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‘Codfather’ português apanhado por falsos russos nunca mais pode pescar

Carlos Rafael, natural da ilha do Corvo, nos Açores, mas a viver desde os 15 anos em New Bedford, já está a cumprir pena de prisão e vai ter de pagar três milhões de multa ao governo dos EUA.

‘Codfather’ português apanhado por falsos russos nunca mais pode pescar

Carlos Rafael, mais conhecido por ‘Codfather’, controlou durante décadas uma das maiores frotas de pesca dos EUA, mas, em 2015, o português, natural da Ilha do Corvo, nos Açores, foi apanhado pelas autoridades norte-americanas a enriquecer através da prática de vários crimes.

Hoje, Carlos, de 67 anos, cumpre 46 meses de prisão por conspiração, incorreta classificação de peixe, contrabando de dinheiro, evasão fiscal e falsificação de registos, crimes que acabou por confessar em 2017.

Apesar de estar encarcerado, o que mais lhe custa é nunca mais poder pescar. O açoriano assinou um acordo com Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera (NOAA), evitando assim mais processos judiciais, mas nunca mais poderá voltar a trabalhar no setor.

Além disso, terá de pagar uma multa de três milhões de dólares (cerca de dois milhões e 700 mil euros) ao governo norte-americano, nada comparado com a fortuna que Carlos Rafael tem. De acordo com o The Washington Post, o património do corvino está avaliado entre 10 e 25 milhões de dólares (entre 9 e 22 milhões de euros).

A mesma publicação conta que apesar de ser milionário, Carlos Rafael optava sempre por uma aparência modesta. Andava todos os dias pelo cais, de camisa de flanela, calças de ganga desgastadas, a gritar ordens ora em inglês, ora em português. E enquanto monitorizava a captura do dia, fumava cigarro atrás de cigarro.

Tudo mudou em 2015. Na altura, Carlos Rafael, que já tinha dito às autoridades norte-americanas que era “um pirata” e que o trabalho deles era apanhá-lo, começou a pensar reformar-se e mudar-se para Cabo Verde. Colocou a empresa à venda e foi abordado por uma dupla de russos que eram, na verdade, agentes infiltrados.

Durante várias reuniões com estes “falsos russos”, o emigrante português garantiu que a sua empresa era o lugar ideal para lavar dinheiro e tentou vender a mesma por 175 milhões de euros, quando apenas declarava três a quatro milhões/ano.

Para provar que a empresa valia todo este dinheiro, Carlos mostrou aos alegados russos um livro onde tinha registado 600 mil dólares em apenas seis meses. Mas quando tudo estava alinhavado, julgava o açoriano, foi detido e acusado.

Ao Washington Post, o advogado de Defesa contou que, enquanto estava a decorrer o julgamento e até ao dia em que foi detido, Carlos trabalhava todos os dias a partir das 6h00 e numa carrinha com 10 anos.

Em 2017, acabou por se declarar culpado, para “acabar com a confusão toda”. Ao que tudo indica, em 2021 sairá da prisão. O objetivo já não é ir para Cabo Verde, mas sim dividir o seu tempo entre o New Bedford, para onde emigrou aos 15 anos, e o Corvo, de onde é natural e aproveitar a companhia dos filhos e netos.

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