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Alunos a deambular no recreio é cenário em muitas escolas em dia de greve

Alunos a deambular pelos recreios em escolas onde a maioria dos professores aderiu à greve de hoje é o cenário traçado pela associação de diretores escolares.

Alunos a deambular no recreio é cenário em muitas escolas em dia de greve
Notícias ao Minuto

10:20 - 15/11/17 por Lusa

País Professores

A agência Lusa fez uma ronda por várias escolas do distrito de Lisboa e confirmou a realidade relatada por Filinto Lima, diretor do Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), no dia em que são esperados milhares de professores em frente ao parlamento, durante o debate da proposta de Orçamento do Estado na especialidade, que prevê a não contabilização de cerca de nove anos de serviço dos docentes.

Segundo Filinto Lima, os casos mais problemáticos são as escolas de 1.º ciclo, onde "há uma grande razia, o que tem uma repercussão para os pais, uma vez que os alunos não podem ali ficar".

Nas restantes escolas, as famílias deverão estar a ser menos afetadas, uma vez que os portões estão abertos apesar de muitos alunos não terem aulas, como a Lusa constatou em escolas dos bairros lisboetas de Benfica e Olivais, assim como em Linda-a-Velha e Setúbal.

"Na Escolas Básicas de 2.º e 3.º ciclos há muitos miúdos a deambular pelos recreios e cria a sensação de que estão no intervalo, porque a maior parte dos professores está a faltar às aulas", disse à Lusa Filinto Lima, que acredita que a greve de hoje "será a maior dos últimos anos".

O responsável disse ainda conhecer casos de "muitos professores que não vão a Lisboa à concentração, mas estão em greve".

Filinto Lima estima que no agrupamento de escolas Dr. Costa Matos, em Gaia, no Porto, que dirige, a adesão à greve ronde os 90%.

Às 09:30, Filinto Lima tinha a informação de que faltavam dois terços dos professores na escola-sede, frequentada por alunos entre o 5.º e o 9.º ano, não tendo ainda dados sobre o pré-escolar e o primeiro ciclo.

Na Escola Básica Quinta de Marrocos, em Benfica, Lisboa, os portões abriram à hora marcada e os alunos entraram sem saber se iam ter aulas, enquanto um funcionário dizia à Lusa que a greve está a ter "bastante adesão".

Poucos minutos depois muitos alunos voltaram para o recreio e informaram os pais, que ficaram à porta, que não iam ter a primeira aula.

Em declarações à Lusa, Rita Silva, mãe de uma aluna do 5.º ano naquela escola, contou que já tinha ido deixar o outro filho na casa da avó porque a professora do primeiro ciclo da Escola Professor José Salvado, em Benfica, tinha faltado.

"A greve causa muito transtorno", disse Rita Silva, confessando que se não fosse a sogra tinha de faltar ao trabalho.

Telma Pinto também aguardava à porta da Escola Básica Pedro de Santarém, em Benfica, notícias da filha, que frequenta o 5.º ano, para saber se podia ir trabalhar.

"Os professores têm direito à greve, estão a lutar pelos seus direitos, mas deviam avisar os pais que iriam faltar para podermos reorganizar a vida", disse à Lusa Telma Pinto, confessando que nem pode levar a filha para o trabalho porque trabalha num restaurante no Mercado da Ribeira.

Na Escola Secundária José Gomes Ferreira, também em Benfica, dezenas de alunos encontravam-se à porta do estabelecimento de ensino porque não tiveram a primeira aula.

"A escola está a funcionar e muitos alunos estão a ter aulas. Nós vamos aguardar pela próxima hora", disse à Lusa Teresa Santos, aluna do 10.º ano.

O mesmo cenário foi encontrado pela Lusa na Escola Sebastião da Gama, em Setúbal, na Escola Secundária Professor José Augusto Lucas, em Linda-a-Velha, e na Escola EB2,3 Fernando Pessoa, nos Olivais, e na Escola Básica 2,3 Professor Delfim Santos, em Benfica.

Cerca das 08:00 de hoje, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, esteve na Escola Básica Manuel da Maia, em Lisboa, onde os portões ainda estavam fechados e algumas dezenas de alunos aguardavam para saber se iam ter aulas.

Aos jornalistas, Mário Nogueira disse que esperava uma "adesão elevada à greve" naquele estabelecimento de ensino.

Os professores cumprem hoje uma jornada de luta contra a não contagem do tempo de serviço prevista na proposta do Orçamento de Estado para 2018 (OE2018), que será debatida na quarta-feira no parlamento.

A proposta de OE2018 prevê que não seja contabilizado o trabalho realizado entre 31 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007, nem entre janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2018.

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