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Reforço policial não trava vandalismo. Noite voltou a ser de violência

Pela segunda noite consecutiva, vários caixotes do lixo foram incendiados nos distritos de Lisboa e Setúbal. Até ao momento não há detidos. O Presidente da República solicita cautela para não serem feitas generalizações, Angola pede serenidade aos angolanos e o Governo garante confiança total na PSP. Serão estas palavras suficientes para evitar mais atos de vandalismo e violência?

Reforço policial não trava vandalismo. Noite voltou a ser de violência

O reforço policial com elementos da Unidade Especial de Polícia não impediu que, esta madrugada, se registassem novos atos de vandalismo pela segunda noite consecutiva em Setúbal e pela primeira vez em Sintra.

A polícia já fez saber que, entre a noite de terça-feira e a madrugada de hoje, foram registados 24 incêndios em caixotes do lixo e ecopontos e ainda uma viatura danificada por uma tentativa de lhe atear o fogo.

Novamente, no Bairro da Bela Vista, em Setúbal, um grupo de indivíduos ateou fogo sete caixotes de lixo obrigando, em algumas situações, à intervenção dos bombeiros e ao reforço policial naquela zona - ontem haviam sido atirados três cocktails molotov contra a esquadra local. Também neste local uma viatura ficou danificada quando lhe tentaram atear o fogo.

Segundo a PSP, as ocorrências tiveram lugar em diferentes ruas sem que houvesse qualquer tipo de “ajuntamentos ou manifestações”.

Na divisão policial de Sintra também foram registados incidentes, com 13 ecopontos e 1 caixote do lixo a serem incendiados em Massamá, em Queluz e no Cacém. Mais uma vez foi feito um reforço policial na zona, não havendo notícia de detenções ou feridos.

Já no concelho de Loures foram três os ecopontos que ficaram destruídos na sequência das chamas.

Esta foi a segunda noite consecutiva em que se registaram atos de vandalismo na Área Metropolitana de Lisboa. Recorde-se que os mesmos tiveram início na segunda-feira à noite depois de uma manifestação de moradores do Bairro da Jamaica, no Seixal, na Avenida da Liberdade.

O protesto acabou com feridos ligeiros e detidos e com duas versões da mesma história: a PSP queixa-se de ter sido apedrejada, razão que levou os agentes a dispararem balas de borracha; os manifestantes queixam-se de violência, garantindo que só atiraram pedras depois de terem sido feitos os disparos.

Esta manifestação ocorreu um dia depois de se terem vivido momentos de tensão e violência no Bairro da Jamaica com um vídeo a circular nas redes sociais no qual se vê os agentes da PSP a agredirem alguns moradores. “O vídeo só mostra a parte que interessa aos desordeiros”, garante o comando da PSP de Setúbal, assegurando que o que as imagens não mostram são os atos de violência para com os agentes da autoridade.

De referir que o Ministério Público já abriu um inquérito a estes incidentes, da mesma forma que a Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um processo de acompanhamento e monitorização do processo de inquérito aberto pela PSP.

Marcelo não quer "generalizações", partidos defendem o Estado democrático e Bloco evita polémica 

O Presidente da República já reagiu às imagens captadas no Bairro da Jamaica e aos consequentes atos de vandalismo em Lisboa e Setúbal, pedindo para que não sejam feitas “generalizações, nem em relação aos cidadãos, que têm um papel importante e que estão integrados na sociedade portuguesa e dão o seu contributo para a sociedade portuguesa nem relação às forças de segurança, que têm um papel importante num Estado de direito democrático".

Quem também quis evitar a “generalização” foi o Partido Comunista Português que, em comunicado, garantiu que “não alimentará a corrente dos que, a propósito de factos concretos e pontuais, agem para os generalizar”, até porque “fazê-lo seria animar um ambiente de insegurança e intranquilidade".

