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Híbrido da Câmara de Ovar "é mais poluente" do que carro anterior

A coordenação de Ovar do Bloco de Esquerda requereu, esta terça-feira, à Assembleia Municipal esclarecimentos sobre a nova viatura do executivo camarário, criticando o seu elevado preço e que seja um híbrido mais poluente do que o veículo que veio substituir.

Híbrido da Câmara de Ovar "é mais poluente" do que carro anterior

Em causa estão as recentes críticas ao facto de o automóvel afeto ao presidente da Câmara, Salvador Malheiro, ser "uma viatura de luxo" pela qual a autarquia está a pagar cerca de 2.000 euros por mês em regime de 'leasing'.

"É uma viatura de luxo cujo modelo base, novo, tem um custo superior a 130.000 euros, isto é, mais do que o dobro do custo de um veículo equivalente ao que estava anteriormente ao serviço do Presidente da Câmara. Não obstante ser um veículo híbrido, tem emissões de CO2 superiores ao [veículo] que estava anteriormente ao serviço e, por essa e outras razões, deita por terra o argumento da sustentabilidade e transição energética", diz o Bloco de Esquerda (BE) em comunicado.

A coordenação local do partido preferia que o presidente da Câmara optasse por outra viatura "que não retire dignidade ao cargo que ocupa, mas [que seja] menos luxuosa e ostentativa" - mesmo que ainda apostada na transição energética.

"Não questionamos a legalidade da opção do município, mas a legalidade não é o único nem principal critério a considerar. Num concelho a braços com graves situações de emergência social, entre outras carências, esta opção é eticamente condenável e 2.000 por mês permitem suportar, por exemplo, dois contratos de trabalho para assistentes operacionais", defende o BE.

Quanto às denúncias de uso indevido das viaturas e cartões de abastecimento da autarquia ao serviço da estrutura nacional do PSD, cuja vice-presidência cabe ao autarca de Ovar, o BE diz que aguardará pelos esclarecimentos em Assembleia para "averiguar a veracidade das acusações" e então se pronunciar.

Questionado sobre este assunto, o presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, remeteu para a Assembleia Municipal todos os esclarecimentos sobre o assunto.

No domingo, o autarca já tinha afirmado à Lusa que a viatura alugada em regime de 'leasing operacional' a uma marca automóvel com produção no concelho "é em segunda mão e custa 2.000 euros por mês só durante um ano", após o que a autarquia "tem opção de a adquirir ou não".

"Está a um valor igual ou equivalente à maioria dos carros híbridos utilizados pelas autarquias portuguesas", afirmou.

O jornal 'online' Observador noticiou na sexta-feira que o presidente da câmara de Ovar "alugou recentemente um carro de luxo por mais de 2.000 euros mensais" e que "o carro de serviço do município tem sido utilizado pelo autarca nas constantes deslocações a Lisboa para tratar de assuntos da direção do partido".

No domingo, o CDS de Ovar requereu à Assembleia Municipal que fiscalize o último meio ano de utilização das viaturas da Câmara Municipal para verificar em que medida foram utilizadas pelo presidente em deslocações não relacionadas com atividade autárquica.

À Lusa, o presidente da câmara referiu no domingo que, "por uma questão de rentabilização de recursos e economia de meios", sempre que tem que fazer deslocações a Lisboa procura "otimizar a agenda para incluir na mesma viagem o maior número possível de reuniões".

Salvador Malheiro considerou que as questões levantadas a propósito da utilização dos automóveis "são motivadas por mera perseguição política" ou não deixariam de fora "outras figuras do panorama político nacional".

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