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Lasers mais potentes que se conhecem servem para tudo menos para destruir

Nas mãos de um argumentista "série B", disparar os lasers mais potentes que se conhecem contra detritos radioativos seria receita para desastre, mas na verdade é das aplicações mais avançadas de uma tecnologia explicada em Lisboa pelo físico Gérard Mourou.

Lasers mais potentes que se conhecem servem para tudo menos para destruir
Notícias ao Minuto

18:53 - 23/04/19 por Lusa

Tech Gérard Mourou

O laureado com o Nobel da Física em 2018 falou hoje no Pavilhão do Conhecimento para uma plateia composta maioritariamente por estudantes do ensino secundário, apontando as possibilidades na medicina, combate à poluição radioativa e até à limpeza do lixo deixado por décadas de máquinas e satélites colocadas na órbita terrestre.

Mourou aperfeiçoou nos anos 80, com a canadiana Donna Strickland - também premiada com o Nobel da Física em 2018, a técnica CPA, que permite concentrar um raio laser até ao ponto de exercer uma pressão tão forte numa área tão pequena que seria equivalente a equilibrar "10 milhões de torres Eiffel na ponta de um dedo".

Antecipando perguntas da audiência sobre o potencial militar de lasers amplificados, o francês indicou a abrir a conferência que esta tecnologia "não seria útil para destruir coisas", justamente porque é tão precisa e a energia é produzida "num período de tempo tão extremamente curto" que não dá tempo de aquecer o material e destruir o que está à volta do ponto de impacto.

É por isso que a tecnologia veio revolucionar as cirurgias oftalmológicas, "que permitiram a 24 milhões de pessoas recuperarem a visão".

Gérard Mourou lembrou que foi em 1960 que o físico americano Ted Maiman conseguiu pela primeira vez emitir "luz coerente" e que sessenta anos depois, os lasers atuais são um milhão de vezes mais poderosos.

O processo envolve a emissão de uma onda ultracurta que é, através do uso de difratores, alargada para reduzir a intensidade máxima da onda. Isso permite que a onda seja filtrada por um amplificador e depois comprimida, o que aumenta muito a sua intensidade.

"É capaz de cortar material sem o danificar por ser um período tão curto", tornando o laser tão eficaz e preciso que tem aplicação na medicina, seja para apontar a um tumor sem danificar o tecido saudável ou aplicar radioterapia sobre um cancro ao nível molecular.

Outra das aplicações da tecnologia, a que Mourou elege como a mais importante, será o combate ao lixo radioativo que resulta da produção de energia. Atingir os núcleos radioativos com lasers faz com que se desagreguem (processo de fissão), reduzindo drasticamente a sua longevidade de milhões de anos.

Referindo-se às "28 mil toneladas" de lixo e sucata que giram na órbita terrestre devido à exploração espacial e lançamento de satélites, afirmou que lasers amplificados poderão ser apontados aos pedaços mais pequenos - por exemplo, do tamanho de um parafuso", fazendo-os desacelerar e possibilitando que caiam na atmosfera e se desintegrem inofensivamente.

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