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Guterres condena golpe de Estado no Burkina Faso

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou hoje o golpe de Estado no Burkina Faso e exortou os militares rebeldes a deporem as armas e garantirem a segurança do Presidente do país, Roch Kaboré.

Guterres condena golpe de Estado no Burkina Faso

Segundo o seu porta-voz, Guterres está a acompanhar os acontecimentos com grande preocupação e está particularmente preocupado com o paradeiro de Kaboré e com a deterioração da situação de segurança após o golpe.

"O secretário-geral condena firmemente qualquer tentativa de tomar o governo pela força das armas", disse o porta-voz, Stéphane Dujarric, na conferência de imprensa diária.

Os militares que iniciaram no domingo um golpe de Estado no Burkina Faso confirmaram hoje, numa declaração na televisão estatal, que tomaram o poder e anunciaram a dissolução do Governo e do parlamento.

Na aparição televisiva, surgiram mais de uma dúzia de militares, tendo um porta-voz, o capitão Sidsoré Kader Ouédraogo, lido dois comunicados, dando conta que os militares puseram fim ao poder do Presidente burquinabê, Roch Kaboré, que governava este país da África ocidental desde de 2015.

Na mensagem, o chamado Movimento Patriótico para a Salvaguarda e Restauração (MPSR) anunciou que iria trabalhar para estabelecer um calendário "aceitável para todos" para a realização de novas eleições, sem adiantar mais pormenores.

O porta-voz disse que a decisão de depor Kaboré foi tomada "com o único objetivo de permitir ao país regressar ao caminho certo e reunir todas as suas forças para lutar pela sua integridade territorial (...) e pela sua soberania".

Os comunicados são assinados pelo presidente do MPSR, que parece ser o novo homem forte do país, o tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba.

Os líderes golpistas também anunciaram a suspensão da Constituição, o encerramento das fronteiras aéreas e terrestres a partir das 00:00 (locais e em Lisboa) e o estabelecimento de um recolher obrigatório das 21:00 às 05:00 em todo o país, "até nova ordem".

A declaração surgiu após um dia de grande incerteza e confusão no país, depois de fontes militares terem confirmado esta manhã que Kaboré tinha sido preso num quartel, enquanto fontes da guarda asseguraram mais tarde que "ele está isolado" e protegido pelos militares.

O Burkina Faso viveu uma situação tensa no domingo após tiros disparados de manhã cedo em vários quartéis militares na capital e noutras partes do país (Ouahigouya e Kaya), incidentes descritos como o início de um alegado motim para exigir melhorias nas Forças Armadas.

O Governo burquinabê negou inicialmente ter sido uma tentativa de golpe de Estado e os meios de comunicação locais indicaram que se tratou de um motim para exigir melhorias ao Governo, incluindo mais recursos para combater o terrorismo 'jihadista' (do qual as tropas são geralmente o alvo), e a demissão de altos funcionários militares e dos serviços secretos.

A situação de domingo foi precedida por um dia de manifestações não autorizadas no sábado, convocadas por grupos da sociedade civil para expressar um descontentamento social generalizado sobre a insegurança gerada pela violência rebelde e para exigir a demissão de Kaboré.

As organizações internacionais, nomeadamente a União Europeia, União Africana e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), bem como os EUA, já sublinharam a sua preocupação com os acontecimentos no Burkina Faso e responsabilizaram as forças armadas pela integridade física do Presidente Kaboré.

Entretanto, também o chefe de Estado exortou hoje os militares rebeldes a deporem as armas: "Convido aqueles que pegaram em armas a depô-las, no superior interesse da Nação. É através do diálogo e do ouvir que devemos resolver as nossas contradições", disse o Presidente, numa mensagem na rede social Twitter.

O Presidente Kaboré, reeleito em 2020 com a promessa de lutar contra os terroristas, tem vindo a ser cada vez mais contestado por uma população atormentada pela violência de vários grupos extremistas islâmicos e pela incapacidade das forças armadas do país responderem ao problema da insegurança.

Kaboré lidera o Burkina Faso desde que foi eleito, em 2015, após uma revolta popular que expulsou o então Presidente, Blaise Compaoré, no poder durante quase três décadas.

Ainda que reeleito em novembro de 2020 para mais um mandato de cinco anos, Kaboré não conseguiu combater a frustração que tem vindo a crescer devido à sua incapacidade de conter a propagação da violência terrorista no país.

Os ataques ligados à Al-Qaida e ao grupo extremista Estado Islâmico têm vindo a aumentar sucessivamente desde a chegada ao poder do atual Presidente, reclamando já milhares de vidas e forçando a deslocação de um número estimado pelas Nações Unidas de 1,5 milhões de pessoas.

Também os militares têm vindo a sofrer baixas desde que a violência extremista começou em 2016. Em dezembro último, mais de 50 elementos das forças de segurança foram mortos na região do Sahel e nove soldados foram mortos na região centro-norte em novembro.

Leia Também: Militares do Burkina Faso confirmam tomada de poder

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