o Oriente e o Ocidente, conta o encenador, adiantando logo à partida que se trata de uma peça com humor.

Mas as catástrofes continuaram e, perante o "atual cataclismo", "Portugal sugeriu que vários países deveriam fazer um encontro de pessoas mais importantes para poderem trabalhar no mundo do futuro".

A partir daqui, há o abrigo português, os Estados Unidos, o Japão, a Rússia, os árabes do petróleo, e tudo se passa conhecendo o ato de civilização de cada país, acrescenta.

O abrigo português vai recebendo informações exteriores, com a ajuda de drones, sobre o que se passa com os abrigos internacionais, e há "uma questão de choque: desaparecem milhares de pessoas dos abrigos", o que, teoricamente, as coloca em risco.

Chega entretanto a informação de que foram para minas abandonadas e o "escândalo" instala-se: "Minas abandonadas? Mas eles não sabem que isso é horrível? Por que é que não morriam ao ar livre?".

Deixa de haver contacto e comunicação dos abrigos internacionais, e do abrigo português surge um novo aviso, que os cientistas descobriram que afinal as pessoas que iam para as minas não morriam, sobreviviam, e "já não tinham garantia de assegurar a segurança dos abrigos".

Há grande pânico e as pessoas começam, cada uma, a querer ir embora para outras paragens, refazer as suas vidas.

"O organizador não gosta daquilo, parecem ratazanas a abandonar o navio, traidores, mata-os um a um, e depois suicida-se. E aqui acontece uma explosão que é na prática a simbologia que eu escolhi para dizer que se trata de uma implosão do sistema: vem uma implosão, vem uma queda de lixo enorme sobre as pessoas", explica.

A peça, que conta com as interpretações de Maria do Céu Guerra, Patrícia Frazão, Rita Soares, Sónia Barradas, Teresa Mello Sampaio, Adérito Lopes, Carlos Sebastião, João Maria Pinto, Samuel Moura e Sérgio Moras, termina com um texto muito curto: os Homens indignados com a indiferença divina começaram finalmente a construir-se a si próprios.

Segue-se uma série de imagens em vídeo de dezenas de figuras da História que foram sempre lutando para que o mundo fosse melhor, com músicas de época que vão acompanhando o processo histórico - 'A Marselhesa', 'A Internacional', 'Grândola, Vila Morena', o MFA - e termina com o 'Imagine', de John Lennon, que é o "sinal de esperança" que renasce.

Hélder Mateus da Costa sublinhou que esta peça pretende passar uma mensagem crítica à atual situação mundial, de que são sintomáticas as mais recentes manifestações protagonizadas essencialmente por jovens, sobre as questões climáticas.

"São as lutas atuais, é uma luta que está a reproduzir outras, desde há séculos, mas cada uma mais diferente, umas mais selvagens, estas últimas de cariz humanitário, pacifista, amigo, e que nasceu devido à brutalidade e à boçalidade de pessoas como o Trump, o Bolsonaro e essa gente toda que anda por aí", afirmou.

A peça vai estar em cena até dia 30 de junho, repetindo-se depois de 11 a 14 de julho e de 18 a 21 de julho.

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