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Do PSD "vencedor" ao adeus à CDU e ao BE. A noite eleitoral na Madeira

O PSD venceu as eleições regionais na Madeira, mas sem atingir a maioria absoluta. De saída do parlamento regional estão o Bloco de Esquerda e a CDU.

Do PSD "vencedor" ao adeus à CDU e ao BE. A noite eleitoral na Madeira

Pela 14.ª vez consecutiva, o Partido Social-Democrata (PSD) venceu as eleições legislativas regionais na Madeira, marcadas após a queda do governo liderado por Miguel Albuquerque, que foi constituído arguido numa investigação a alegados casos de corrupção na ilha, em janeiro deste ano.

Os sociais-democratas alcançaram 19 lugares no parlamento regional (36,13%, 49.103 votos), ao passo que o Partido Socialista (PS) ficou-se nos 11 lugares (21,32%, 28.981 votos). O Juntos Pelo Povo (JPP) - que o antigo presidente do governo regional Alberto João Jardim considerou ser o "grande vencedor" da noite - conquistou, por sua vez, nove lugares (16,89%, 22.958 votos).

O partido liderado por Élvio Sousa foi, aliás, uma das surpresas da noite, conseguindo, por exemplo, vencer no concelho de Santa Cruz pela primeira vez. Relativamente às últimas eleições regionais, em setembro do ano passado, o JPP viu aumentar a sua presença no parlamento de cinco para nove deputados. O secretário-geral do partido remeteu conversações para a manhã desta segunda-feira.

"Às cinco da manhã, se tiverem oportunidade, ou às seis, podem ligar que eu já estou de pé, eu vou observar os astros esta noite", brincou.

O Chega, por outro lado, manteve os quatro lugares que já tinha conquistado nas últimas eleições (9,23% 12.541 votos), o CDS-PP venceu dois mandatos (3,96%, 5.384 votos) e a IL (2,56%, 3.482 votos) e o PAN (1,86%, 2.531 votos) um mandato cada.

Significaram estes resultados que nem a CDU (1,63%, 2.217 votos), nem o Bloco de Esquerda (BE) (1,41%, 1.912 votos), conseguiram eleger deputados regionais nestas eleições, ao contrário do que tinha acontecido em setembro de 2023.

Uma realidade que, para o secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), "pesará mais negativamente na vida política" da região. Já o candidato principal da CDU na ilha, Edgar Silva, confessou que a saída do parlamento é "muito desfavorável", mas prometeu continuar "o combate".

"Muito desfavorável", CDU promete continuar "o combate"

O coordenador regional da CDU (PCP/PEV) na Madeira, que falhou a eleição de deputados nas eleições regionais antecipadas de domingo, admitiu que estar fora da Assembleia Legislativa é "muito desfavorável", mas prometeu continuar "o combate".

Lusa | 00:13 - 27/05/2024

O tom é semelhante na voz do cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) na região, Roberto Almada, que garantiu que, se é certo que "o BE não estará no parlamento", também é certo que "estará todos os dias nas ruas junto das pessoas".

No rescaldo das eleições, a coordenadora nacional do partido, Mariana Mortágua, admitiu o "mau resultado", lamentando que "é a primeira vez no parlamento regional [da Madeira] que os partidos à esquerda do PS não têm qualquer representação parlamentar".

É hora de dialogar

Rapidamente, uma vez conhecidas as conclusões do sufrágio, os líderes políticos começaram a reagir às mesmas e a abrir as portas a eventuais diálogos com vista a formar governo, já que nenhuma estrutura conseguiu a tão desejada maioria absoluta. Para isso, era necessário conquistar 24 mandatos, uma fasquia que o PSD não alcança desde 2015.

Miguel Albuquerque já disse estar disponível para dialogar com "todos os partidos", considerando "fundamental" que haja um governo "governo com estabilidade, que aprove o Orçamento e o programa de Governo até o mês de julho". Isso sim, o PS, "obviamente", "não é nenhuma solução"

Jorge Carvalho, membro do Conselho Regional do partido, considerou que o PSD foi o "grande vencedor" da noite. Já o líder nacional do partido, Luís Montenegro, afirmou que "os madeirenses escolheram com clareza, e no espaço de oito meses, a mesma força política para liderar o Governo Regional e o mesmo candidato". Acusou, ainda, Chega e PS "falharem de forma copiosa".

O líder regional do PS na Madeira, Paulo Cafôfo, acenou com uma possível "mudança de Governo na Região Autónoma da Madeira", pois "o PS e o JPP juntos elegem mais deputados que o PSD [20, ainda assim sem atingir a maioria absoluta]". 

O próprio secretário-geral socialista, Pedro Nuno Santos - que reconheceu que "o PSD tem o seu pior resultado de sempre" -, deixou essa porta entreaberta: "Nunca é bom estarmos sistemicamente em eleições, mas tem de haver estabilidade. Governa quem consegue ter maioria".

Quem, por outro lado, optou por resguardar-se de comentar os resultados das eleições foi o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que remeteu eventuais comentários ao Representante da República para a Madeira, Ireneu Barreto.

"Vamos esperar para ver os resultados e o que o representante da República diz", disse, em declarações aos jornalistas a seguir à final da Taça de Portugal.

Na Madeira, o Chega não conseguiu superar o resultado alcançado nas eleições de setembro do ano passado, mas não por isso se afastou de eventuais acordos governamentais.

"Estou em crer que será possível chegar a alguma forma de entendimento", realçou o presidente do partido, André Ventura, deixando clara uma condição: "Se for sem Miguel Albuquerque e sem estes protagonistas até será possível chegar a um entendimento mais alargado, a quatro anos. Com estes protagonistas não".

Já o CDS-PP, que em 2019 ajudou o PSD a alcançar a maioria absoluta no parlamento regional, disse que está aberto a dialogar "com todos os partidos" para "viabilizar o próximo governo e o orçamento", mas afastou uma eventual participação no próximo executivo.

A Iniciativa Liberal (IL), pela voz do seu líder nacional, Rui Rocha, garantiu que não está aberta a negociações, nem com sociais-democratas, nem com socialistas, e o Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que foi crucial nas últimas eleições para viabilizar a formação de governo, congratulou-se pela eleição da sua representante na Madeira, Mónica Freitas, prometendo ser uma "voz ativa" na região.

Leia Também: PSD vence (sem maioria), JPP cresce, BE e CDU de saída. E agora, Madeira?

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