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Pedro Marques é "o condutor mais frágil que o Governo podia ter"

Nas vésperas das Eleições Europeias, Francisco Louçã analisou a postura de cada partido durante a campanha e a forma como esta pode ter influenciado os resultados de domingo.

Pedro Marques é "o condutor mais frágil que o Governo podia ter"

Francisco Louçã analisou, na noite desta sexta-feira, no seu espaço semanal na SIC Notícias, a postura que cada partido adotou durante a campanha às Europeias e a forma como as opções políticas tomadas nos últimos meses pode influenciar os resultados destas eleições, para as quais Portugal elege 21 eurodeputados.

Antes de começar a análise, o fundador do Bloco de Esquerda (BE) fez questão de relembrar duas coisas. A primeira é que, apesar de não ter nenhum cargo político há anos, tem uma "família política". A segunda é que "um dos grandes problemas" das eleições para o Parlamento Europeu é o nível de abstenção elevado. Perante isso, de acordo com Louçã, além de demonstrar o "alheamento de uma parte importante da população", as sondagens podem mais facilmente, falhar.

Esclarecidas estas questões, o ex-líder dos bloquistas, focou-se na abordagem de cada partido às eleições europeias.

 Partido Socialista (PS)

"A campanha do PS começou particularmente mal. A escolha da lista foi problemática e Pedro Marques, que é um tecnocrata trabalhador, um ministro esforçado e que começou um mandato de importância para o Governo é, no entanto, o condutor da lista mais frágil que o Governo podia ter encontrado. Creio que houve aqui bastante arrogância do Governo. Bastaria um ministro qualquer para tocar a flauta e para levar atrás as massas de eleitores socialistas, viu-se que não era assim. Por melhor que seja a votação, o PS terá menos votos nas Europeias do que as sondagens indicam e do que poderia ter nas legislativas se elas ocorressem agora. Portanto, começou muito mal. Recuperou com aquela encenação de crise política, porque ela polarizou votos ao centro e à direita e isso voltou a descolar o PS do PSD [...]. António Costa tomou conta da campanha, dirigiu a campanha, aceitou pô-la como uma moção de confiança ao Governo, politizou-a no debate nacional com uma estratégia muito radical".

Partido Social Democrata (PSD)

"O PSD fez uma escolha que parecia ser a mais forte. Escolheu um candidato muito diferente de Rui Rio. Paulo Rangel é muito mais afirmativo, serviu para repescar o eleitorado que estava descontente com uma atitude mais prudente de Rui Rio e começou subindo muito rapidamente nas sondagens. A partir da crise dos professores, que atingiu muito a coerência das propostas orçamentais e da visão política do PSD neste contexto, começou a aumentar a diferença entre estes dois partidos. E Paulo Rangel reagiu mal a essa diferença, porque passou a polarizar muito do ponto de vista pessoal e do ponto de vista de incidentes muito escusados. Porque é que ele tem de comentar se Francisco Assis fala ou não fala num comício?! Tudo isso é escusado, é supérfluo e creio que o enfraqueceu, porque transmitiu uma imagem de algum desespero".

CDS-PP

"O CDS tinha uma oportunidade extraordinária. Sendo Rui Rio um homem menos conflituoso com o PS e, portanto, colocando o PSD com mais contradições internas, o CDS poderia ter a estratégia de afirmar uma Direita mais de contraposição e começou, aliás, assim a campanha. No entanto, houve alguns obstáculos nessa política e uma delas foi a escolha de Nuno Melo. É a primeira vez que Nuno Melo lidera uma campanha [...] e ele criou algum embaraço ao CDS, porque é muito à Direita [...]. Além disso, quando o PSD ficou numa posição mais frágil, o CDS não recuperou, estava também atingido pela credibilidade orçamental na crise do professores e pela sua grande viragem à última da hora. E depois, Nuno Melo reagiu colocando objetivos demasiado perigosos, ultrapassar o Bloco de Esquerda e o PCP, não me parece que isso vá acontecer, e sobretudo, a tornar-se muito radical ideologicamente".

CDU - Coligação Democrática Unitária - PCP-PEV

"A CDU fez uma campanha segura. Creio que tem um candidato bem preparado sobre as questões europeias e interveniente nos debates. Fez uma campanha para polarizar os seus votos e, por isso, esteve muitas vezes nos concelhos onde o PCP é dominante. Também é de antecipar que as sondagens subvalorizem em alguma medida a votação final do PCP, que pode ser melhor do que nas sondagens porque tem uma grande participação eleitoral num momento em que há muita abstenção. Tem uma participação acima da média dos outros partidos e isso aumenta a projeção dessa votação e pode não confirmar aquilo que as sondagens indicam, que é um peso maior de recuo".

 Bloco de Esquerda (BE)

"No caso do Bloco, creio que começou a campanha com um discurso pouco preciso sobre algumas questões europeias importantes e creio que, ao longo do tempo, foi-se afirmando uma capacidade muito comunicativa da candidata. Isso é muito importante numa campanha quando ela tem um significado popular, uma participação forte nos debates, na projeção de uma proposta política e uma atitude segura. É vantajoso que Marisa tenha utilizado essa sua simpatia para se por de fora da confrontação muito corriqueira da campanha eleitoral".

Pessoas–Animais–Natureza (PAN)

"O PAN fez uma campanha muito à margem dos debates europeus e até de alguns debates nacionais, mas que se refere a uma reserva eleitoral que escapa muito às amostras das sondagens em função da proximidade e do amor pelos animais. E isso, cria a possibilidade de haver alguma surpresa. É o partido, dos novos partidos, mais próximo de eleger um eurodeputado".

Recorde-se que as eleições ao Parlamento Europeu realizam-se no próximo domingo, dia 26 de maio

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