Por seu turno, o CDS condenou "veementemente ataques a esquadras" porque, "por muita razão que se possa ter, num Estado de direito democrático não é admissível ataques com cocktails molotov". Nuno Magalhães disse ainda que, caso tenha havido excessos por parte dos agentes da autoridade, tal deve ser investigado, frisando, contudo, que esse "não é um padrão das polícias portuguesas".

Relativamente ao PSD, enquanto Rui Rio se recusou a comentar por não ter tido “oportunidade” de se “debruçar sobre a notícia”, as distritais de Lisboa e Setúbal assumiram uma posição pública de condenação dos atos de vandalismo, defendendo a atuação da polícia.

A distrital de Setúbal, na pessoa do presidente Bruno Vitorino, condenou o ataque à esquadra da PSP da Bela Vista com recurso a cocktails molotov, lembrando que “as regras existem para serem cumpridas por todos, sem exceção” pois “não há nenhum individuo ou conjunto de indivíduos que estejam acima da lei, independentemente da sua cor, raça ou religião”.

Já o PSD de Lisboa desafiou o Governo e o Bloco de Esquerda a tomarem uma posição pública sobre os acontecimentos, apontando o dedo à deputada bloquista Joana Mortágua que criticou a atuação das forças policiais nas redes sociais. Antes, já Nuno Magalhães, do CDS, a havia acusado de tecer “declarações irresponsáveis”.

No comunicado da distrital social-democrata de Lisboa houve ainda espaço para críticas ao dirigente da SOS Racismo e assessor do Bloco de Esquerda, Mamadou Ba, que comentou os incidentes do Bairro da Jamaica referindo-se à polícia como a “bosta da bófia”. Este comentário gerou também indignação junto  dos sindicados da PSP, que acusam o Bloco de Esquerda e o SOS Racismo de incitamento à violência.

Por seu lado, o Bloco de Esquerda reagiu aos incidentes, mas não à polémica com Catarina Martins a frisar que as “forças de segurança desempenham uma função essencial e não deveriam ser manchadas por alguns elementos racistas e violentos no seu seio e pela impunidade com que, muitas vezes, essas situações são tratadas”.

Ainda na senda das reações aos eventos dos últimos dias, o partido de Pedro Santana Lopes, o Aliança, enviou uma nota às redações a “repudiar este sentimento de permanente censura à conduta das nossas forças de autoridade, destes homens e mulheres que diariamente asseguram o Estado de Direito e a segurança de todos os portugueses".

Por fim, da parte do Governo o ministro da Administração Interna foi sublinhada “toda a confiança na polícia portuguesa, toda a confiança nos polícias e toda a certeza de que, como sempre sucede, as circunstâncias objeto de apreciação serão avaliadas no inquérito a decorrer".

Notícias chegam a Angola e não agradam

Depois de a Rádio Nacional de Angola ter noticiado que a embaixada de Angola em Lisboa enviou uma nota formal de protesto ao Governo português pela atuação da polícia, o ministro Santos Silva garantiu não ter recebido qualquer nota de crítica por parte do governo angolano.

Nesta senda, a embaixada de Angola em Lisboa emitiu, mais tarde, uma nota na qual pediu apuramento de responsabilidades a ambas as partes envolvidas na polémica.

“Lamentavelmente, ao responder ao apelo feito por uma das partes, as autoridades policiais viram-se envolvidas numa situação de resistência, desrespeito e agressão às autoridades o que derivou no uso excessivo da força exercida contra familiares da cidadã angolana que acorreram ao local", lê-se na nota.

E quanto aos incidentes registados na sequência dos acontecimentos de domingo de manhã, a embaixada garante que vai denunciar "quaisquer tentativas de aproveitamento ou a intenção de ligação desses desacatos que põem em causa a tranquilidade e ordem pública", apelando aos cidadãos angolanos que assumam uma atitude de serenidade e civismo, respeitando as leis e a ordem pública do país de acolhimento, abstendo-se de ações negativas e de participar em atos que mais não são do que aproveitamentos alheios com fins inconfessos".

[notícia atualizada às 10h00 com informações mais recentes da PSP quanto ao número de ecopontos e caixotes do lixo incendiados]

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