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"Vírus pode dar quadros neuropsiquiátricos que só daqui a meses veremos"

Miguel Xavier, subdiretor do Conselho Científico da Universidade Nova de Lisboa e diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental, é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

"Vírus pode dar quadros neuropsiquiátricos que só daqui a meses veremos"
Notícias ao Minuto

13/08/20 por Silvia Abreu

País Miguel Xavier

Desde que surgiu em Wuhan, na China, em dezembro do ano passado, o novo coronavírus mudou a forma como a sociedade se comporta. Parou as maiores economias, obrigou ao confinamento e o distanciamento social passou a ser crucial na maneira como as pessoas se relacionam. Mudanças essas que acarretam um impacto ao nível da saúde mental e têm sido motivo de alerta para as autoridades de saúde.

Sobre os efeitos do SARS-CoV-2 há ainda muito por descobrir e o seu impacto nas diferentes vertentes da sociedade começa só agora a fazer-se sentir.

Mas uma coisa é certa, o "segredo para não haver um problema muito grande de saúde mental está nas medidas de apoio social", afirma o subdiretor do Conselho Científico da Universidade Nova de Lisboa e diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental, Miguel Xavier, em entrevista ao Notícias ao Minuto.

Muito se tem falado sobre os efeitos que a pandemia teve - alguns já visíveis, outros não - na saúde mental. Quais são a seu ver?

Eu faria uma divisão aí, entre o que foi a experiência do confinamento e, depois, a parte que vem a seguir, a que nós, normalmente, chamamos de desconfinamento. Na parte do confinamento, tenho falado muito sobre isso, aquilo que fundamentalmente aconteceu foi que as pessoas viram a sua vida virada do avesso. Tiveram de ficar em casa e não estavam habituadas a ficar em casa, ficaram mais tempo com a própria família, e cortaram muito a sua vida de relação. Apesar de os meios de comunicação digital facilitarem o contacto com o outro, o que é certo é que houve aqui um corte relacional muito importante.

Aquilo que nós víamos eram imagens dantescasQue repercussões são já visíveis?

Destacaria, fundamentalmente, a emergência dos sintomas de natureza ansiosa, depressiva e as perturbações do sono. Essas três áreas são talvez as mais importantes, até porque em várias situações apareceram juntas. Ou seja, a pessoa começava por ficar ansiosa e às tantas começava a ficar deprimida porque os dias iam passando e nada mudava.

Para isso contribuiu, não só a experiência que cada um estava a viver do ponto de vista da relação, mas também as imagens que íamos recebendo. Em março, a televisão estava dominada por um tema único, que eram as imagens que nos chegavam de Itália e de Espanha, mas principalmente de Itália. Aquilo que nós víamos eram imagens dantescas.

Se por um lado [o confinamento] foi cumprido à risca, por outro, criou uma sensação, por vezes, de pânicoE que eram chocantes...

Os hospitais e as unidades de cuidados intensivos a receberem entre 100 a 150 doentes por dia. Imagens de hospitais em Madrid, em que as pessoas estavam no chão em dificuldades respiratórias. E ainda as cifras de mortos, que eram altíssimas. Acho que isso foi algo que tocou toda a gente e que criou uma sensação de medo muito grande e que, de alguma forma, foi muito eficaz na forma como os portugueses encararam o confinamento, porque nas primeiras semanas do confinamento, as ruas estavam completamente vazias. 

É óbvio que em pessoas que já tinham problemas prévios, esses problemas agravaram-seContudo, isso tem um efeito?

Tem um lado reverso da medalha. Se por um lado [o confinamento] foi cumprido à risca, por outro, criou uma sensação, por vezes, de pânico. As pessoas são todas diferentes e é normal que em algumas, por questões de natureza da própria personalidade, exista uma maior probabilidade de aparecerem sintomas depressivos, ansiosos, etc.

É fundamental as pessoas perceberem que a maior parte de nós pode ter sintomas depressivos e ansiosos sem ter propriamente perturbações clínicas depressivas e ansiosasQuanto às pessoas que já lidavam com problemas desse foro, a pandemia potenciou um agudizar da situação?

