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Câmara de Loulé aprova voto de pesar e evoca Otelo como "símbolo"

A Câmara de Loulé aprovou um voto de pesar pela morte de Otelo Saraiva de Carvalho, estratego e comandante das operações militares do 25 de Abril, evocando o militar como um "símbolo" que conduziu Portugal à liberdade.

Câmara de Loulé aprova voto de pesar e evoca Otelo como "símbolo"

"Desapareceu o homem, não desapareceu o símbolo que fica na História. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia", lê-se numa nota divulgada pela autarquia do distrito de Faro, onde o militar participou nas comemorações dos 40 anos do 25 de abril, em 2014.

O documento foi aprovado em reunião de Câmara, na quarta-feira, com os votos a favor dos sete eleitos pelo PS e a abstenção dos dois vereadores do PSD que compõem o executivo, precisou à Lusa fonte da Câmara de Loulé.

"Otelo Saraiva de Carvalho foi o militar que concebeu a estratégia de uma revolução sem sangue, que, passados todos estes anos continua a ser um marco nos derrubes de regimes autoritários que ocorreram no último quartel do século XX, a nível global", prossegue a nota.

Para a Câmara de Loulé, é "impossível dissociar" o atual regime democrático em que todos se podem "expressar pelo voto e pela palavra", sem invocar o nome de Otelo.

"Por isso devemos formular um voto de pesar, e em nome da nossa humanidade, com ele manifestarmos também a nossa generosidade diante dos caminhos que a certa altura da sua vida trilhou", refere a autarquia.

A Câmara de Loulé lembrou que na sessão evocativa dos 40 anos do 25 de Abril na cidade, o militar se dirigiu "sobretudo aos jovens para falar de coragem, determinação e voluntarismo, mas também do muito que ele próprio perdoou".

"Agora é a nossa vez de sermos generosos, e justos, sem mácula", conclui.

Otelo Saraiva de Carvalho, militar e estratego do 25 de Abril de 1974, morreu na madrugada de 25 de julho aos 84 anos, no Hospital Militar, em Lisboa.

Nascido em 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho teve uma carreira militar desde os anos 1960, fez uma comissão durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola, até ao pós-25 de Abril de 1974.

No Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratego do 25 de Abril.

Depois do 25 de Abril, foi comandante do COPCON, o Comando Operacional do Continente, durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.

Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25 de Abril), organização armada responsável por dezenas de atentados e 14 mortos, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado cinco anos depois, uma decisão que levantou muita polémica na altura.

Leia Também: A25A cria livro de condolências digital pela morte de Otelo

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