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Expo98: "Um acontecimento com dimensão histórica" que renovou a cidade

O socialista João Soares era o presidente da Câmara de Lisboa aquando da inauguração da Expo'98, faz hoje 20 anos, e guarda deste "acontecimento com dimensão histórica" uma "memória grata", pela transformação que trouxe à zona oriental da cidade.

Expo98: "Um acontecimento com dimensão histórica" que renovou a cidade

"Houve uma discussão muito grande entre a zona ocidental e a zona oriental da cidade e várias outras possibilidades. O Centro Cultural de Belém estava na zona ocidental e havia quem defendesse que, tendo sido feito esse investimento tão vultuoso nessa zona da cidade, se aproveitasse. Depois houve uma discussão sobre o modelo de Expo que se devia querer para a cidade de Lisboa. Isso condicionou as opções que se fizeram quanto à zona oriental, que era uma zona degradada", destacou.

No oriente de Lisboa estavam, na altura, sucata das Forças Armadas portuguesas, um conjunto de outras instalações, nomeadamente petrolíferas, e uma estação de fabrico de gás de cidade.

A decisão de localizar ali a Expo'98 permitiu "aproveitar a oportunidade para reordenar e recuperar aquela zona da cidade e ganhá-la para os lisboetas, ganhá-la para a cidade e para a relação com o rio", considerou.

O modelo da Exposição de Lisboa "beneficiou muito dos méritos da forma como Barcelona geriu os Jogos Olímpicos [em 1992], que foi para nós um verdadeiro modelo, e da forma errada como, na nossa opinião, Sevilha realizou a Expo" no mesmo ano, disse.

Ao invés de Sevilha, que levou "os países a fazer um investimento muito grande na construção dos pavilhões", prejudicando o investimento no conteúdo, Lisboa planeou a construção dos pavilhões para serem convertidos posteriormente nas instalações da nova Feira Internacional de Lisboa (FIL), o que permitiu aproveitar a antiga FIL para um centro de congressos.

Desta forma, "os países puderam investir sobretudo no conteúdo dos pavilhões, o que deu uma riqueza muito grande à Expo em Lisboa".

João Soares destacou que, ao contrário do que diziam algumas capas de jornais, "as relações foram sempre as mais cordiais" com os autarcas vizinhos de Loures, Demétrio Alves, e de Oeiras, Isaltino Morais, e também com a equipa que dirigiu a Expo.

"A cooperação foi sempre também a melhor. Mesmo com o Governo [de Cavaco Silva], havia divergências políticas muito sérias, mas foi um tempo em que não havia dificuldades em matéria de recursos financeiros. A Expo teve instalações e recursos principescos para poder fazer as obras e a cidade beneficiou muito disso", disse, destacando que "uma série de obras foram comparticipadas com os fundos que Portugal recebeu da União Europeia e com outros próprios".

Entre as obras de recuperação da zona, destacou um conjunto de viadutos sobre a rotunda do Relógio e o prolongamento da Avenida Infante D. Henrique.

"Todas estas ligações acabaram com o estatuto social que a 'Zona J' de Chelas, por exemplo, tinha, que era uma ilha enclausurada. E aquilo passou a ser cidade e passou a ter ali uma facilidade de acessos que transformou em larga medida as condições sociais e urbanísticas de uma zona que era uma zona que se estava a degradar", realçou.

Além da requalificação do agora Parque das Nações, a Expo foi "um grande momento da vida cultural" e "marcou uma viragem muito significativa na vida da cidade e do país" do ponto de vista arquitetónico e estético, com a pala do Pavilhão de Portugal de Siza Viera, "uma peça absolutamente admirável", o Oceanário e a primeira estação intermodal de Lisboa, entre outras estruturas.

"A arquitetura, uma grande renovação urbana e uma solução feita sem mais olhos que barriga. Sinceramente, acho que tudo o que se gastou ali foi bem gasto, não houve gastos desnecessários, porque foi uma grande renovação da cidade", disse.

João Soares considerou que a festa, para celebrar os 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia, "esteve à altura". O presidente da Câmara teve "a grande honra" de ser um dos poucos que discursou na abertura do grande evento, a 22 de maio, debaixo da pala de Siza Vieira.

"Nós estávamos, em 1998, a celebrar talvez um dos contributos mais significativos que demos para a história da humanidade (...). É o período que vai desde a chegada do Vasco da Gama à Índia ou ainda antes, com a dobragem do Cabo que, das Tormentas, se transforma em Boa Esperança. É um símbolo que eu considero muito importante de Portugal e dos portugueses. Nós somos aqueles que somos capazes de transformar as tormentas em boa esperança. É preciso sermos fiéis e derrotar o Adamastor, que é um gigante com pés de barro", concluiu.

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