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Marcha lenta junta cerca de 100 veículos contra abandono de estradas

Cerca de 100 veículos participaram hoje numa marcha lenta no Alentejo, entre Vidigueira e Barrancos e que "uniu" também os concelhos de Moura e Mourão, em protesto contra a degradação das estradas locais, fruto de "décadas" de abandono.

Marcha lenta junta cerca de 100 veículos contra abandono de estradas
Notícias ao Minuto

15:04 - 18/03/19 por Lusa

País Alentejo

"O que se tem feito nas últimas décadas são sucessivos remendos que não resolvem nada" e só "acentuam o mal-estar de quem conduz", alertou o presidente da Câmara de Barrancos, João Serranito Nunes (PS), à chegada da caravana de viaturas à sede do seu concelho.

A marcha lenta, que decorreu durante toda a manhã, foi promovida pelos municípios de Barrancos, Moura, Mourão (PS) e Vidigueira (CDU) como forma de protesto contra o estado de degradação das estradas que servem os concelhos e "em defesa de melhores acessibilidades".

Sob o lema "Juntos por melhores acessibilidades", os participantes reivindicaram obras estruturais nas estradas nacionais 258, 385, 386 e 387 e na estrada regional 258, considerando que o estado atual destas vias "coloca em causa a segurança rodoviária" e é um obstáculo ao desenvolvimento e à captação de investimento" para os concelhos.

A coluna inicial da marcha lenta partiu às 09:40, de Vidigueira, e era composta por cerca de 20 veículos e, ao longo do trajeto de cerca de 90 quilómetros, com passagens por Moura e por outras localidades, viaturas dos outros concelhos envolvidos foram-se juntando ao protesto.

A "romaria" seguiu, em "passo de caracol", até terminar em Barrancos, depois de juntar um total de cerca de 100 viaturas, encerrando com intervenções dos autarcas dos concelhos promotores.

Os habitantes, dependendo da via ou do troço, queixaram-se de traçados sinuosos, buracos e lombas nas estradas, de pisos abatidos, de bermas esburacadas ou inexistentes ou de remendos mal feitos, entre outros problemas, reivindicando obras estruturais que permitam circular em segurança.

Segundo o autarca de Barrancos, a iniciativa pretendeu fazer "um alerta a quem de direito", ao Governo, "de que não há possibilidade nenhuma de fazer reviver ou viver condignamente no interior" se não existirem "bons acesso ou boas acessibilidades".

"Têm sido décadas de abandono. Isto é um problema que não é exclusivo de Barrancos, mas aqui", junto à fronteira com Espanha, "penaliza-nos muito porque estamos distantes de tudo", disse o autarca, indicando que a população está a 110 quilómetros do hospital em Beja, a 50 quilómetros da escola em Moura e que, "todos os dias", surgem grandes dificuldades" para atrair turistas ou fixar empresas que, depois, "não conseguem escoar os seus produtos".

As pessoas em Barrancos "sentem-se menosprezadas por estarem isoladas e não poderem sair" do concelho "condignamente. O facto de estarmos longe e de termos poucas pessoas não significa que não tenhamos os mesmos direitos" do resto de Portugal, reclamou.

Também o presidente da Câmara de Moura, Álvaro Azedo, frisou que estas estradas em mau estado são "estruturantes" para os municípios envolvidos e destacou a importância de os autarcas, independentemente da cor partidária -- Moura, Mourão e Barrancos são PS, Vidigueira é CDU -, trabalharem em conjunto.

"O interior do país, no que toca a acessibilidades, tem problemas gravíssimos e temos aqui um conjunto de municípios que e tem uma vivência muito próxima e é importante que tenha condições ao nível das acessibilidades, não é mera cosmética" porque está em causa "a segurança, a mobilidade ao nível das empresas, das pessoas que têm de ir trabalhar ou do socorro e este eixo Vidigueira-Moura-Barrancos é um ponto negro no país", criticou.

Os autarcas já entregaram ao Governo um documento com várias preocupações relativas a estas estradas que servem os concelhos e reclamam ser recebidos pelo ministro da tutela.

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