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"O meu amor pelo Chaves começou pela minha avó. Ela pertencia às claques"

Francisco José Carvalho, presidente da SAD do Chaves, falou em exclusivo ao Desporto ao Minuto. O dirigente flaviense fez um balanço da atual temporada, perspetivou a próxima, comentou o estado do futebol português e revelou ainda como começou o seu amor pelo clube.

"O meu amor pelo Chaves começou pela minha avó. Ela pertencia às claques"
Notícias ao Minuto

04/05/18 por Ruben Valente

Desporto Francisco Carvalho

Transmontano de gema, Francisco José Carvalho, presidente da SAD do Chaves, entrou para o clube em 2011, ano em que o seu pai, Francisco Carvalho, conhecido na cidade como o ‘Chico das cassetes’, decidiu assumir a presidência do emblema flaviense para o salvar da extinção.

Sem querer protagonismos, Francisco, o filho, desde criança acompanha o clube e isso foi algo que o levou a querer devolver o Desportivo de  Chaves de volta ao topo, à imagem do 'grande' clube dos anos 80. Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o presidente da SAD do emblema transmontano revelou que ele e a sua família já ajudavam o clube antes de assumirem a sua condução em 2011. 

Além disto, Francisco José Carvalho abordou vários assuntos, como o sonho da Liga Europa que se esfumou na semana passada, o estado do futebol português e adiantou ainda os objetivos para a época que se avizinha e que já está a ser minuciosamente preparada.

Que balanço faz da atual temporada?

Os objetivos centravam-se em superar a época desportiva anterior. Ultrapassar os 38 pontos e já o conseguimos. A nossa meta principal era fazer um bom campeonato e andar ali no meio da tabela, sem estarmos aflitos com o facto de podermos vir ou não descer. Esse objetivo foi conseguido, mesmo depois da grande reestruturação que fizemos. Saíram quatro ou cinco jogadores fundamentais, conseguimos reforçar a equipa e fazer um bom plantel. Tivemos um início desastroso. Nas primeiras 10 jornadas jogámos com os cinco primeiros classificados e ao fim das cinco primeiras tínhamos 1 ponto. Mas acreditámos no trabalho do treinador, da equipa e de toda a estrutura. Nós sabíamos que íamos passar essa má fase.

Depois desse objetivo cumprido [os 38 pontos], a equipa começou a sonhar com a Europa?

Sim, nesta última jornada sabíamos que era possível chegar lá. Uma vitória ou um empate com o Rio Ave podia fazer com que chegássemos à Europa. O nosso calendário era teoricamente mais fácil em relação ao Marítimo e ao Rio Ave. A equipa fez um bom jogo, mas os vários erros do árbitro e do VAR não nos deixaram fazer um melhor resultado. Foi tudo por água abaixo… Mas vamos continuar a trabalhar e fazer o máximo de pontos até ao final.

O sonho de ver um Chaves europeu caiu. Que sentimento é que fica?

O plantel ficou triste, os adeptos também… estamos todos, mas temos de estar preparados para estas situações. Há três anos estávamos perto da subida e, no último minuto, acabámos por não subir. Ainda foi maior a desilusão. Quando não depende de nós, não podemos fazer nada. Por isso, não posso exigir mais aos jogadores e à equipa técnica. Foram muitos erros… O árbitro ajuizou sempre para o lado do Rio Ave.

Qual a sua opinião sobre o videoárbitro?

O VAR tem ajudado o futebol, mas há que melhorar algumas situações. Tudo depende também do árbitro que está no VAR. Acho que eles deviam ser mais ativos. Eles têm as imagens e podem avisar o árbitro para ver os lances. Nuns lances melhora, noutros… nem tanto. Tem que ser trabalhado.

E para a próxima época, o Chaves vai assumir-se como candidato à Europa?

O Chaves ainda vai para o terceiro ano na I Liga. Em termos de orçamento, não podemos estar a assumir a Liga Europa porque o nosso orçamento é muito pequeno. Se fôssemos assumir a Liga Europa tínhamos de fazer crescer o nosso orçamento em 20% ou 30%. No campeonato português vê-se que qualquer equipa pode ir à Liga Europa. O nosso objetivo vai ser andar entre os 10 primeiros lugares. Depois disso, se for possível, vamos lutar pela Liga Europa. Mas não vamos ser candidatos. Um passo de cada vez.

Falou no orçamento do clube ser reduzido. Mas o facto de o Chaves ter estado na I Liga durante as últimas duas temporadas não ajudou a melhorar as contas?

O ano passado conseguimos acabar a época desportiva com lucros na SAD. Este ano, com esse dinheiro, conseguimos melhorar o plantel. Esta temporada ainda não vendemos ninguém, mas o nosso projeto é vender jogadores. Porque as receitas da televisão, dos sócios, da bilheteira e dos patrocinadores são insuficientes para pagar as despesas da SAD e do clube. Vão ficar no mínimo 17 jogadores. Alguns não vão renovar. Mas, para já, temos equipa feita. Apostámos um bocadinho mais em contratos de dois, três anos para existir alguma estabilidade. Quanto a saídas, podem sair alguns jogadores e há interesse em vários.

Tivemos de falar. O jogo com o Rio Ave foi um descalabro total. Nunca nos tinha acontecido uma situação destasRecuando um pouco até às críticas que foram feitas à arbitragem, essa não é uma postura que costumamos ver no Chaves. Acha que a Liga melhoraria se os clubes tivessem uma postura semelhante, sem existirem muitas críticas?

