Assistência em anestesiologia "é à custa maior carga de trabalho"

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) disse hoje não duvidar de que a assistência no Serviço de Anestesiologia do "São João", Porto, está assegurada, mas considera que é "à custa de uma maior carga de trabalho" dos especialistas.

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País SIM

"Não temos dúvidas de que a assistência aos doentes estará assegurada, mas à custa de uma ainda maior carga de trabalho em relação aos limitados e envelhecidos recursos médicos do próprio hospital. É fundamental que haja maiores contratações", defendeu Jorge Roque da Cunha, em declarações à Lusa.

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Na sequência de uma notícia publicada na edição de hoje do jornal Público, dando conta da falta de anestesistas naquela unidade hospitalar que estará a "obrigar ao adiamento de cirurgias todos os dias", a administração do Centro Hospitalar de São João emitiu um comunicado onde garante que o hospital "mantém a prestação normal de cuidados assistenciais não existindo qualquer situação de alarme imediato".

O Serviço de Anestesiologia do CHSJ "sofre as dinâmicas consequentes à sua dimensão e à situação normal de oferta e procura existentes no mercado da saúde", salienta a instituição.

"Atualmente estão ausentes cinco médicas por doença, uma médica reformou-se, uma médica encontra-se em licença de maternidade e dois médicos solicitaram rescisão do contrato de trabalho", esclarece a administração do hospital, garantindo, contudo, que "estão previstas as contratações suficientes para colmatar as necessidades identificadas".

A instituição afirma ainda que "é falso que os médicos em formação específica de Anestesiologia, vulgo internos, sejam destacados para o exercício de funções que não aquelas que legalmente constam do respetivo programa de formação" e que "não houve qualquer pedido de demissão" da diretora de Serviço de Anestesiologia.

Em declarações à Lusa, Roque da Cunha considerou que "o que aconteceu no Hospital de São João é um pouco o que tem acontecido na generalidade do SNS, com a incapacidade que se tem tido de fixar os seus profissionais".

Para o secretário-geral do SIM, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) "não tem tido a capacidade de captar os seus profissionais, particularmente de especialidades específicas", criticando também com "veemência", além da questão dos 'numerus clausus' os colégios das especialidades da Ordem dos Médicos pela "incapacidade que têm tido de responder aos novos desafios das especialidades".

"Na anestesiologia são poucos, mas são cada vez mais necessários, são necessários para fazer tomografia axial computorizada (TAC) nas crianças, para fazer epidurais às grávidas, colonoscopias, endoscopias", entre outras situações, disse, considerando que quer o Ministério da Saúde quer o Colégio da Especialidade da Ordem dos Médicos deveriam ter previsto as necessidades "à medida que se alargava o seu âmbito".

Segundo Roque da Cunha, no Hospital de São João, a situação agravou-se com a entrada, há cerca de dois meses, da legislação relativa ao descanso compensatório do médicos, que passou a ser obrigatório "após prestação de trabalho durante todo o período compreendido entre as 22h00 de um dia e as 7h00 do dia seguinte".

"Até então tapava-se o sol com a peneira. A partir do momento em que os médicos conhecem esse seu dever, não é um direito, tem-se criado no hospital grandes problemas de organização, graças também ao envelhecimento da sua estrutura etária", frisou.

 

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