O Observatório Europeu dos Meios de Comunicação Digitais (EDMO) identificou as principais campanhas políticas em que os partidos recorreram a ferramentas de IA, referindo que, através do "conteúdo gerado por IA, a extrema-direita poderosa é capaz de transmitir uma mensagem eficaz e emocionalmente poderosa".
"A tendência de usar IA em recursos visuais de comunicação política está a expandir-se na Europa" em países como Polónia, França ou Alemanha, lê-se no estudo.
No caso francês, o político do partido Reconquista Éric Zemmour publicou um vídeo com imagens geradas por IA sobre as supostas consequências da presidência de Emmanuel Macron, como a "imigração em massa" ou a falta de segurança nas ruas, sendo esta uma estratégia utilizada por outros políticos de outros países.
No caso das eleições alemãs no início deste ano, "a AfD [Alternativa para a Alemanha] usou persistentemente imagens geradas por IA para transmitir a mensagem de que a Alemanha está em perigo por causa dos migrantes".
Além disso, a investigação refere ainda que, "durante as eleições parlamentares e legislativas europeias de 2024, muitos outros partidos franceses de extrema-direita contaram com a IA para sua campanha política (...) para amplificar mensagens anti-UE [União Europeia] e anti-imigrantes".
O EDMO revela que o problema não se limita a atores institucionais e políticos, pois em países como Espanha, França e Irlanda, as organizações de verificação de factos identificaram vários exemplos de influenciadores de extrema-direita (IA ou anónimos) que difundem desinformação ou conteúdo visual para fins de propaganda.
Um dos principais aspetos destacados pela organização é que a maioria das imagens geradas com recurso a estas ferramentas não são claramente sinalizadas como tal, podendo estar em cima da mesa a manipulação da opinião pública.
Estes fenómenos podem ter como objetivo a manipulação da opinião pública, quando a audiência tende a não se importar se um determinado conteúdo é real ou gerado por IA, desde que esteja alinhado com as suas crenças, colocando as democracias em risco, alerta o EDMO.
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