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Acusada de matar companheiro à facada em Fafe alega que foi acidente

Uma mulher acusada de matar à facada o companheiro em Fafe, em outubro de 2017, alegou hoje que se tratou de um acidente, numa altura em que os dois se empurravam mutuamente.

Acusada de matar companheiro à facada em Fafe alega que foi acidente

No início do julgamento, hoje no Tribunal de Guimarães, a arguida, de 23 anos, disse que, num primeiro momento, nem sequer se apercebeu que o companheiro tinha sido atingido pela faca.

Disse ainda que, após ouvir o companheiro pedir socorro, ligou imediatamente para o INEM e foi ministrando os primeiros socorros à vítima, de acordo com as orientações que lhe iam sendo dadas.

Num testemunho emocionado, a arguida contou que, após mais uma discussão conjugal, pegou numa faca de cozinha com intenção de furar os pneus do carro do companheiro, o que acabaria por não fazer, por alegada "falta de coragem".

Quando, ainda com a faca na mão, tentava entrar em casa, o companheiro terá tentado impedi-la, tendo os dois ficado a empurrar-se mutuamente.

"Ele largou-me de repente, eu entrei, pousei a faca no sítio dos talheres lavados e ia-me vestir, quando ele começou a gritar a pedir ajuda", relatou.

Só aí se terá apercebido que o companheiro tinha um corte "na zona do peito". A vítima acabaria por morrer no dia seguinte, no hospital.

A mulher está acusada pelo Ministério Público (MP) de homicídio qualificado e de violência doméstica agravada.

O MP considerou indiciado que a relação entre a arguida e o companheiro "se mostrou sempre conturbada".

Segundo a acusação, a culpa era da arguida, por ser "possessiva, controladora, manipuladora e obcecada pela vítima".

O MP diz que a arguida, que classifica como mulher "charmosa", vigiava as redes sociais Facebook e Instagram do companheiro, controlava-lhe o telemóvel e dirigia-lhe insultos, nomeadamente através de mensagens de telemóvel.

A acusação acrescenta que a arguida socou e arranhou o companheiro, encetou discussões em locais públicos por motivos de ciúmes e enviou-lhe mensagens de forma insistente para o telemóvel, a qualquer hora do dia ou da noite, como forma de pressão psicológica.

Ainda segundo a acusação, na madrugada de 17 de outubro de 2017, em Fafe, na casa em que residiam, a arguida terá encetado com o companheiro uma discussão, alegadamente depois de lhe ter consultado no telemóvel as mensagens nas redes sociais e ter verificado que ele enviara os parabéns à ex-namorada.

"Na sequência da discussão, pelas 4h15, como o companheiro fizesse tenções de abandonar a residência, não acedendo aos seus pedidos para que ficasse, a arguida, com uma faca que trouxera da cozinha, desferiu-lhe um golpe no pescoço, matando-o", refere ainda a acusação.

Uma acusação completamente refutada pela arguida, que alegou que as discussões entre o casal resultaram, numa primeira fase, de problemas de dinheiro e, depois, dos ciúmes do companheiro.

A arguida disse que nunca bateu ao companheiro e que era este que lhe batia. "Eu apenas me defendia", disse.

Disse ainda que só na noite dos factos é que acedeu ao telemóvel do companheiro, tendo então ficado agastada com o teor de uma mensagem de parabéns que ele enviara à ex-namorada.

Nessa altura, decidiu que iria sair de casa, tendo-se então gerado nova discussão, que acabaria com a facada fatal.

O depoimento da arguida prossegue durante a tarde.

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