É óbvio que em pessoas que já tinham problemas prévios, esses problemas agravaram-se. Pessoas que viviam com problemas de natureza obsessivo-compulsiva, todo este quadro que se criou foi agravado. E é normal também que alguns quadros de ansiedade e de depressão, que eram fundamentalmente sintomas depressivos e ansiosos, se tenham organizado em verdadeiras perturbações depressivas e ansiosas. 

O que é diferente.

É fundamental as pessoas perceberem que a maior parte de nós pode ter sintomas depressivos e ansiosos sem ter propriamente perturbações clínicas depressivas e ansiosas. Estamos a falar de intensidades diferentes. Os sintomas são os mesmos, mas a intensidade, a duração e a incapacidade que acarreta é diferente.

Até porque, uma pandemia como esta, em que o mundo para, nunca se viveu. 

Não. E, claro, o confinamento atingiu de forma diferente os escalões etários. É comum ouvirmos dizer que as crianças e os adolescentes são mais resistentes ao novo coronavírus e por isso não têm problemas. Bem, não têm problemas do ponto de vista vital - às vezes têm -, mas não mais do que os idosos. Mas do ponto de vista mental é óbvio que para os adolescentes isto foi uma coisa extremamente difícil. 

Por muito que se diga que o novo coronavírus não tem impacto nas crianças e nos adolescentes, tem, mais não seja a nível da saúde mentalQue efeitos deixou?

Os jovens - e principalmente os adolescentes - baseiam a sua vida na relação grupal com amigos e colegas e isso foi cortado abruptamente. Podem dizer que têm o WhatsApp e as redes sociais, mas não é a mesma coisa. Ajuda, mas não á a mesma coisa. Por exemplo, em tudo o que eram relações, que são cruciais, relações de namoro, podemos imaginar como é que foi... o sofrimento que elas acarretaram pelo afastamento brusco e completo durante meses. Por muito que se diga que o novo coronavírus não tem impacto nas crianças e nos adolescentes, tem, mais não seja a nível da saúde mental.

A fase do desconfinamento é a fase em que estamos neste momento e que eu chamaria de uma fase intermédia. Aquilo que se sabe é que os sintomas depressivos e ansiosos em muitas das pessoas diminuíram. Não só porque se começaram a habituar às situações, mas também porque começaram a sair. Há pessoas que continuam com sintomas depressivo-ansiosos mas diria que a percentagem é, provavelmente, inferior. Mas isso é no momento atual.

A médio prazo, aquilo que temos é um ponto de interrogação. Não sabemos o que vai acontecer quando começarem as aulasE o que vem depois?

A médio prazo, aquilo que temos é um ponto de interrogação. Não sabemos o que vai acontecer quando começarem as aulas. Há pessoas que defendem que ao fim de três semanas de aulas, é provável que surja um pico pandémico, cuja dimensão não sabemos qual será e que, esperemos nós, nos permita manter, pelo menos, o nível de desconfinamento que temos agora. É um ponto de interrogação.

No primeiro confinamento, como referiu, "as pessoas cumpriram à risca". Na eventualidade de isso voltar a acontecer, considera que os portugueses acomodariam da mesma forma essas regras?

Em primeiro lugar, penso que temos de nos habituar a esta situação de emergência de surtos em diversos sítios. Até haver uma vacina a nossa vida vai ser assim, um surto ali, outro acolá. No entanto, até agora, a situação está mais ou menos controlada. Os surtos vão aparecendo, mas o Governo, é a minha convicção, está a trabalhar bem, apesar dos poucos recursos que tem. Não andámos para trás no desconfinamento

Há medidas que são novas, como, por exemplo, o uso obrigatório das máscaras na Madeira. É bom que nos habituemos à ideia de que medidas como essa podem começar a aparecer com maior frequência.

O problema que eu temo mais, do ponto de vista da saúde mental, é o impacto económico disto tudo A sociedade aguentaria um novo confinamento?

