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ONU: Seria "injusto" esperar mais progressos na Síria e Iémen

O guineense Carlos Lopes, ex-secretário-executivo da Comissão Económica para África da ONU, considerou hoje que seria "injusto" esperar que António Guterres conseguisse mais progressos nos conflitos da Síria e do Iémen nos primeiros 100 dias como Secretário-Geral.

ONU: Seria "injusto" esperar mais progressos na Síria e Iémen

O economista guineense, de 57 anos, foi diretor de Assuntos Políticos no Gabinete Executivo do Secretário-Geral (SG) da ONU Kofi Annan (entre 2005 e 2007). Em declarações à agência Lusa a propósito dos 100 primeiros dias do português António Guterres à frente da ONU, que se assinalam hoje, Carlos Lopes salientou que o novo secretário-geral apanhou dossiês muito difíceis nos momentos iniciais do seu mandato.

"Ele é conhecido por ser um estratega na busca de soluções que satisfaçam as partes e preservem a questão da proteção e do apoio às populações mais vulneráveis, mais afetadas pelos conflitos [da Síria e do Iémen]. É preciso dar-lhe um pouco mais de tempo. Caiu-lhe tudo em cima e seria injusto esperar que houvesse grandes solavancos nesses dossiês em apenas 100 dias", disse o professor guineense.

Veterano da organização da ONU, Carlos Lopes explicou, por outro lado, que as transições de um secretário-geral para outro "são operações de uma certa complexidade".

"Isto porque, à chegada, o SG novo tem um conjunto de postos de alto nível - praticamente todos os SG-adjuntos, que têm contratos de curtíssima duração - para poder constituir a sua própria equipa, fazer as suas escolhas. Isso acaba por tomar bastante tempo", realçou.

Por outro lado, as nomeações para os postos principais "por exemplo, na área de paz e segurança ou na área do desenvolvimento, têm de ser discutidos também com a presença de países que, ou são membros do Conselho de Segurança ou doadores importantes".

De acordo com Carlos Lopes, António Guterres "teve a desvantagem de, no momento em que chegou ao 38.º andar, ter acontecido uma mudança de governo nos Estados Unidos".

"Havia ainda um certo nível de imprevisibilidade em relação ao que poderiam ser as grandes linhas estratégicas do principal contribuidor financeiro das Nações Unidas em relação à organização [os Estados Unidos]", analisou o professor universitário guineense.

O novo secretário-geral "teve uma situação mais ou menos análoga em relação a outro membro do Conselho de Segurança, o Reino Unido" - com uma mudança de governo pouco antes da sua chegada, devido ao Brexit - e teve ainda de lidar com uma França "em pleno período eleitoral".

"Não é, praticamente, possível ter águas calmas e saber quais são as favas com que se pode contar. Ele teve essa dificuldade", considerou Carlos Lopes.

No entanto, apesar "deste contexto difícil", António Guterres "deu o seu toque".

"Mostrou que a sua prioridade em relação à paz e segurança vai ser a prevenção [de conflitos] e introduziu a ideia de uma fortificação da área ligada ao terrorismo, à análise da complexidade do fenómeno", disse Carlos Lopes.

Já na área da gestão, Guterres "anunciou claramente que vai simplificar e descentralizar".

"Parecem palavras vãs, mas têm grande alcance dentro das Nações Unidas. Também nas suas nomeações mostrou que vai fazer uma política agressiva de reequilíbrio de género", concluiu.

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