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"Eu sou mais do que a miúda que perdeu o namorado"

Maria Botelho Moniz não quer ser lembrada pela tragédia que abalou a sua vida há três anos. A atriz e apresentadora esteve à conversa com o Fama Ao Minuto numa entrevista em que garante que ainda tem muito para dar.

"Eu sou mais do que a miúda que perdeu o namorado"
Notícias ao Minuto

05/09/17 por Notícias Ao Minuto

Fama Maria Botelho Moniz

Repleta de talento e energia, Maria Botelho Moniz é atriz, apresentadora e comentadora do programa 'Passadeira Vermelha', da SIC Caras.

Representar sempre foi o seu grande sonho, optou por estudar fora e quando regressou disseram-lhe que tinha "qualificações a mais" para alguém que estava em início de carreira. Com persistência surgiram as primeiras oportunidades, entrou na série 'T2 para 3' e nas novelas 'Podia Acabar o Mundo' e 'Laços de Sangue'.

No momento em que lhe faltou trabalho, apressou-se a descobrir outro caminho. Ficou conhecida como a "beta fixe" do 'Curto Circuito' e foi a partir daí que a apresentação passou a fazer sentido na sua vida. Recentemente, perdeu dez quilos, recuperou confiança e está empenhada em lembrar o público de que também é atriz.

Em entrevista ao Fama ao Minuto, Maria Botelho Moniz falou sobre as dificuldades que enfrentou no início da carreira, os primeiros trabalhos, a falta de oportunidades, o caminho que tem vindo a traçar na apresentação e os motivos que a levaram a perder peso.

Torna-se conhecida do grande público devido ao trabalho como atriz, a representação era um sonho de sempre?

De sempre! Esse foi sempre o sonho e é até hoje. Eu acho que é essa a minha vocação, foi sempre para isso que eu estudei, foi sempre esse o curso que quis tirar e foi sempre essa a profissão que eu quis ter. A apresentação é que entra por aqui um bocadinho de surpresa, mas continuo com muita vontade de representar.

Em muitas produtoras bem conhecidas pediram-me para tirar do curriculum esse dado. Diziam que eu em teoria teria qualificações a mais do que os colegas da mesma idade do que euQuando decidiu seguir o caminho da representação, apostou em formar-se no estrangeiro. Essa formação deu-lhe mais oportunidades no início da carreira?

Fui para fora numa altura em que ainda ninguém ia para fora. Ainda não havia este boom das pessoas tirarem um ano e irem estudar para fora e eu fiz isso ainda antes de me tornar conhecida. Houve ali uma geração 'Morangos Com Açucar' que fazia primeiro umas séries, ia estudar para fora e depois voltava, isso dava-lhes um bocadinho mais de bagagem e era um grande empurrão. Eu fiz o contrário, não quis ir trabalhar sem saber o que estava a fazer. Fui para fora primeiro e quando voltei continuava uma perfeita desconhecida. Tinha apenas um curso tirado lá fora e não foi muito fácil por isso, em muitas produtoras bem conhecidas pediram-me para tirar do curriculum esse dado. Diziam que em teoria teria qualificações a mais do que os colegas da mesma idade do que eu, isto surpreendeu-me um bocadinho. Achei que mais qualificações seria uma coisa boa, mas não jogou a meu favor, nem pouco mais ou menos.

Ainda assim, valeu a pena apostar nessa formação?

Por mim sim, claramente. Aprendi muito e continuo a aplicar algumas das coisas que aprendi no meu trabalho. Não faria diferente, mas também não vou dizer que isso ajudou a que eu tivesse uma carreira. Não ajudou e talvez só tenha desajudado a certa altura.

Como é que surgem as primeiras oportunidades?

Vou muito por acaso parar a uma primeira agência de atores que me propõe para um casting de uma série online. Foi o primeiro trabalho que eu fiz em Portugal, chamava-se 'T2 para 3' e foi a primeira série feita em exclusivo para o online, produzida pela beActive. Correu muito bem, depois disso comecei a fazer mais castings e pouco depois de terminar as gravações dessa série vou parar à novela 'Podia Acabar o Mundo', da SIC, e a partir daí a historia aconteceu.

Comecei a ficar muito ansiosa. Escolhi a profissão errada, sou muito organizada, gosto de saber o que vai acontecer em cada dia, gosto de projetar os meus dias e nesta profissão é muito complicadoE quando é que começa a faltar-lhe trabalho na representação?