Acho que só iremos para um confinamento como aquele que fizemos se de facto houver um aumento muito grande da incidência da doença e se os serviços públicos, fundamentalmente, as unidades de cuidados intensivos, começarem a estar em risco.

Gostaria que não houvesse, acredito que é possível que não haja, mas acho que, com ponderação, temos de estar preparados para que possa acontecer e não dramatizar a situação. Já vivemos um e não tenha dúvidas de que poderemos viver outro. Com a diferença que já sabemos como é, não é uma situação nova. Agora, que vai trazer problemas ou que pode trazer, pode. Mas há problemas tão grandes ou maiores do que um novo confinamento

Tais como?

O problema que eu temo mais, do ponto de vista da saúde mental, é o impacto económico disto tudo.

distanciamento social, o confinamento, a impossibilidade de (inicialmente) as pessoas se despedirem dos entes queridos, aliados à incerteza económica que se vive, são a receita perfeita para a agudização e surgimento de sofrimento psicológico?

A questão económica é crucial aqui, porque o problema das dívidas e da ausência de dinheiro é uma determinante profundamente conhecida como indutor de sofrimento psicológico. E não se pode esperar que sejam os serviços de saúde a responder a isso.

Vão ter de fazer a sua quota-parte, atenção. Não se vão colocar de fora. Mas, se de facto o problema é de natureza económica, é óbvio que o que é mais eficaz são também as medidas de compensação económica, chamemos-lhe as medidas de apoio social. Quanto a isso, espero que a nível europeu haja uma atenção especial, caso contrário a saúde mental vai claramente ressentir-se.

Claro que há ponderáveis. Imaginemos que daqui a três ou quatro meses surge uma vacina...

Sabermos que existe uma possibilidade, é como a luz ao fundo do túnel. Pode ainda não estar cá mas sabemos que vai chegar 

A perspetiva muda de imediato?

Só o facto de sabermos isso, mesmo antes de termos a vacina, tem um impacto muito grande na saúde mental e na gestão das expectativas. Sabermos que existe uma possibilidade, é como a luz ao fundo do túnel. Pode ainda não estar cá mas sabemos que vai chegar.

Pode haver uma recuperação muito grande a partir do momento em que as pessoas comecem a ser vacinadas e possam voltar à sua vida normal. É por isso que tento sempre não dramatizar e peço às pessoas que não o façam também. 

Agora, não deixo de me preocupar muito com as medidas de apoio social, porque é aí que vai estar o segredo para não haver um problema muito grande de saúde mentalVivemos uma situação destas e, apesar de tudo, não vivemos uma situação com um vírus de alta letalidade, porque a letalidade, felizmente para nós, é baixa. Exceto para os escalões etários mais velhos, mas a letalidade em si, em termos de saúde global, não é muito alta. Agora, não deixo de me preocupar muito com as medidas de apoio social, porque é aí que vai estar o segredo para não haver um problema muito grande de saúde mental.

Podemos vir a ter quadros neurológicos, neuropsiquiátricos e, a longo prazo, psiquiátricos. O que é algo que faz com que tenhamos de estar com muita atençãoE os efeitos a longo prazo?

Há um aspeto que não tenho focado muito, até agora. Estão a começar a surgir artigos científicos que mostram que indivíduos que recuperam da Covid-19 têm efeitos neurológicos e neuropsiquiátricos que parecem ser secundários à infeção do novo coronavírus. Dentro de alguns desses sintomas e quadros, estão a surgir também quadros psiquiátricos. Há uma nova questão que é a de este ser um vírus neurotrópico, que atinge o sistema nervoso central.

Podemos vir a ter quadros neurológicos, neuropsiquiátricos e, a longo prazo, psiquiátricos. O que é algo que faz com que tenhamos de estar com muita atenção. Porque parece que este vírus não é só um vírus que dê uma lesão pulmonar.

