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  • 27 SETEMBRO 2022
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Viana do Castelo. PSD denuncia uso de água para consumo humano em fábrica

O PSD denunciou o abastecimento de água tratada a uma multinacional instalada em Viana do Castelo, uma "situação pontual" disse hoje a Águas do Alto Minho, invocando "contaminações salinas na captação de água" da empresa.

Viana do Castelo. PSD denuncia uso de água para consumo humano em fábrica

Em comunicado enviado às redações, a distrital de Viana do Castelo do PSD adiantou ter tido "conhecimento que várias corporações de bombeiros estiveram a retirar água das bocas de incêndio do parque industrial de Lanheses, para abastecer uma grande unidade industrial do concelho de Viana do Castelo". 

A situação foi registada durante o fim de semana e na manhã de segunda-feira. 

"Essa água é tratada e, se assim for, se a AdAM tinha conhecimento da situação e por que razão se utilizou água tratada para consumo humano, num período de seca extrema, para uso industrial", questionou o PSD, acrescentando que "pelo menos cinco autotanques foram vistos a abastecer nas bocas de incêndio, vindos de corporações de Freamunde, Santo Tirso, Paredes de Coura e Caminha". 

A ser verdade, adiantou o PSD, trata-se de "uma situação grave", justificando que o país se encontra "num momento difícil de seca, em que a própria Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho está a tomar providências para fazer face à situação". 

Esta água "poderia ser utilizada, por exemplo, para abastecer freguesias que venham a sofrer de quebras de fornecimento. Não podemos desperdiçar este bem", salienta o PSD. 

"Também, alegadamente, não houve medição de metros cúbicos da água fornecida e, assim sendo, é preciso saber se a empresa a não a obteve gratuitamente. Obviamente que não estamos contra a empresa que tem de suprir as suas necessidades para manter a sua atividade. Achamos é que poderia ter sido utilizada água não tratada para esse abastecimento e não usar água para consumo humano, como o que parece que aconteceu", salientou a distrital do PSD.

Na resposta, por escrito a um pedido de esclarecimento da agência Lusa, a empresa que gere as redes de abastecimento de água em baixa e de saneamento básico de sete dos 10 municípios do distrito de Viana do Castelo explicou ter-lhe sido "solicitado pela empresa DS Smith Paper Viana, S.A. para complementar o fornecimento de água à sua instalação, em face da ocorrência de contaminações salinas na sua captação de água para fins industriais".

"Trata-se de uma situação pontual que se enquadra na missão da Águas do Alto Minho de contribuir para a criação de valor e para o desenvolvimento", sustenta a Águas do Alto Minho.

A "falha de abastecimento" da multinacional britânica que produz papel e embalagens em cartão "deve-se ao menor caudal existente na captação própria e às marés vivas que fazem com que a salinidade no rio se faça sentir até à captação existente".

"A Águas do Alto Minho fornece água a entidades públicas e privadas, entre elas consumidores domésticos e industriais em vários ramos de atividade. A água fornecida está a ser quantificada e será faturada nos termos e nas normais formalidades de cobrança e de acordo com o tarifário da Águas do Alto Minho", refere a empresa.

A AdAM iniciou a atividade operacional em janeiro de 2020 e gere as redes de abastecimento de água em baixa e de saneamento nos municípios de Arcos de Valdevez (PSD), Caminha (PS), Paredes de Coura (PS), Ponte de Lima (CDS-PP), Valença (PS), Viana do Castelo (PS) e Vila Nova de Cerveira (PS).

Três concelhos do distrito - Ponte da Barca (PSD), Monção (PSD) e Melgaço (PS) - reprovaram a constituição daquela parceria.

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