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Socialistas Europeus querem nova solução para a Grécia

Os Socialistas Europeus defendem "uma nova solução para a Grécia", que seja negociada entre o novo Governo de Tsipras e as instituições europeias, sem mais supervisão da 'troika', disse hoje em Estrasburgo a eurodeputada Maria João Rodrigues.

Socialistas Europeus querem nova solução para a Grécia

A deputada do PS, que é vice-presidente dos Socialistas Europeus (S&D), foi a autora de um documento sobre a situação da Grécia hoje aprovado, em Estrasburgo, por este grupo político (o segundo maior da assembleia europeia, apenas atrás do Partido Popular Europeu), em vésperas de um Eurogrupo extraordinário e de um Conselho Europeu no qual serão discutidas as pretensões de Atenas.

"O grupo acaba de aprovar uma posição sobre a situação na Grécia que diz que a partir de agora o povo grego precisa de outra solução, e que essa solução deve ser negociada diretamente com as instituições europeias, ou seja, Comissão Europeia, Conselho e com o seguimento também da parte do Parlamento. Nós precisamos de um verdadeiro programa conjunto entre instituições europeias e Grécia", frisou a eurodeputada, em declarações à Lusa.

Apontando que o S&D "não concorda com o método seguido até agora, que é o de utilizar uma equipa chamada 'troika' que, de facto, não é responsabilizável politicamente" e "não tem a necessária legitimidade democrática", Maria João Rodrigues defendeu que esse "programa conjunto tem que abrir uma verdadeira solução para a Grécia", que não apareceu ao cabo de vários anos de 'troika'.

Segundo os socialistas, há que "abrir para a Grécia uma real possibilidade de reduzir o peso da dívida", seja através de melhorias em matéria de taxas de juro e maturidades, seja através de outras formas de pagar a dívida, como por exemplo indexando-a ao crescimento do PIB.

Este grupo defendeu ainda que é preciso dar mais tempo a Atenas para equilibrar o seu orçamento e negociar um programa que incorpore algumas reformas, "mas com prioridades diferentes daquelas praticadas até agora" e que deve assentar numa "grande prioridade para o investimento e criação de emprego".

"Eu devo dizer que, nesta ronda de capitais que foi feita pelo novo Governo grego, se percebeu que há sensibilidades diferentes, e posso dizer que os governos que pertencem à família socialista têm uma posição de maior abertura", disse, apontando que, neste momento, existe, de facto, "uma dificuldade particular o com governo alemão, designadamente com o ministro das Finanças (Schauble) e com a chanceler (Merkel).

"Mas a nossa família, com o peso que tem aqui no parlamento e no conselho europeu vai trabalhar para um compromisso que abra outra perspetiva para a Grécia", disse.

Questionada sobre as implicações que uma renegociação dos termos da ajuda à Grécia pode ter para Portugal, a eurodeputada do PS apontou que a situação é diferente, pois Portugal já não está sob programa, mas admitiu que "a lógica subjacente a outra solução na Grécia pode abrir perspetivas interessantes para Portugal", com a devida adaptação.

Deste modo, Maria João Rodrigues discorda da posição que o Governo PSD/CDS-PP tem adotado, considerando-a "um erro de avaliação política", já que, na sua opinião, "a Grécia tem algumas particularidades", mas também é vítima, como Portugal, "de uma questão mais geral, que é um funcionamento da União Económica e Monetária que tende a penalizar os países menos competitivos e a agravar as divergências económicas e sociais".

"Portanto, é do nosso interesse corrigir isso (...) e é do nosso interesse participar no debate mais geral, que aliás vai ser apresentado neste Conselho Europeu desta semana, que é como reformar a UEM por forma a que se torne um espaço de convergência, e não de divergência. Portugal tem que estar ativo nessa discussão", declarou.

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