Acho que nos clubes pequenos isso não acontece muito. Nos jogos de Benfica, FC Porto e Sporting é que todas as semanas existem casos, umas vezes com razão, outras nem tanto. Mas os erros vão acontecer sempre na arbitragem, os árbitros não são máquinas. Agora, quando como aconteceu são muitas situações no mesmo jogo, tivemos de falar. Para também defender a nossa massa associativa e a nossa maneira de estar no futebol. Naquele jogo [frente ao Rio Ave] foi um descalabro total. Nunca nos tinha acontecido uma situação destas.

Já elogiou o trabalho de Luís Castro e o próprio treinador já assumiu que vai continuar. É com ele que se vêem nos próximos anos?

O Luís Castro tem mais um ano de contrato. Claro que era um treinador que eu gostava de ter mais três, quatro ou cinco anos. Ele tem-nos ajudado a melhorar e a fazer crescer o Chaves. É um treinador que está preparado para clubes de grande dimensão. Não sabemos o que vai acontecer no mercado.

Apesar de ter subido recentemente à I Liga, o Chaves tem em média cerca de 3200 espetadores por jogo e está à frente de vários emblemas que já cá andam há alguns anos…

Não podemos pedir mais, é uma cidade pequena, com poucos habitantes… O nosso trabalho é trazer a região para o Chaves. Falo de zonas como Bragança, Vila Real ou Mirandela. Queremos um clube como nos anos 80, em que o Chaves era muito grande. Já temos mais de 5 mil sócios e o clube está a crescer.

Enquanto não houver a centralização dos direitos televisivos, o campeonato vai ser sempre desequilibradoJá referiu que o dinheiro que chega das bilheteiras, quotas de sócios e patrocinadores não chega para as despesas. Qual seria a solução para que a saúde financeira dos ditos clubes ‘pequenos’ pudesse melhorar?

Enquanto não houver a centralização dos direitos televisivos, o campeonato vai ser sempre desequilibrado. Quando a Liga conseguir alterar isso e os clubes estiverem todos de acordo, e dividirem o dinheiro como em Inglaterra – 50% para todos os clubes e os restantes 50% relativos à posição de cada clube -, as coisas serão totalmente diferentes. Aí existirá muito mais equilíbrio e luta entre os clubes. É uma luta diária para conseguir receitas para pagar todas as despesas.

O futebol português tem estado marcado por várias polémicas [vouchers, emails, caso e-toupeira, jogos combinados]. Qual a sua opinião sobre tudo isto?

Acho que estas situações são desnecessárias. Os clubes estão em guerra aberta e isso não ajuda nada o futebol português. Acaba por descredibilizar o futebol, que neste momento está com uma imagem muito negativa. As pessoas deixam de acreditar e de apostar no futebol. São situações graves que deveriam acabar. Existem queixas atrás de queixas. O Benfica ao FC Porto, o FC Porto ao Benfica… isto não leva a lado nenhum.

Voltando a falar do Chaves. O Francisco é presidente da SAD, o seu pai é presidente honorário, o seu irmão presidente do clube… Como é que é gerir um clube com pessoas tão próximas entre si?

Isto é um clube familiar e funciona como uma empresa. Cada um tem a sua missão. O meu pai está lá em cima [em Chaves] e lida todos os dias com os jogadores, equipa técnica. Eu, aqui em Lisboa, vou ajudando com as contratações e na parte financeira. O meu irmão ajuda na formação e faz a coordenação das equipas de formação e de outras modalidades. Nós já trabalhamos juntos noutras empresas e já chegámos aqui rotinados. As decisões importantes falamos sempre entre nós. Falamos todos os dias e é fácil gerir. Fica tudo em família.

Juntávamo-nos em dois ou três carros, carrinhas de nove lugares e iamos assistir aos jogosE o Francisco, como ganhou este amor pelo Chaves. Foi algo passado pelo seu pai?

Não, isto vem da minha avó paterna. Ela, nos anos 80, pertencia às claques do Chaves e ia aos jogos todos. Lembro-me de ir com ela ao futebol, com 6 ou 7 anos, com o Chaves ainda na II divisão. Era uma rotina todos os fins-de-semana, a família a ir toda ao futebol. Juntávamo-nos em dois ou três carros, carrinhas de nove lugares e iamos assistir aos jogos. Tudo impulsionado pela minha avó. Entretanto, tínhamos esta paixão pelo futebol, tínhamos várias empresas e sempre apoiámos o Chaves. Éramos patrocinadores, todos os anos dávamos o nosso contributo. Aliás, era normal nos anos 80, as empresas da cidade darem muito ao clube. Neste momento, Chaves está com algumas dificuldades devido à litoralização. Depois, em 2011, o clube ia acabar e o meu pai tinha uma paixão tão grande pelo Chaves que assumimos o clube. Às vezes, ainda antes, nós é que pagávamos os ordenados e trazíamos jogadores para reforçar o plantel. Fizemos tudo para que o Chaves não acabasse. Agora, o clube está praticamente sem dívidas.

Por fim, desmistifique-nos a grande dúvida que há em Chaves: O seu pai ganhou ou não o Euromilhões e investiu no clube?

Não. O nosso Euromilhões são as nossas empresas. Esse boato começou quando assumimos o Chaves, mas todos os anos já gastávamos 200 ou 300 mil euros no clube e ainda não estávamos à frente dele. Tínhamos lucros brutais nas nossas empresas, foi apenas uma coincidência. As pessoas acharam que o Sr. Francisco [pai] ficou com o clube e que lhe saiu o Euromilhões.

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