Fiz o 'Podia Acabar o Mundo' durante um ano e entre essa novela e os 'Laços de Sangue' houve ali uma paragem bastante grande, é preciso meter outras pessoas pelo meio e há outras produções a acontecer. Nos 'Laços de Sangue' tive uma personagem muito pequena, que morreu logo de início, portanto sabia que ia ter de esperar para um próxima produção e mesmo assim sem certezas de que fosse chamada para um elenco. Comecei a ficar muito ansiosa. Escolhi a profissão errada, sou muito organizada, gosto de saber o que vai acontecer em cada dia, gosto de projetar os meus dias e nesta profissão é muito complicado. Comecei a ficar ansiosa por não saber o que ia fazer a seguir ou quando é que isso ia acontecer. Nessa altura vi o casting do 'Curto Circuito', falei com o Diogo Valsassina, que eu já conhecia, e ele disse-me: "Vai, acho tens todo o perfil". Concorri ao casting numa de mostrar que estava sem trabalho, "estou aqui, lembrem-se de mim". Não foi nem pouco mais ou menos para ganhar e para me tornar apresentadora, mas acabou por acontecer e acabei por lá ficar mais de três anos.

Sou e era na altura, mais ainda, quase 'betinha' de demais para estar no 'Curto Circuito', mas ao mesmo tempo eu era diferente demais para ser 100% 'beta'O 'Curto Circuito' está muito associado a pessoas jovens, muito descontraídas e radicais. Para estar lá teve de representar o papel de uma jovem mais radical ou já é assim?

Foi um bocadinho dos dois. Eu sou e era na altura, mais ainda, quase betinha demais para estar no 'Curto Circuito', mas ao mesmo tempo era diferente demais para ser 100% beta. Era tipo uma beta radical e aquilo era uma cena um bocado estranha. Quando entrei os miúdos metiam-se muito comigo: "Ai agora está aqui esta betinha". Eu encarnei essa personagem da betinha e, a certa altura, eles começaram a tratar-me pela beta fixe. Era muito a miúda que os tratava bem ao telefone, que os recebia, que era amiga, mas ao mesmo tempo tinha assim uns momentos de loucura e de radical. Acho que toda a agente que passa pelo 'Curto Circuito' tem de ter ali uma persona, todos nós temos de ser diferente no ar e de criar as nossas próprias personagens em antena. 

É a partir daí que a apresentação passa a fazer sentido na sua vida?

Sim, confesso que achava que não ia ter muito jeito e que não ia gostar tanto quanto gostei. Tive ali um bocadinho aos papéis nos primeiros meses, para mim era muito estranho olhar diretamente para uma câmara, é a regra número um de ator de cinema ou de televisão: nunca olhar para a lente. Logo aí era uma adaptação estranha. Depois falar na primeira pessoa, dar a minha opinião era estranho. Estava habituada a que me chamassem na rua pelo nome das personagens e depois disso chamavam-me pelo meu nome, perguntavam pelos meus cães e sabiam coisas da minha vida. Isso foi a parte mais estranha, mas hoje em dia gostava de conseguir equilibrar melhor as duas coisas.

Estou a divertir-me muito e estou a fazer o programa completamente despreocupada se alguma coisa vai sair daqui ou não. Não sei se é por estar ali que me vão dar esta ou aquela oportunidade, não faço a menor  ideia e até acho que não vai acontecerDurante as férias da Rita Ferro Rodrigues, esteve ao lado do João Baião a apresentar o programa 'Juntos À Tarde', da SIC. Como é que correu esta experiência?

Foi muito bom. Já tinha tido uma primeira experiência no 'Grande Tarde', quando o João Baião apresentava com a Andreia Rodrigues eu substituí-a nas férias, e este ano já trazia essa experiência comigo. A diferença que notei, desta vez para a anterior, é que no 'Juntos À Tarde' fiz as coisas com muito menos pressão em mim própria. Quando fiz a primeira vez queria fazer tudo muito bem, tudo muito certinho, não falhar em nada. Não digo que tenha perdido alguma naturalidade, mas quase que perdi algum conforto. Estava tão preocupada em fazer tudo tão certinho que estava a divertir-me mas não tanto quanto podia e foi uma das coisas que a Júlia Pinheiro me disse a primeira vez que fiz daytime. Eu bati-lhe à porta do camarim, agradeci a oportunidade que me estavam a dar e perguntei: "Júlia há alguma coisa que me possa dizer para me orientar?". Ela disse: "Não miúda, tu sabes o que fazer. Mas olha, diverte-te. Não te esqueças, se tu te estiveres a divertir as pessoas em casa também se estão a divertir." E eu sinto que desta vez apliquei muito mais o conselho que ela me deu. Diverti-me muito e fiz o programa completamente despreocupada. Não sei se foi por eu estar ali que me vão dar esta ou aquela oportunidade, não faço a menor ideia e até acho que não vai acontecer. Estive muito mais descontraída porque sabia que era uma coisa que ia ter um fim, aquele programa tem os seus apresentadores e eu não quero tomar o lugar de ninguém.

Há pessoas que já não se lembram de que esse também é o meu trabalho e que também sou atrizNeste momento seria mais importante uma oportunidade na apresentação ou na representação?

