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Manifestação contra exploração de gás na Bajouca junta 350 pessoas

Cerca de 350 pessoas manifestaram-se hoje contra a prospeção e exploração de gás na freguesia da Bajouca, no concelho de Leiria, numa marcha ruidosa ao longo de quase cinco quilómetros.

Manifestação contra exploração de gás na Bajouca junta 350 pessoas
Notícias ao Minuto

16:29 - 20/07/19 por Lusa

País Leiria

Com palavras de ordem, afirmando que não vão deixar a empresa Australis avançar com a prospeção de gás na freguesia da Bajouca, exibindo cartazes e pequenos vasos com plantas, o grupo de 170 pessoas que esteve acampado durante dois dias na localidade juntou-se no centro da vila a mais de uma centena de manifestantes.

Todos juntos caminharam até ao local previsto para a prospeção e formaram um cordão humano à volta do terreno, tendo alguns manifestantes entrado no espaço, e continuaram as palavras de ordem: "Australis, aqui não vais furar" ou "Não ao furo, sim ao futuro".

"Agora que se fala tanto em ambiente e no aquecimento global, não se percebe por que é que o ministro do Ambiente fica calado perante isto. As pessoas não querem esta exploração. Temos de defender o nosso futuro. Querem acabar com os combustíveis fósseis e vêm aqui fazer exploração de gás", afirmou João Domingues, natural da Bajouca.

Outro manifestante, Abílio Fonseca, lamentou que o Governo tenha "assinado contratos sem ouvir a população da Bajouca".

"Não há qualquer mais-valia. Até o dinheiro que irão fazer será levado daqui. Nós continuaremos a ser pobres e a enriquecer empresas que levarão o lucro para paraísos fiscais", acrescentou.

Um dos organizadores do Camp in Gás, Acampamento de Ação contra Gás Fóssil e pela Justiça Climática, João Costa, afirmou à Lusa que esta iniciativa é uma forma de "mandar um recado muito sério à Australis: seja 'fracking' ou não, este ou no próximo ano, não vão furar aqui nem em Aljubarrota [concelho de Alcobaça, no distrito de Leiria]".

"Não somos ecologistas, não somos ambientalistas. Somos pessoas voluntárias e lutamos pela justiça climática", salientou, ao agradecer o apoio da Associação Bajouquense para o Desenvolvimento, do museu do Casal Novo, de Monte Redondo e do Grupo Alegre Unidos.

Os manifestantes plantaram ainda cerca de 80 árvores autóctones no terreno da Australis, "junto à vedação, para que a população possa regar sem invadir o terreno", explicou João Costa.

No espaço previsto para a prospeção foi também deixado um mastro "com várias mensagens escritas pelos participantes no acampamento".

João Costa explicou que este acampamento começou a ser preparado em janeiro, depois de terem conhecimento da possibilidade de haver prospeção na Bajouca.

"Estava contratualizado o furo acontecer até setembro, pelo que imaginámos que esta seria uma boa altura para parar algumas máquinas. Entretanto houve o pedido do estudo de impacto ambiental e da suspensão do contrato", explicou.

Apesar de a Australis assegurar que a segurança está garantida, João Costa sublinhou que "mesmo que o risco seja 0,000001 ele existe e a água não se pode vender, nem abdicar".

Numa resposta enviada por escrito à agência Lusa, "a Australis considera que todas as pessoas têm o direito de se manifestar e expressar as suas opiniões dentro do previsto pela lei".

"A política da empresa é de não comentar qualquer anúncio ou intenção de protesto, mas continuar a apresentar os factos sobre o projeto e a cumprir as nossas obrigações legais e regulamentares. A empresa respeita também o direito à propriedade privada e convida todos a fazerem o mesmo. A Australis lamenta ainda que o seu terreno tenha sido invadido de forma ilegal", acrescentou.

A empresa sublinhou que a "Australis sempre pretendeu dialogar e comunicar com as populações residentes nas freguesias e municípios e já realizou sessões públicas para apresentar o projeto".

"Ouviu as preocupações das populações e outras partes interessadas. Mais sessões serão realizadas após a conclusão do Estudo de Impacto Ambiental, processo que se encontra em curso."

Segundo uma nota da Australis, a empresa recebeu do Governo português, em 2015, as concessões da Batalha e de Pombal e desde então "já investiu mais de 1,2 milhões de euros em estudos e trabalhos de engenharia para compreender as potenciais oportunidades de exploração das suas concessões".

"A Australis não vai estimular estes poços através de fraturação hidráulica. O objetivo é realizar estes poços utilizando técnicas convencionais", refere, ao afirmar que "estas operações terão um impacto muito positivo junto das populações locais, com a criação de emprego e dinamização da economia local".

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