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"Direita não tem estratégia a não ser dizer que seriam melhores alunos"

Numa entrevista onde analisa a atuação do governo de Esquerda, José Soeiro não deixa de comentar a "estratégia" da Direita que, segundo o mesmo, tenta passar a imagem de bom "aluno" quando é quem está na "origem dos nossos problemas". Marcelo também foi tema de conversa, com o bloquista a considerar que este, por vezes, se entusiasma de mais com o exercício das suas funções.

"Direita não tem estratégia a não ser dizer que seriam melhores alunos"
Notícias ao Minuto

15/09/16 por Andrea Pinto

Política José Soeiro

José Soeiro é o entrevistado do Vozes Ao Minuto desta semana. O bloquista fala sobre o Governo que juntou os partidos à Esquerda e embora admita a existência de "divergências", garante que os partidos estão unidos para cumprir o mandato para o qual foram nomeados pelos portugueses.

O Bloco, a par do PCP, e numa coligação com o PS, formou este ano uma nova solução governativa à Esquerda. Como tem corrido esta governação a três?

Temos, naturalmente, as nossas diferenças, elas são explícitas em relação ao governo do Partido Socialista, mas estamos empenhados em fazer o nosso caminho pelo acordo político para a recuperação de rendimentos, para a preservação do Estado Social, para a recuperação das condições do trabalho e no combate às desigualdades. Para isso sabemos que vai ser preciso resistir às chantagens que veem da União Europeia e à tentativa de condicionar e de pressionar o cumprimento deste acordo que vem das instituições europeias.

Refere-se a possíveis medidas adicionais de austeridade impostas pela Comissão Europeia?

Estamos a viver uma pressão vergonhosa para que o Governo adote políticas que não foram sufragadas em Portugal e que não correspondem ao que a maioria das pessoas quer. Estamos num processo em que é muito importante que se assegure o cumprimento do acordo firmado entre esta maioria, que deu passos importantes na recuperação de rendimentos e que tem ainda muito para fazer. Há um caminho e um desafio muito importante para fazer e nós estamos empenhados em fazê-lo, resistindo às pressões para que se regresse a uma lógica de austeridade imposta pelas instituições europeias que é inaceitável.

António Costa tem sido um primeiro-ministro aberto às propostas do Bloco?

Sendo o Governo que detém a maioria parlamentar isso significa que as propostas políticas são negociadas no quadro do Parlamento e são conversadas entre os partidos que constituem a maioria. Isso não significa que estejamos sempre de acordo. As diferenças são conhecidas, nomeadamente em questões como a questão da dívida ou a questão da nossa relação com a Europa. Mas o facto de haver uma maioria parlamentar e isso significar uma negociação, permitiu que este governo tivesse compromissos, como a reversão das privatizações, compromissos em termos do aumento do salário mínimo e do combate à precariedade, que não teria se fosse apenas um governo do PS e se não fosse um governo que não depende de uma maioria parlamentar do qual faz parte o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e Os Verdes.

Houve alturas em que pareceu haver algum mal-estar entre Bloco e PCP. Existe alguma tensão entre os dois partidos?

Nós temos tido algumas convergências muito amplas e importantes com o PCP em matérias centrais de política económica e social e também na oposição à lógica da austeridade. É um diálogo que fazemos sempre com muito gosto.

Estamos a viver uma pressão vergonhosa para que o Governo adote políticas que não foram sufragadas em Portugal Há também muitas diferenças, sobretudo em relação às políticas internacionais, na avaliação que fazemos de Governos e regimes como o angolano ou o chinês. Essas diferenças também são conhecidas.

Mas a maioria parlamentar depende do cumprimento de acordos que estão inscritos e têm balizas muito claras. Não creio que sobre estas balizas esteja a haver qualquer tipo de tensão. Esse compromisso, penso, está muito forte naquilo que cada partido faz e na capacidade de articular posições.

Chegou a dizer, durante as eleições presidenciais, que Marcelo Rebelo de Sousa era uma espécie de “bimby política”. Mantém essa opinião?

O Presidente tem uma ação frenética que procura aparecer em cada momento da vida nacional. Penso que às vezes entusiasma-se um pouco com o exercício das suas funções, mas o mais importante é a consciência de que há neste momento uma solução política que é legítima e que está a fazer o seu caminho. O Presidente tem convivido com ela e é evidente que tem uma forma de exercício que pretende condicionar mais a política a partir da sua ação.

O Presidente tem uma ação frenética que procura aparecer em cada momento da vida nacional. Penso que às vezes entusiasma-se um pouco com o exercício das suas funçõesMas creio que em momentos importantes, como foi o conflito dos colégios privados, não se colocou do lado desses interesses que existem na sociedade portuguesa. Noutros momentos, o presidente revelou a sua vertente mais conservadora como na rejeição do veto que fez à lei da maternidade de substituição, revelando também a sua matriz política conservadora, do campo da Direita.

E como definiria a atuação da Direita neste momento?

A Direita não tem uma estratégia para o país a não ser fazer eco das imposições europeias e tentar mostrar à Europa que eles seriam melhores alunos. O problema é que a Direita está na origem dos nossos problemas, seja com o défice, seja pelo empobrecimento, o aumento do desemprego e aumento da emigração que foram tendências criadas pela sua governação. A Direita não tem uma estratégia alternativa a não ser dizer que por obediência teria mais benefícios. Nós defendemos que Portugal só terá benefícios se tiver uma voz própria e souber rejeitar imposições que são ilegítimas e absurdas do ponto de vista económico e ilegítimas do ponto de vista democrático.

Pode ler a segunda parte desta entrevista aqui.

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