Este vírus é muito mais complexo, mexe com as cadeias de coagulação e, através do sistema de coagulação e de uma certa hiperatividade do sistema imune, pode dar quadros neurológicos e neuropsiquiátricos que só daqui a uns meses vamos começar a ver a sério.

É precisamente esse tipo de dúvida quanto ao vírus que contribui para a inquietação e pânico?

Não se pode dar uma ideia dramática da situação, mas também não se deve passar o contrário, que leve à negação. A população tem de saber os riscos, como se proteger e entender. Fazer uma diferença daquilo que já é conhecimento sólido e do que começa agora a aparecer e que só daqui a uns meses ou anos é que vamos ter certeza.

Quando assumiu o cargo de diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental, em 2018, afirmou que a saúde mental não pode andar ao sabor dos ciclos políticos. Nessa altura, o plano para 2007-2016 tinha sido colocado em pausa devido à troika. Com uma nova crise - provocada pelo novo coronavírus - arriscamos uma nova pausa?

Acho que não... por vários motivos. Em primeiro lugar, porque a saúde mental saiu para a primeira agenda mediática. Não há um dia em que não se fale de saúde mental, o estigma está a baixar e isso é um avanço enorme.

Em segundo, porque os serviços de saúde mental e os cuidados primários estão a responder o melhor que podem. Claro, às vezes em teletrabalho ou telemedicina não é a melhor solução, mas é melhor do que não ter solução de todo. Por fim, porque no Governo, e posso dizer isto porque tenho contacto frequente com o Ministério da Saúde e com a Direção-Geral da Saúde, há uma preocupação enorme com esta área.

Na saúde mental, ao contrário das outras áreas, não se trabalha com máquinas, trabalhamos com pessoas  Com o surgimento da pandemia, foi criado o Programa de Saúde Prioritário na área da Saúde Mental. Que passos é preciso dar?

Os primeiros passos a dar, foram os que já foram dados. Responder à emergência Covid, do ponto de vista da saúde mental. Fez-se uma norma da DGS, um site novo e os serviços estão a trabalhar imenso. 

São feitas quer consultas presenciais, quer consultas de telemedicina. Claro que há situações... por exemplo, hospitais de dia que não estarão todos a funcionar, porque há uma questão que é a pandemia. Mas tem havido um cuidado enorme dos serviços e direções de serviços para que, principalmente as pessoas com doenças mentais graves, sejam acompanhadas.

E quanto aos novos casos?

Se me pergunta se tem sido possível manter o ritmo de primeiras consultas, claramente não, tal como não tem sido nas outras áreas. A vida é assim, estamos perante uma pandemia. O que é mais grave está perfeitamente salvaguardado e o que é importante é que o andamento das reformas que vinha de trás não pare. Porque senão Portugal vai ter outra vez uma paragem na reforma do programa da saúde mental e isso não pode acontecer. O Governo está muito sensibilizado para isso. Agora, quanto ao maior desafio que temos... isso já é diferente.

Qual é?

O maior desafio de reforma é o problema dos recursos humanos. Porque na saúde mental, ao contrário das outras áreas, não se trabalha com máquinas, trabalhamos com pessoas.

Portugal é o quinto país da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - que mais consome antidepressivos e ansiolíticos. De janeiro a março foram vendidas mais 433 mil embalagens deste tipo de medicamentos face ao período homólogo de 2019. Não podemos apontar isso à pandemia...

Isso deve-se à conjunção de duas coisas. E é bom não esquecer. Não ouço muitas vezes dizer aquilo que é a premissa número um. A prevalência da depressão em Portugal é a segunda mais alta na Europa (atrás da Irlanda do Norte). Esse é que é o problema. Temos uma prevalência de depressão e ansiedade altíssima. Só isso justifica que de facto tenhamos de ter mais cuidados. Se tivéssemos uma taxa de depressão e ansiedade média no contexto europeu... mas não temos, estamos no topo. 