Tenho estado a trabalhar para voltar à representação, sinto que deixei de o fazer durante tempo demais e agora queria realmente começar a conciliar as duas coisas de uma forma equilibrada. Saí da produção do daytime, que estava a fazer nos programas da manhã, exatamente para me focar mais nisso. Fui fazer uma participação muito pequenina à novela 'Amor Maior', da SIC, fiz também uma participação no 'Sim, Chef', da RTP, porque quero começar devagarinho para relembrar as pessoas. Há pessoas que já não se lembram que esse também é o meu trabalho e que também sou atriz. Portanto, é voltar a lembrar as pessoas que também faço isso e pedir mini oportunidades para ir mostrando que de facto sei o que estou a fazer, na esperança de que, um dia destes, isso cresça e eu consiga ter mais oportunidades nesse sentido.

Até podes nem ser a miúda mais boazona do mundo, mas tens de estar a chegar perto de um padrão ou não interessas tanto. É uma realidade dura, mas é assim em todo o lado Recentemente, contou que estava a fazer uma dieta e tinha perdido 10 quilos. Decidiu perder peso porque não se estava a sentir bem ou porque sentiu uma certa pressão dos parâmetros de beleza que hoje, de uma forma ou de outra, são impostos a quem trabalha em televisão?

Um bocadinho dos dois, 80% foi por mim, já não me estava mesmo a sentir bem e isso já estava a ter um agravamento na minha saúde, e depois se se quer jogar o jogo tem de se jogar pelas regras que existem por muito que se seja contra elas. Eu sou contra muitas dessas regras, faço questão de o dizer e de o dizer a quem de direito. Há uns anos, tínhamos pessoas ditas normais a fazer televisão, mas hoje em dia isso é mais raro. Temos aquela geração mais velha que já ganhou todo o o nosso respeito e se está nas tintas se tem mais cinco, mais seis ou mais sete quilos, é indiferente porque são aquelas figuras que já ganharam o seu espaço, mas na malta nova não se vê uma gordinha a apresentar nada, infelizmente. Mas espero e acredito que  já haja uma tendência para mudar isso, o próprio público já pede que as pessoas sejam o espelho de quem está em casa. Obviamente que a televisão tem de ser um bocadinho aspiracional e é isso que todos queremos, é isso que puxa pelo público, vemos na televisão aquilo que queremos ser e o sítio onde queremos chegar. Para mim a linha é um bocadinho ténue, temos de mostrar uma coisa real.

Há quem tenha a sorte de geneticamente comer tudo à vontade e continuar com uma figura incrível, eu não faço parte desse bolo, mas nem pouco mais ou menos. Só de respirar já estou a engordar. Por um lado foi para me sentir bem, mas por outro lado só quem é mais magrinha é que trabalha. Não que me tenham dito isso. Até podes nem ser a miúda mais boazona do mundo, mas tens de estar a chegar perto de um padrão ou não interessas tanto. É uma realidade dura, mas é assim em todo o lado e ou te adaptas ou não.

Há três anos teve um momento muito difícil na sua vida...

Sim, está tudo bem. Estou ótima. É difícil para mim, como é difícil para qualquer pessoa, mas com o tempo as coisas começam a ir ao sítio.

Eu sou mais do que a miúda que perdeu o namorado Ver essa informação tornar-se pública foi mais difícil ou ajudou a superar a dor?

Foi mais difícil, eu não tornei público, não fui eu que tornei público. Aliás, regressei ao trabalho sem que a notícia fosse sequer pública. Cheguei a fazer o 'Curto Circuito' muito pouco tempo depois, sem que ninguém soubesse. Durante aquela hora e meia estava focada noutra coisa e, ao mesmo tempo, tinha a segurança de que as pessoas para quem estava falar não sabiam de nada, podia fingir à vontade que estava bem porque ninguém ia julgar a minha felicidade. Assim que se torna público é mais complicado, basta ver que três anos depois ainda me fazem a mesma pergunta, se está tudo bem. Eu acho que sou mais do que isso, apesar de ser uma grande parte de mim e de ter contribuído para ser quem sou hoje, porque descobri força que não sabia que tinha. Eu sou mais do que a miúda que perdeu o namorado.

Então quem é a Maria Botelho Moniz?

Sou eu, sou uma beta fixe [risos]. Sou uma pessoa que quer fazer o seu caminho profissional, quero que me deixem fazer o meu caminho porque acho que tenho muito para dar. Há muitas coisas que eu quero fazer. Graças a Deus, 99% das vezes que estou no ar o feedback é muito bom. Sinto-me muito bem recebida, muito acarinhada, tanto por quem esta à minha volta a trabalhar como por quem me vê em casa. Eu só quero espaço, quero espaço para crescer, deixem-me crescer que eu depois mostro.

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