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Alunos desfavorecidos entram em cursos com médias mais baixas

É esta quarta-feira apresentado no Porto um estudo que se debruçou sobre a realidade educativa nacional.

Alunos desfavorecidos entram em cursos com médias mais baixas

"Estudar é para todos?". Esta foi a premissa que serviu de ponto de partida ao estudo levado a cabo pelo EDULOG, um 'think tank' da Fundação Belmiro de Azevedo direcionado para a área de Educação, e que será apresentado esta quarta-feira, no Porto. Entre outros aspetos, concluiu o estudo, a que o Notícias ao Minuto teve acesso, que os alunos oriundos de famílias com níveis de escolaridade mais altos privilegiam as universidades, em detrimento dos institutos politécnicos, bem como que alunos desfavorecidos entram em cursos com médias mais baixas.

Considera a Fundação que, "apesar dos avanços das políticas públicas na promoção da equidade na educação em Portugal, parecem existir desigualdades". Com efeito, para analisar a equidade na educação, foram consideradas duas variáveis, nomeadamente o acesso e o sucesso, sendo que este último se traduz nas taxas de conclusão e de abandono dos diferentes grupos de estudantes.

No que ao acesso diz respeito, concluiu o estudo que "os candidatos do Porto e de Lisboa estão claramente sobre-representados entre os que não são colocados no ensino superior público". Como estas são as duas áreas urbanas mais povoadas em Portugal, espera-se que a pressão sobre as vagas seja maior nessas regiões. Refira-se que, "em 2015, o rácio do número de candidatos locais em relação ao número de vagas disponíveis era de 1,31 no Porto e de apenas 0,90 em Lisboa". 

Mas esta análise sobre a realidade educativa nacional foi ainda mais longe e conclui que os alunos cujas famílias têm níveis de escolaridade mais altos optem por ingressar nas universidades. "O capital cultural das famílias dos estudantes e as suas origens socioeconómicas também parecem influenciar as suas oportunidades de acesso e sucesso educativo".

Ora, no relatório pode ainda ler-se que nos países com dados disponíveis, "os jovens cujos pais não têm o ensino superior têm menor probabilidade de ingressar no ensino superior". Já em Portugal, "os jovens entre os 18 e os 24 anos que não têm um progenitor com formação superior estão sub-representados no ensino superior, já que correspondem a 78% da população dessa faixa etária e a 61% dos novos inscritos no ensino superior. Além disso, os inscritos no ensino superior cujos pais não têm formação superior têm maior probabilidade de fazê-lo após os 25 anos de idade do que aqueles com pelo menos um dos pais com formação superior".

Já quanto às áreas de formação, o background familiar exerce igualmente influência. O Edulog mostrou que os alunos das classes mais favorecidas frequentam cursos como Medicina, Direito e Engenharia (com médias mais altas), enquanto os mais pobres inscrevem-se sobretudo nos politécnicos. Além disso, 73,2% dos estudantes de Medicina (universidade) são filhos de pais com ensino superior, enquanto os estudantes oriundos de famílias com menos formação centram-se mais nas áreas da Educação e das Ciências Empresariais.

De realçar simultaneamente que os alunos de sexo feminino continuam a ser uma minoria nas áreas das Engenharias, das ciências Matemática e Informática e dos Serviços. Os últimos resultados do Programme for International Students Assessment (PISA) "podem ajudar a compreender este fenómeno, já que os rapazes tendem a ter um desempenho na matemática superior ao das raparigas".

Para avaliar o êxito da educação em Portugal torna-se imperioso analisar as taxas de conclusão do ensino superior que, refere o mesmo estudo, "têm aumentado em Portugal, mas permanecem entre as mais baixas nos países da OCDE". Em 2017, "34% dos jovens adultos concluíram o ensino superior, em comparação com 21% em 2007, mas ainda assim 10 pontos percentuais abaixo da média da OCDE. Se os padrões atuais se mantiverem, espera-se que cerca de 40% dos jovens de hoje se venham a diplomar pela primeira vez no ensino superior no decurso da sua vida".

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