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Salvador é um "bebé de potencial risco" com necessidade ventilatória

Salvador nasceu às 31 semanas e seis dias.

Salvador é um "bebé de potencial risco" com necessidade ventilatória

Salvador nasceu esta quinta-feira, de cesariana de urgência, em virtude da dificuldade em ventilar a mãe, a canoísta que entrou em morte cerebral e que foi mantida em suporte orgânico de vida. 

O bebé nasceu às 31 semanas e seis dias "com a necessidade de suporte ventilatório como é natural em qualquer bebé com esta idade gestacional". Salvador pesa 1700 gramas, um peso adequado também à situação em causa, garantiu a neonatologista que acompanha o recém-nascido, Hercília Guimarães, em conferência de imprensa no Hospital de S. João, no Porto. 

Internado na unidade de neonatologia da unidade hospitalar, Salvador apresenta "uma evolução favorável", pese embora seja "um bebé de potencial risco". Agora, as informações "serão dadas diariamente ao pai. Até ao momento, nada faz prever que irá ter sequelas". 

Durante os 56 dias em que esteve internada "em suporte orgânico no serviço de Medicina Intensiva", Catarina Sequeira foi acompanhada pelo pai da criança. O progenitor "acompanhou e participou em todo o processo e está com o filho desde o parto", garantiu Carlos Lima Alves, diretor clínico do Hospital de São João. 

O parto estava previsto para esta sexta-feira, altura em que se completavam 32 semanas de gestação, porém, esta madrugada, teve de ser realizada uma cesariana de urgência dadas "as deteriorações respiratórias e as dificuldades em ventilar a mãe. Era preciso manter os padrões de oxigenação suficientes que tinham consequências no bebé", indicou Teresa Honrado, intensivista que acompanhou o caso. 

Marina Moucho, obstetra, revelou ainda que o bebé "não estava exatamente em sofrimento, mas havia alterações que eram justificadas pela dificuldade de ventilação materna. Terminar a gravidez seria o melhor para ele". 

Foi necessária, entre os dias 1 de fevereiro e 28 de março, período em que esteve internada no S. João, a harmonia de esforços de uma equipa multidisciplinar que "foi capaz de dar resposta a um processo complexo. Estivemos todos num fio condutor. A decisão pela vida é sempre maior", justificou Teresa Honrado, acrescentando que a decisão quanto à manutenção da gravidez já tinha sido tomada no Hospital de Gaia, tendo depois Catarina sido transferida.

Houve, ao longo deste período, "problemas que o Serviço de Medicina Intensiva esteve à altura de responder, decorrentes do estado de morte cerebral, nomeadamente de manter o equilíbrio do corpo da mãe para que os órgãos se mantivessem funcionantes", acrescentou a mesma especialista. 

Catarina Sequeira, saliente-se, teve um episódio de asma severo que a levou a desmaiar e, desde aí, nunca mais acordou. Clinicamente, a jovem de 26 anos estava morta, mas foi mantida em suporte orgânico de vida para que se prolongasse o período de gestação do feto. "O bebé foi desde então monitorizado diariamente  e foi inclusivemente feita uma ressonância magnética" para avaliar os padrões cerebrais do bebé. "Nunca houve indicação de que algo estivesse a correr mal", rematou a neonatologista. 

"O sonho de Catarina sempre foi ser mãe, mas acabou por morrer sem o ser"

As palavras são de Maria de Fátima Branco, mãe de Catarina Sequeira que ficou em morte cerebral, em dezembro de 2018, na sequência de uma crise de asma. A progenitora recordou, em entrevista à TVI 24, o momento em que lhe foi comunicado pela equipa médica do Hospital de Gaia que a filha tinha ficado durante muito tempo privada de oxigénio.

Apesar do cenário de tristeza, havia uma esperança. Catarina estava grávida de 19 semanas (quase quatro meses) e "o bebé estava bem, dentro do razoável". A família, composta pela mãe, pelos oito irmãos e pelo namorado, foi chamada à comissão de ética. No final, havia uma decisão unânime: Catarina seria mantida em suporte orgânico de vida para que fosse viável realizar o parto. A canoísta foi, desde então, "uma incubadora viva".

Se tivesse de tomar a decisão hoje, Maria de Fátima Branco "tinha acabado aquilo tudo. Não tinha tomado a decisão que tomei em dezembro". A mãe de Catarina apela a que não a interpretem mal. A questão, explicou, é que "o sonho de Catarina sempre foi ser mãe, mas acabou por morrer sem o ser, no sentido de estar ali todos os dias". Para além disso, "criei a minha filha, perdi-a, já aceitei isso. Agora estar ali todos os dias a ver o cadáver dela, a vê-la definhar ...".

[Notícia atualizada às 15h19]

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