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Funcionários de Centro Social acusam direção de reter salários

Os trabalhadores envolvidos no processo de despedimento pelo Centro Social e Cultural da Paróquia de Valbom acusam a direção de má gestão e de lhes "ter ficado com o dinheiro" num processo que "começou mal há 30 anos".

Funcionários de Centro Social acusam direção de reter salários
Notícias ao Minuto

17:40 - 16/09/17 por Lusa

País Gondomar

Reunidos em frente às instalações da instituição no concelho de Gondomar, os 11 trabalhadores ameaçados em junho de despedimento pela direção, que invocou um passivo acumulado de 300 mil euros, recusam também o acordo proposto no âmbito do Plano Especial de Revitalização (PER).

Auxiliar de educação da instituição há 30 anos, Rosa Moura explicou à Lusa que os 300 mil euros "são o resultado do acumular de retroativos" que desde o início "nunca foram pagos aos funcionários".

"Nunca houve atualizações salariais", denunciou a funcionária, explicando que por causa da ausência destas, desde 2012 recebe o salário mínimo, acrescentando que o argumento da direção foi sempre que "não tinham dinheiro para dar aumentos".

E continuou: "Isto hoje está assim porque um dia uma colega foi consultar as tabelas, viu que estavam a enganar-nos, confrontou-os e a resposta deles foi, primeiro, avançar para o despedimento coletivo e depois apresentar um PER que é penalizador para nós",

Essa proposta impõe que os "trabalhadores perdoem os retroativos e ainda 60% do valor da indemnização", denunciou Rosa Moura, lembrando que o dinheiro dos contratos com a Segurança Social para as respostas sociais "entra todos os anos" e que a crise resulta da "má gestão".

"O problema já vem do tempo do padre Manuel Paiva - antigo pároco de Valbom e ex-presidente da direção do Centro Social -, confirmou a funcionária, enquanto Ana Gonçalves, cozinheira há 29 anos na instituição, confessou que desde junho "vive numa grande pressão".

Frisando não ter sido ela a criar a situação, acusa a direção do centro de, "durante anos, receber dinheiro da Segurança Social" que depois deveria servir para lhe "pagar o salário" mas que assim não foi.

"Tenho créditos a receber e não apenas os 40% que eles me querem dar", argumento a funcionária.

Em representação do sindicato dos funcionários em funções públicas do Norte, Jorge Araújo disse à Lusa que a aplicação do PER após avançar para um despedimento coletivo "torna este processo estranho".

"Normalmente o PER tem em vista a recuperação da instituição para funcionar em moldes habituais logo, aqui, há uma situação bastante estranha, pois com despedimento coletivo de 11 trabalhadores o rácio que a Segurança Social exige vai ficar aquém", explicou.

Revelando que o maior número dos ameaçados de despedimentos são auxiliares de educação numa unidade onde foi encerrado o ATL, mas cujos números cresceram no jardim-de-infância, os "três ou quatro funcionários que restam são insuficientes para as 76 ou 78 crianças" na instituição.

Dando conta de "vários alertas" feitos para a Segurança Social sobre a instituição, o sindicalista disse "estranhar" que não tenha havido ainda uma intervenção desta.

Segundo Jorge Araújo, nesta Instituição Particular de Solidariedade Social onde trabalham 61 pessoas "a Segurança Social cobre mais de 70% da verba de financiamento no Centro Social", razão para achar que "será inevitável" a intervenção da tutela.

A Lusa tentou contactar o presidente da direção do Social e Cultural da Paróquia de Valbom, padre Marcos Faria, mas não foi possível obter um comentário.

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