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Docente critica a extinção do português europeu universitário no Quebeque

Um antigo docente da Universidade de Montreal alertou hoje para a "extinção do programa de português europeu" na instituição e lamentou a falta de oferta de ensino na província canadiana, apesar da procura.

Docente critica a extinção do português europeu universitário no Quebeque
Notícias ao Minuto

07:59 - 17/11/19 por Lusa

País Canadá

Ex-docente do Camões, Instituto de Cooperação e da Língua e antigo professor de língua e cultura portuguesa na Universidade de Montreal, Luís Aguilar recordou que não existem qualquer ensino do português europeu em nenhuma instituição do ensino superior no Quebeque

"O ensino do português europeu está extinto depois de 36 anos de apoio relevante do Camões", lamentou Luís Aguilar.

Os "culpados" da não renovação do protocolo para a continuidade dos Estudos Lusófonos são vários na opinião do luso-canadiano, que criticou a ação do Camões, diplomatas locais e a própria universidade, "todos responsáveis por criarem esta obra".

"Neste momento não há qualquer tipo de ensino de português europeu em todas as universidades da província do Quebeque. Não só em Montreal, mas em toda a província. É um caso inusitado porque a procura do português europeu é bastante, um número tem crescido, mas não há resposta a essa procura", contou o luso-canadiano.

O antigo professor disse que ainda tentou impedir judicialmente o fim do curso de português, mas "nada há a fazer".

No entanto, fonte dos serviços de comunicação da Universidade de Montreal respondeu à Lusa que o português não é objeto de um curso autónomo, mas a língua continua a ser lecionada como iniciação somente, do nível 1 ao 4.

"Quisemos manter o nosso Programa Menor de estudos de língua portuguesa. Além dos professores, temos vários estudantes de doutoramento altamente qualificados com o português como língua materna, que podem lecionar os cursos. Atualmente, esses alunos estão a elaborar teses sobre literatura lusófona no programa de doutoramento em literatura (opção de Literatura Geral e Comparada)", disse fonte dos serviços de comunicação da instituição.

Através de correio eletrónico, o diretor de Serviços de Língua do Camões, Rui Vaz, confirmou que o protocolo de colaboração com uma universidade de Montreal "não foi renovado", situação que "ocorreu no prazo estipulado pelo acordo".

"Não há desinvestimento do ensino de português em Montreal, até porque acaba de abrir uma turma de português na Escola Primária Pierre Eliot Trudeau da direção escolar de inglês de Montreal, que tem 23 alunos inscritos e que o Camões ainda conta com a oferta de manuais escolares em 2019-2020. Este ano há mais investimento no Canadá, o Camões está a apoiar a abertura de mais aulas de português em mais escola e instituições de ensino, do Quebeque à Colúmbia Britânica", sublinhou.

Rui Vaz descreveu ainda a estratégia do Camões para o Canadá de "apoiar e promover o ensino da língua e culturas portuguesas no país, em todos os níveis de ensino" e de oferecer "formação para todos os professores" e "certificar as aprendizagens em língua portuguesa".

Ao nível universitário a instituto público para a promoção da língua e cultura portuguesas no estrangeiro "está atualmente a trabalhar na abertura de um curso de português na Universidade de Concórdia, em Edmonton (Alberta) com quem dispõe de um protocolo assinado em maio último, está a apoiar a reabertura este ano de um curso de português na Universidade de Winnipeg (Manitoba).

Em maio de 2019 foram ainda renovados acordos com duas direções escolares e uma universidade em Toronto, em Kingston, e com uma escola associada em Otava, devendo ainda um estabelecimento associado em Winnipeg.

"A par deste investimento, o Camões está também a trabalhar para a concretização, no Canadá, de outras oportunidades de ensino de português ou de valorização de ofertas educativas em língua portuguesa nos vários níveis de ensino, para apoiar os cerca de 6.500 alunos que aprendem português no país", realçou.

Por seu turno, o conselheiro das Comunidades Portuguesas no Canadá Daniel Loureiro criticou a situação, que não corresponde à procura da língua por parte dos filhos da comunidade.

"Fico triste de não termos protocolo com nenhuma universidade no Quebeque neste momento, mas não quer dizer que não o possamos fazer no futuro. Só quem fica a perder é a cultura e a língua portuguesa", disse.

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