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Brasil celebra parceria com China e ambiciona projeto com Portugal

O Brasil e China celebram este ano três décadas de cooperação bilateral na área de satélites e o diretor da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho, afirmou ter também em vista projetos futuros com Portugal.

Brasil celebra parceria com China e ambiciona projeto com Portugal
Notícias ao Minuto

08:20 - 14/10/18 por Lusa

Tech Espaço

"O nosso relacionamento com Portugal, na área espacial, sempre foi muito pretendido. Portugal, há cerca de três anos, começou a pensar seriamente em desenvolver um programa espacial, envolvendo a Europa, mas procurou-nos (ao Brasil) também. Nós achamos esse projeto muito bom, uma oportunidade de retribuir o facto dos portugueses terem descoberto o nosso país", afirmou José Raimundo Coelho, em entrevista à agência Lusa.

O diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB) adiantou que essa oportunidade de parceria com Portugal já deu os primeiros passos, com a criação de um centro de desenvolvimento na área espacial nos Açores. José Raimundo Coelho disse ainda que, no momento, Portugal encontra-se a "atender uma chamada pública" que a a Agência Espacial Europeia lançou, e espera que o Brasil possa ajudar nesse projeto.

"Essa seria uma forma de começarmos um projeto espacial com Portugal. Se não acontecer dessa maneira, o Brasil vai batalhar para que aconteça de outra forma", afirmou o diretor da AEB, que confienciou à Lusa ter descendência portuguesa.

No entanto, se as relações entre o Brasil e Portugal, na área espacial, ainda estão a começar, com a China a ligação já está bem consolidada, celebrando 30 anos de colaboração.

A parceria, conhecida como Programa Cbers (sigla em inglês para Programa Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), permitiu a produção de cinco satélites sino-brasileiros [pertencentes à China e ao Brasil] de recursos terrestres.

O sexto equipamento de sensoriamento remoto, o Cbers-4A, tem o seu lançamento previsto para o próximo ano, na cidade de Taiyuan, no país asiático.

Coordenado pela Agência Espacial Brasileira e pela Administração Nacional Espacial da China, o programa permitiu o desenvolvimento de um sistema completo de sensoriamento remoto (espacial e terrestre) para fornecimento de imagens gratuitas a ambos os países e a mais de 20 nações da América do Sul, do sul da África e do sudeste asiático.

Para José Raimundo Coelho, esta parceria duradoura não podia ter melhores frutos: "Os resultados são excecionais. Os brasileiros e os chineses já conversavam sobre a possibilidade de colaboração desde o ano de 1984, só que num outro segmento da área espacial", disse.

No ínicio, "os chineses já estavam um pouco avançados em relação ao Brasil, mas não muito, e isso foi ótimo, porque se estivessem muito avançados, essa união de esforços e competências não daria os resultados que acabou por dar", afirmou o diretor da AEB.

Ao longos das últimas três décadas, foram lançados com sucesso o Cbers-1 (1999), Cbers-2 (2003) e Cbers-2B (2007). O Cbers-3 teve uma falha ocorrida no lançamento em dezembro de 2013. O Cbers-4 foi lançado em dezembro de 2014 e continua em operação.

O sexto satélite está em fase de testes e é desenvolvido em conjunto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial.

Um dos pontos mais importantes do programa Cbers é a distribuição das imagens geradas pelos satélites, cobrindo as áreas ambientais e agrícolas. A distribuição das imagens é gratuita e, atualmente, mais de 20 mil instituições brasileiras já receberam o material.

O Cbers-4A irá garantir a continuidade do fornecimento de imagens para monitorizar o meio ambiente através da verificação de desmatamentos e de desastres naturais, da expansão da agricultura e das cidades. O custo deste equipamento é de cerca de 120 milhões de reais (cerca de 27 milhões de euros) para cada país.

No entanto, o diretor da AEB garante que o uso destas imagens é transversal a qualquer área.

"Todas as pessoas do mundo podem precisar de usar (estas imagens). Por exemplo, se precisar de melhorar alguma infraestrutura, o governo (brasileiro) exige que se apresente imagens de satélite. Para se fazer uma escritura de um terreno, eles pedem imagens de satélite", garantiu José Raimundo Coelho, assegurando que a distribuição dessas imagens é totalmente gratuita.

Estando o Brasil a atravessar um atípico período eleitoral, o diretor da Agência Espacial Brasileira assumiu que espera que o novo Presidente da República brasileiro apoie o desenvolvimento espacial no país.

"Essa é uma esperança constante nossa, de que todos os governos apoiem e reconheçam a importância que essa área tem para o país. Isso não quer dizer que esse apoio já tenha ocorrido no nível que devia. Nós temos muitas queixas a esse nível", explicou.

"Tentamos usar exemplos de países que dão a devida importância à área espacial para sensibilizar o nosso governo. Às vezes conseguimos, outras vezes não", lamentou.

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