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Rio acusa Governo de "evaporar" 590 milhões e Centeno de se "embrulhar"

"O mesmo valor não é igual em quadros diferentes. Nos exames isso dá 0", sustentou.

Rio acusa Governo de "evaporar" 590 milhões e Centeno de se "embrulhar"

Os candidatos à liderança do PSD continuam a fazer campanha, um pouco por todo o país, para as eleições que se realizam no próximo sábado, dia 11 de janeiro.

E Rui Rio esteve esta segunda-feira em Leiria, com os militantes social-democratas, onde aproveitou a presença dos jornalistas para tecer duras criticas ao Governo e acusar o ministro das Finanças de falta de transparência.

"O Governo, no âmbito do relatório do Orçamento do Estado, esquece-se de 590 milhões de euros. Evaporam-se 590 milhões de euros, que o ministro [das Finanças] já tentou esclarecer muitas vezes, sempre de uma forma pouco educada e que, agora, nem é capaz de dar resposta de onde é que estão os 590 milhões de euros. Embrulha-se, tira partido das pessoas não perceberem tecnicamente o que estamos a falar. Mas aquilo que estamos a falar, e os portugueses entenderão o que eu estou a dizer porque todos já fizeram a sua escola, é eu ter um valor num quadro e quando salto para outro quadro troco esse valor. Troco puro e simplesmente esse valor. O mesmo valor não é igual em dois quadros diferentes. Nos exames isso costuma dar zero valores", acusou Rui Rio.

Assim sendo, frisa o atual presidente do PSD, "isso significa falta de transparência" porque, ou o Executivo de António Costa está a guardar esta receita para ter uma margem nas "negociações com o BE e PCP", que "vai cativar esse dinheiro, não os vai gastar e o ministro das Finanças é que vai dizer o que é que se gasta e o que é que não se gasta", ou então "vai gastá-los, o que coincide com os mapas aprovados". E isso, continua Rio, não corresponde ao Orçamento apresentado.

"Então o Orçamento tem um pequeno défice e isto para mim é absolutamente claro e o ministro das Finanças não sabe responder a isso ou não quer. E eu acho que ele não quer, porque saber até sabia, só que era dar-nos razão", sublinhou.

O candidato à liderança aproveitou ainda a intervenção para afirmar que vai continuar a colocar "os interesses do país à frente dos do partido", aconselhando os militantes do partido que pensam de forma diferente a não votar em si.

"A razão pela qual me candidato a este cargo não é o partido. A razão pela qual nesta altura da minha vida ainda estou disponível para continuar em força na vida pública não é o partido, mas, sim, o meu país. Nos próximos dois anos será igual, quem não concorda o melhor é não votar em mim. Se não concorda, vota noutro qualquer", disse Rui Rio, durante o encontro com os militantes de Leiria.

Segundo o presidente do PSD, "o pior que há" seria ganhar as eleições de sábado "com votos que vão ao engano".

"É melhor perder do que ganhar quando as coisas não se perceberam bem. Eu digo as coisas às claras", frisou Rio.

"Nos momentos em que os interesses táticos do partido não coincidem com o interesse nacional, eu opto pelo interesse nacional e não pelo interesse tático do partido. Sei que muitas pessoas dentro do partido não aceitam. É uma transparência que tenho de adotar para que quem não concorda comigo, não votar [em mim] e não votarem mesmo! Para não dar nas dessintonias que deu estes dois anos", acrescentou.

O candidato social-democrata elegeu as autárquicas de 2021 como um dos grandes objetivos.

"O que vem a acontecer é particularmente grave. Em 2013 perdemos diversos presidentes de câmara. Bastantes. Mas em 2017 perdemos mais algumas presidências de câmara e, acima de tudo, perdemos vereadores e juntas de freguesia", recordou.

Para Rui Rio, as próximas eleições autárquicas são "absolutamente decisivas", porque "o que determina em primeira linha a força de um partido na sociedade não é número de deputados, é o número de autarcas".

Outra prioridade de Rio é a abertura do PSD à sociedade, que passa pela "organização administrativa e financeira do partido, para se credibilizar perante a opinião pública", e pela oferta de "novos espaços de militância aos portugueses", nomeadamente o alargamento do Conselho Estratégico Nacional, para reforçar o a ligação aos militantes.

Sem esse envolvimento, "os militantes zangam-se muito quando não há lugares para eles", considerou, referindo: "Temos de mudar a envolvência para que as pessoas que estão na política por isso se sintam desconfortáveis".

Relativamente à oposição ao Governo, o líder social-democrata reafirmou a intenção de manter uma "oposição construtiva e não destrutiva", e prometeu que o PSD reconhecerá se o executivo fizer algo positivo

"Quando fizerem alguma coisa que está bem, nós, obviamente e humildemente, dizemos que está bem. A humildade é um sinal de grandeza. A arrogância é um sinal de estupidez", observou.

Um comportamento que "pode não ser transversal dentro da lógica dos partidos políticos", mas "é isto que os portugueses apreciam e é isto que querem", declarou Rio.

"É assim que se comportam no seu dia a dia ou, pelo menos, gostam que os outros se comportem assim. É este o caminho que entendo que o PSD deve seguir nos próximos dois anos", adiantou.

Além de Rui Rio, são candidatos à liderança do PSD o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz.

As eleições diretas para escolher o próximo presidente social-democrata realizam-se no sábado, com uma eventual segunda volta uma semana depois, e o Congresso entre 07 e 09 de fevereiro, em Viana do Castelo.

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