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Teatro da garagem estreia 'Alice' no Porto

A última criação do Teatro da Garagem, de Lisboa, estreia-se na quarta-feira no Porto, no Teatro Carlos Alberto, encontrando no universo de Alice, de Lewis Carroll, material para um retrato sobre a desorientação do mundo actual.

Teatro da garagem estreia 'Alice' no Porto
Notícias ao Minuto

22:25 - 10/12/13 por Lusa

Cultura Peça

Depois de há 13 anos ter coproduzido "In(sub)missão" com o Teatro Nacional de São João, a Garagem reedita essa parceria para "Alice" uma peça de Carlos J. Pessoa que também é o responsável pela encenação deste texto que parte de "Alice no país das maravilhas" mas especialmente do menos conhecido "Alice do outro lado do espelho".

"Este texto surgiu em vez do mais habitual 'Alice no país das maravilhas' porque representa o estilhaçamento do mundo", explicou à agência Lusa Carlos Pessoa que considera que esta é uma obra que lhe "causa muitas interrogações".

O cenário da peça, que estará em cena até domingo, é uma caixa negra onde as luzes projetam no chão o quadriculado de um tabuleiro de xadrez e em redor do qual se dispõem alinhados, no início, os 41 atores que constituem o elenco.

Mas este é, aparentemente, o único momento de ordem preestabelecido, porque quando se inicia o movimento dos personagens o que predomina é a diversidade, a confusão, a agitação própria de um universo onírico que irá dominar toda a peça.

"À medida que as cenas vão decorrendo há um progressivo estilhaçamento das categorias, dos axiomas, daquilo que temos como certo e sabido, daquilo que temos como real", afirma o diretor artístico da Garagem, para quem, "à medida que o processo foi avançando" se foi apercebendo que "isso tinha a ver com aquilo que estamos, de certo modo, a viver hoje".

"Não sabemos muito bem onde estamos, para onde vamos", acrescenta.

Alice pede indicações para o seu caminho, naquilo que Carlos Pessoa explica como a procura de "uma ordem que se pretende que seja restabelecida".

"É uma ordem que corresponde a uma autoridade, a uma dignidade, a um sentido de justiça, cujos contornos não são plasmados naquilo que existia anteriormente. A ideia do eterno retorno não significa que vamos regressar ao ponto de partida" explica.

Na peça participam alunos de quatro escolas -- Academia Contemporânea do Espetáculo, Balleteatro, Escola Superior Artística do Porto e Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo -- "de diferentes culturas teatrais, diferentes formações, diferentes caminhos, diferentes idades e patrimónios até geográficos", afirmou Carlos Pessoa para quem essa diversidade é "importante enquanto artista".

O encenador integra este trabalho num ciclo intitulado "Caminhadas especulativas ", que o Teatro da Garagem irá desenvolver no próximo quadriénio e que parte de textos que encenador e dramaturgo considerada como "tijolos" da sua "formação, como pessoa e como artista.

Neste ciclo seguir-se-á a "Odisseia" de Homero, "sobretudo o episódio de Circe" onde Ulisses tem de escolher "e qualquer escolha que faça é má".

"Configura uma ideia de que a vida comporta dificuldades inadiáveis e que, às vezes, é difícil e doloroso continuar mas que essa dor há que não ter medo dela. Não podemos ter medo do medo", concluiu.

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