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Suspensa diretora do agrupamento de Centros de Saúde do Porto Oriental

Em causa a vacinação contra a Covid-19 de jovens de 18 anos. Trata-se de uma "desobediência" do plano, frisou o coordenador da task force. "Eu não posso demitir pessoas, mas pedi à estrutura para tirar consequências rapidamente", contou.

Suspensa diretora do agrupamento de Centros de Saúde do Porto Oriental

A diretora do Agrupamento de Centros de Saúde do Porto Oriental foi suspensa do cargo na sequência da polémica relacionada com a vacinação de jovens de 18 anos, numa fase em que o autoagendamento está disponível apenas para maiores de 35 anos, noticia a SIC Notícias.

Em declarações aos jornalistas, no Porto Santo, o vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador da task force para a vacinação contra a Covid-19, fez saber que foi feita uma participação à Polícia Judiciária e à Inspeção-Geral da Saúde sobre o caso

“Consagra uma desobediência ao plano. Alguém com responsabilidade, resolve, fora do plano, inovar e vacinar pessoas que não estão, neste momento, elegíveis. (…) Eu não posso demitir pessoas, mas pedi à estrutura para tirar consequências rapidamente. Tem que haver disciplina", disse, em declarações aos jornalistas.

Gouveia e Melo pediu também ao responsável máximo da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) "para que imediatamente tomasse providências para isto não voltar a acontecer e para se tirarem todas as consequências. Para todos os efeitos, é um ato de indisciplina". E, segundo a SIC Notícias, a diretora do agrupamento em causa já foi suspensa.  

Num plano "desta complexidade e com esta urgência e, sendo massivo, tem de haver disciplina", acrescentou o coordenador da task force. 

Um número indeterminado de pessoas sem os requisitos exigíveis nesta ocasião terá recebido vacinas na zona do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Porto Oriental, num caso que chegou ao conhecimento da task force na quinta-feira.

Em comunicado remetido à agência Lusa, a estrutura liderada por Gouveia e Melo refere que a situação "indicia a prática de atos contrários nas normas e instruções em vigor", adiantando que a ARS-N "já solicitou a abertura de um processo de inquérito para se apurar o sucedido".

A ARS-N confirmou à Lusa abertura do inquérito, escusando-se a adiantar quaisquer detalhes.

A task force recorda, no comunicado enviado à Lusa, que "atualmente estão a ser vacinados, por agendamento central, por auto agendamento ou por agendamento local, os utentes com idade igual ou superior a 30 anos e, na modalidade casa aberta, utentes com idade igual ou superior de 50 anos".

Acrescenta que "não está prevista a vacinação de utentes abaixo das faixas etárias atualmente previstas, exceto utentes com as comorbilidades definidas na norma número 002/2021 da Direção-Geral da Saúde ou outras exceções definidas na mesma norma".

A vacinação alegadamente ilegítima foi publicitada numa rede social pela Junta de Freguesia de Campanhã, na zona oriental do Porto, mas fonte autorizada da autarquia disse que se limitou a publicitar a iniciativa a pedido do ACES da zona, exatamente nos termos solicitados.

A publicação da Junta no Facebook referia: "Dias 23 e 24 de junho, vacinação aberta das 17h00 às 19h30 no centro de vacinação do Cerco".

Segundo a Direção-Geral da Saúde, já há perto de três milhões de portugueses com a vacinação completa contra a Covid-19, o equivalente a 29% da população.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos 3.893.974 vítimas em todo o mundo, resultantes de mais de 179.516.790 casos de infeção diagnosticados oficialmente, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP. 

A polémica instalou-se nas redes sociais depois de a apresentadora Maria Cerqueira Gomes, de 38 anos, e a filha Francisca, de 18, terem revelado que tinham sido vacinadas contra a Covid-19.

A filha da apresentadora foi alvo de críticas, uma vez que a vacinação acima dos 18 anos só deverá arrancar no dia 4 de julho, como anunciou o vice-almirante Gouveia e Melo, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde.

Leia Também: AO MINUTO: Vacinação indevida foi "desobediência". AML volta a restrições

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