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Não passa de um 'powerpoint'? O plano para a Saúde aos olhos dos partidos

Governo apresentou um plano de emergência para a saúde assente em cinco eixos. Da Esquerda à Direita, as medidas mereceram críticas. Se há quem esperasse mais, há também quem diga que o plano apresentado pelo Executivo vai destruir o SNS.

Não passa de um 'powerpoint'? O plano para a Saúde aos olhos dos partidos
Notícias ao Minuto

08:08 - 30/05/24 por Tomásia Sousa

Política Saúde

O Governo aprovou, esta quarta-feira, um plano de emergência para a saúde, uma das promessas da Aliança Democrática para os primeiros 60 dias de Governo para vigorar até 2025. O plano, assente em cinco eixos, visa "dar uma resposta imediata aos problemas" no setor, conforme explicou o primeiro-ministro.

Contudo, o plano não foi bem acolhido pela oposição. Da Esquerda à Direita, há críticas de transformação do Serviço Nacional de Saúde num negócio privado, de "soluções esgotadas" e de "propaganda vazia"

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, reduziu a iniciativa do Governo à apresentação de um 'powerpoint' que não acrescenta nada de novo: "é uma profunda desilusão".

"Nem eu nem nenhum português ouviu nenhum plano. Aquilo que foi apresentado foi um powerpoint com um conjunto de medidas que descrevem aquele que já é o trabalho diário do SNS. Não há nenhuma visão para o SNS, nenhuma reforma, mas temos que esperar para vermos o plano", defendeu.

Também a líder parlamentar do PS, Alexandra Leitão, afirmou que o programa de emergência para a Saúde, aprovada esta quarta-feira em Conselho de Ministros, é um "avanço na privatização do Serviço Nacional da Saúde (SNS)".

"Temos um conjunto de objetivos e de intenções pouco densificados ou nada concretizados. E naquilo que está um pouco mais concretizado também se verifica e vem-se confirmar o que temíamos: o que temos é um avanço na privatização do Serviço Nacional de Saúde", disse, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.

Na ótica do PCP, o Governo PSD/CDS-PP quer degradar o SNS e desviar recursos para os grupos privados com um Plano de Emergência que não reforça a capacidade de resposta dos serviços públicos nem valoriza carreiras.

"As medidas que foram anunciadas ainda há pouco pelo Governo vão ao encontro de um objetivo, e o objetivo é continuar degradar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), é continuar numa linha de perda de capacidade de resposta do SNS para desviar recursos financeiros para os grupos privados que intervêm na área da saúde", declarou a líder parlamentar, Paula Santos, aos jornalistas.

Também o cabeça de lista da CDU às europeias criticou o plano, considerando que denota uma "clara opção pela transformação do SNS numa espécie de agência para o negócio privado".

O Bloco de Esquerda (BE) acusou o Governo de apresentar um plano de emergência que vai destruir o SNS e entregá-lo ao setor privado, prejudicando os utentes com "soluções esgotadas".

Em Palmela, distrito de Setúbal, a coordenadora do BE, Mariana Mortágua, defendeu que este "não é verdadeiramente um plano de emergência, é um plano de transformação do SNS que vai acabar com o SNS que conhecemos".

"As capacidades do SNS estão esgotadas. Estando esgotadas, o que é que nos diz o primeiro-ministro? Que vai recorrer ao privado", atirou  Mortágua.

No mesmo sentido, o PAN "esperava mais" em relação ao programa de emergência para a Saúde do Governo e defendeu que não se pode "cuidar da saúde com paliativos".

"O PAN esperava mais. Não podemos cuidar da saúde com paliativos, precisamos de ter efetivamente uma intervenção de maior valorização das carreiras e este plano apresentado por Luís Montenegro continua a não ter a valorização das carreiras dos médicos e também dos enfermeiros para não continuarmos a ter uma postura por parte do Governo, neste caso do Governo de Luís Montenegro, que deixa apenas para os privados as soluções dos problemas de saúde do nosso país", afirmou Sousa Real, em declarações à RTP3, em Viana do Castelo. 

Mais suave nas criticas, o cabeça de lista da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, criticou a falta de ambição do plano, considerando que não vai "suficientemente longe" na redução das listas de espera e atribuição de mais médicos de família.

No final de uma visita a um 'stand' automóvel em Gondomar, no distrito do Porto, e sublinhando que este tema é de política nacional e não europeia, João Cotrim de Figueiredo afirmou, ainda assim, que as medidas apresentadas na saúde pela AD são "apenas medidas de emergência".

O presidente do Chega considerou o plano "propaganda vazia" e desafiou o executivo a "apresentar até ao final do ano uma verdadeira reforma".

Em declarações aos jornalistas durante uma visita aos bombeiros de Mourão, no distrito de Évora, no âmbito da campanha para as eleições europeias, André Ventura considerou que "o plano pode ter sempre coisas positivas, mas é uma desilusão, uma resenha, e é sobretudo um fracasso enorme face àquilo que tinha sido prometido, que era uma grande reforma na saúde".

Por sua vez, PSD e CDS consideram que o plano de emergência do Governo vai aumentar a eficiência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), melhorar a resposta aos utentes e valorizar os profissionais deste sistema, afastando preconceitos ideológicos.

Perante os jornalistas, Miguel Guimarães, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, manifestou a convicção de que o plano apresentado pelo executivo, "que é extenso, vai nos próximos meses melhorar os cuidados de saúde em Portugal, sobretudo em termos de acesso para os mais idosos e em relação à segurança e tranquilidade para as grávidas quando estão para ter os seus bebés".

Já o deputado do CDS-PP João Almeida destacou "a dinâmica com que o atual Governo iniciou funções, já que, em pouco mais de um mês, apresentou soluções para a habitação, jovens, professores e o novo aeroporto de Lisboa, além de ter apresentado propostas para baixar impostos".

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