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Tem sete anos e quer acabar com os cocós de animais nas ruas de Lisboa

Incomodada com a quantidade de cocós de animais que vai encontrando nos passeios na zona lisboeta onde reside, Carolina decidiu agir e a ideia da menina ganhou projeção.

Tem sete anos e quer acabar com os cocós de animais nas ruas de Lisboa

Tem apenas sete anos, mas a determinação 'não se mede aos palmos'. Carolina traz no ADN a inquietude e a vontade de fazer a diferença, mesmo que com pequenos gestos. Incomodada com os dejetos de animais que, diariamente, encontra na via pública, a menina decidiu fazer um desenho onde apela ao civismo: "Por favor apanhe o cocó do seu cão". E a mensagem ganhou projeção.

Mora no coração de Lisboa e, no percurso que faz para escola, sentia que percorria um 'campo minado' de dejetos. Carolina percebeu que podia tomar uma atitude e, em conversa com os pais, sugeriu 'pôr mãos à obra' e fazer um desenho para distribuir pela zona. A ideia ganhou forma e passou para o papel. O resultado? Um desenho com um cão, um cocó e uma senhora com um saco na mão. E estas imagens vêm acompanhadas da mensagem: "Por favor apanhe o cocó do seu cão".

Ao Notícias ao Minuto, Paulo Farinha, o pai, explicou que a iniciativa começou há cerca de um mês. Carolina foi fazendo vários croquis até chegar à 'obra-prima'. Mas o trabalho estava longe de estar terminado. Impunha-se a necessidade de passar a mensagem e distribuir os pequenos cartazes por diversos locais da zona.

"O primeiro cartaz foi entregue na Junta de Freguesia [do Areeiro]", como recordou o pai. Seguiu-se a afixação numa loja do prédio onde Carolina e a família moram e muitas outras nas imediações se seguiram. De acordo com Paulo Farinha, o feedback "tem sido muito positivo".

Esta forma de distribuição dos cartazes não tinha, porém, sido a primeira ideia de Carolina. A pequena pensou, inicialmente, em afixar os cartazes nos locais onde habitualmente vê mensagens que aludem a animais perdidos. "Explicámos-lhe que afixar papéis na rua era uma forma de poluição", explicou a mãe, Sofia Rita Fernandes, ao Notícias ao Minuto.

Além de esta ter sido uma ideia da Carolina, como vincou Paulo Farinha, é a pequena que explica o objetivo do seu projeto nos estabelecimentos comerciais a que se dirige. O pai limita-se a acompanhá-la e a fazer a abordagem, passando a palavra à filha. "Ela tem um discurso estruturado em que explica que está cansada de pisar cocós na rua. A mensagem é inteiramente dela", garantiu. Mais ainda. Carolina disponibiliza-se inclusive para ajudar a afixar o cartaz, garantindo assim que o objetivo é cumprido. 

Madalena, a irmã de seis anos, costuma acompanhá-los neste percurso e já partilhou a intenção de apelar aos fumadores que evitem atirar beatas para o chão.

Certo é que a iniciativa da menina de apenas sete anos já está a dar que falar. A Junta de Freguesia abraçou o projeto e, no dia 4 de dezembro, partilhou o desenho nas redes sociais, aproveitando para recordar que a autarquia "disponibiliza sacos para recolha de dejetos caninos e utiliza um motocão, com o objetivo de manter os passeios livres de dejetos".

César Laranjo, técnico de comunicação e imagem da Junta de Freguesia do Areeiro, recordou ao Notícias ao Minuto que, quando Carolina se deslocou às instalações da autarquia, "escreveu um texto onde relata a dificuldade que ela e a sua irmã mais nova têm em brincar na rua sem pisar cocó de cão". Nesse texto, dirigido ao presidente da Junta, Fernando Braamcamp, Carolina pediu "para divulgar o cartaz e afixar em locais públicos pedindo aos donos dos cães para apanharem os dejetos dos seus animais".

O presidente da Junta leu a mensagem e quis que esta ganhasse eco na mentalidade dos fregueses. Com efeito, a autarquia decidiu usar o desenho de Carolina e adaptá-lo a um cartaz, com a devida aprovação de Paulo Farinha e de Sofia Rita Fernandes.

No cartaz que agora vai ser veiculado pela Junta foi acrescentada informação relativa aos sacos biodegradáveis que são oferecidos. "Este cartaz serve para publicitar a informação nas nossas vitrinas, na sede da Junta de Freguesia, nas delegações e junto dos parceiros que aceitarem fazer parte desta iniciativa, conseguindo assim concretizar o pedido de partilha da informação que a Carolina enviou ao nosso Presidente de Junta", acrescentou César Laranjo.

Os pais de Carolina partilharam ainda a ideia com a escola que a filha frequenta e, mais uma vez, a recetividade foi positiva. A professora da menina e a coordenadora da escola não só se mostraram orgulhosas da iniciativa, como manifestaram interesse em estudar a melhor forma de a disseminar no próprio agrupamento e na freguesia da escola. 

Ao Notícias ao Minuto, Paulo Farinha mostrou-se profundamente "orgulhoso" pela iniciativa da filha que ter-se-á inspirado no exemplo dos pais. "Tivemos uma cadela, a Olívia, que morreu no ano passado, e quando a levávamos à rua fazíamos questão de levar um saco para apanhar os cocós". Carolina estava atenta, interiorizou a mensagem e, agora, quer fazer a diferença.

Sofia Rita Fernandes diz-se igualmente "orgulhosa por saber que a filha se preocupa com o ambiente", por perceber que "as competências parentais" estão a surtir efeito e que e "os valores que lhe vão sendo transmitidos" são apreendidos porque a Carolina acredita "que vai ter um feedback positivo na vida das pessoas".

Notícias ao MinutoCartaz da Junta de Freguesia do Areeiro © Junta de Freguesia do Areeiro

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