Agora, santa paciência, não se pode dizer que isto é importante, saber qual é a forma de lidar e ao mesmo tempo não se fazer nada. Tenho muito respeito pela situação macroeconómica portuguesa, mas se não temos lá os técnicos, não podemos dar terapêuticas não farmacológicas às pessoas

Uma pessoa que vá ao centro de saúde com alguma sintomatologia de ansiedade ou depressão é vista por um médico de família. O médico de família acaba por receitar um fármaco que poderia ser evitado com acompanhamento psicológico?

É isso mesmo. O grande desafio da reforma são os recursos humanos. O médico de família tem uma pessoa com sintomas, a queixar-se. Das duas uma: ou não prescreve nada ou passa uma receita porque, na maioria das situações, não tem outros técnicos para quem possa referenciar. Enquanto esses técnicos - psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais - não estiverem lá, não vamos fazer nada.

pandemia vem, indubitavelmente, reforçar essa necessidade?

Eu acho que sim. Se bem que, para mim, isto já era um dos pilares da reforma da saúde mental muito antes da pandemia. Tenho falado deste assunto desde que entrei para o lugar (2018). Agora, santa paciência, não se pode dizer que isto é importante, saber qual é a forma de lidar e ao mesmo tempo não se fazer nada. Tenho muito respeito pela situação macroeconómica portuguesa, mas se não temos lá os técnicos, não podemos dar terapêuticas não farmacológicas às pessoas. A evidência científica mostra que esta é a maneira mais eficaz de tratar os doentes.

O problema é que há um discurso parlamentar de que isto é tudo muito importante, mas no momento em lá chegam as medidas, chumbam-nas. Esse é o nosso grande desafioSe é assim tão evidente, se cada vez mais se fala disso e as entidades mundiais de saúde, como a Organização Mundial da Saúde, alertam para isso, o que falta?

Não lhe sei dizer. O que lhe quero dizer é que, do Ministério da Saúde tenho todo, mas todo o apoio. Por outro lado, quando muitas das questões e solicitações relativas à saúde mental chegam à Assembleia da República são chumbadas. 

O problema é que há um discurso parlamentar de que isto é tudo muito importante, mas no momento em que lá chegam as medidas, chumbam-nas. Esse é o nosso grande desafio. É uma questão de prioridades e de conseguirmos que a nossa maneira de ver [o tema] mude. É uma luta. Os fundos que existem são finitos e as necessidades são muito maiores, de maneira que percebo que a posição dos governos é difícil. Agora, se me pergunta 'mas não tem apoio do Governo'? Tenho, todo.

O que se passa é que no Parlamento chumba tudo, exceto a criação da rede das equipas comunitárias. Isto para 2019. Para o Orçamento do Estado para 2020 já passaram mais medidas. O grande problema para 2020 foi a Covid-19. Quando chegamos ao fim de 2019 tínhamos as circunstâncias ótimas para este ano. Foi azar, mas não vamos agora baixar os braços por causa disso. Isto é um período que vai passar.

Porque é que Portugal apresenta essas taxas tão altas?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Porque é que Portugal apresenta taxas tão mais altas do que países como a Itália, Espanha, Grécia? Bem, se calhar tem a ver com questões que são da natureza do próprio país, ou questões temperamentais.

Temos uma desigualdade social gigantesca cá e por isso paga-se um preço enorme. Estamos a pagá-lo  E as condições de natureza económica e social?

Portugal tem dois milhões de pessoas em risco de pobreza e muitos mais milhões a ganhar o ordenado mínimo. Pergunto se isso é um fator positivo para uma boa saúde mental? Certamente que não. Não é uma questão só de pobreza, se compararmos com países muito mais pobres, como África, encontramos taxas de depressão e ansiedade muito menores do que em Portugal.

Se não é apenas a questão da pobreza, é o quê?

Hoje em dia temos evidência clara. É a questão da desigualdade social. Portugal é dos países da Europa com mais desigualdade social e aquilo que sabemos é que nos países com maior desigualdade social as perturbações psiquiátricas florescem. Temos uma desigualdade social gigantesca cá e por isso paga-se um preço enorme. Estamos a pagá-lo. 

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