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Mãe desespera com filho à espera de transplante. "É hora de gritar"

David, de 6 anos de idade, aguarda desde maio a realização de um transplante de medula, com dador compatível identificado, mas a cirurgia já foi adiada até setembro. IPO de Lisboa admite que está sem capacidade para fazer face ao número de transplantes de medula necessários.

Mãe desespera com filho à espera de transplante. "É hora de gritar"

Uma mãe recorreu às redes sociais para criticar os constantes adiamentos do transplante de medula do seu filho de seis anos, que é seguido no IPO de Lisboa. O menino, David, diagnosticado com um Linfoma Linfoblástico das células T, viu a doença reincidir em março deste ano e em maio foi encontrado um dador compatível, mas a cirurgia já foi adiada até setembro e sem garantias de que aconteça nessa altura.

"Hoje, e depois da doença ter reincidido, sinto-me indignada, com muito medo, mas sobretudo sinto-me impotente", admitiu Bruna Villar, numa publicação feita no Instagram, onde detalha o progresso do tratamento do filho.

O presidente do IPO de Lisboa, João Oliveira, disse ao jornal Nascer do Sol que o "entendimento é que o prognóstico não está a ser prejudicado pela espera". Mas em entrevista à revista Sábado, a mãe discorda: "Sei que o meu filho corre riscos, apesar de o IPO dizer que não".

À RTP, a instituição admitiu que está sem capacidade para fazer face ao número de transplantes de medula necessários.

David foi diagnosticado em 2016, quando tinha apenas dois anos, com um Linfoma Linfoblástico das células T. Foi tratado e curado, mas, a 17 de março deste ano, receberam a notícia de que a doença reincidiu.

O menino foi referenciado "de imediato, para a realização de transplante de medula" e foi aceite a 20 de março na Unidade de Transplante, aguardando um dador compatível. "Enquanto isso, o meu filho continuou com os ciclos de quimioterapia, cada um mais agressivo que o outro", afirmou a mãe.

Mas, a 19 de maio, foi encontrado um dador compatível. Acontece que por "questões internas", o transplante só podia ser realizado entre o final do mês de julho e o início de agosto. Uma data que foi entretanto, e novamente, adiada para setembro. "Nunca fui referenciada para nenhuma consulta da especialidade, nem tão pouco recebi qualquer tipo de esclarecimento da Unidade de Transplante", acrescentou Bruna.

A 28 de julho dirigiu-se à Unidade de Transplante para pedir esclarecimentos. "O médico que falou comigo disse que não sabia responder às minhas questões, só conseguia adiantar que a Unidade não dá resposta ao serviço solicitado, pois há falta de profissionais de saúde e existem 57 doentes em lista de espera. Acrescentou, ainda, que não iria dar uma data para a realização do transplante, nem mesmo garantia que seria no mês de setembro".

"É hora de gritar", afirma. "É hora de a pediatria do IPO ter uma Unidade de Transplante como merece e como existe nos outros países. Não quero sair deste hospital sem o meu filho", escreveu Bruna Villar.

Leia Também: IPO de Lisboa sem capacidade para dar resposta a transplantes de medula

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