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Bloco questiona Governo sobre alegada "praxe pura e dura" na Escola Naval

Pais fazem denúncias anónimas sobre praxes violentas que incluem tortura do sono na Escola Naval.

Bloco questiona Governo sobre alegada "praxe pura e dura" na Escola Naval

O Bloco de Esquerda pediu esta quinta-feira esclarecimentos ao ministro da Defesa, através de uma pergunta que endereçou ao Governo, sobre as alegadas praxes violentas na Escola Naval (EN) que alguns pais denunciaram de forma anónima.

Segundo as denúncias feitas, e que o Diário de Notícias noticiou esta quinta-feira, os alunos do 1.º ano da EN são obrigados a andar com sacos amarrados à cabeça, sujeitos a tortura de sono, obrigados a entrar dentro de tanques com água gelada e deixados nus na parada.

Denúncias que tanto a direção da EN como a Marinha negam. Defendem, aliás, que as praxes não são permitidas naquela instituição. O que justifica então as denúncias?

Segundo o porta-voz da Marinha, há alunos que não se adaptam à exigência daquela escola e, poderão sentir-se, frustrados, acabando por relatar estas situações aos pais que, por sua vez, fazem as denúncias. Algo que, sublinhou o responsável, “não é novidade” este ano.

Na sequência destas denúncias, os deputados bloquistas Luís Monteiro e João Vasconcelos querem saber se o Governo tem conhecimento da situação e se confirma a existência de praxes violentas sobre alunos do 1.º ano da Escola Naval.

E, “tendo em conta as declarações do porta-voz da Escola Naval, que desmentem categoricamente as queixas feitas pelos pais dos alunos, como pretende o Governo agir a fim de obter um cabal esclarecimento das circunstâncias?”, pode ler-se na pergunta do Bloco a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

Por fim, quer o Bloco saber que medidas o Governo tomou e/ou pretende tomar de forma a impedir a ocorrência da prática das praxes violentas na Escola Naval.

O partido sublinha que todos os exemplos mencionados nas denúncias são um "atentado à dignidade" e que estas não são uma exceção à regra -  "todos os anos, sucedem casos idênticos". 

Saliente-se que, ao Notícias ao Minuto, uma fonte, que não se quis identificar, contrariou as declarações dos responsáveis máximos da EN, dando conta de que ali existem praxes, tendo sido dado um nome "pomposo" às mesmas, dada a carga pesada associada ao termo. "O enquadramento é praxe pura e dura", explicou. 

Os alunos do 1º. ano são acordados a meio da noite e vão para tanques de água gelada durante imenso tempo", confirmou. Mais: "Muitas vezes os cadetes são tratados como autênticos animais. Não podem ter opinião própria". E, acrescenta a mesma fonte, "no meio de tudo, ainda têm que tirar boas notas, o que se torna difícil". 

A tortura do sono a que as denúncias fazem referência envolvem precisamente as atividades noturnas e a obrigatoriedade de acordar às 7 horas, hora da alvorada. "Muitas vezes, os alunos passam grande parte da noite acordados (...) e não dá para ficar a dormir mais um bocado", sob pena de serem castigados. Neste esquema de praxe, "enquadramento", quem exerce a praxe são, geralmente, alunos do 4.º ano, os denominados "enquadrantes". 

"E quando a autoridade máxima da Escola Naval diz que não sabe que há praxes está a mentir", uma vez que "os próprios já passaram pelo primeiro ano". 

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