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"Não acontecerá". Temido assegura que não vai deixar PE para ser autarca

Antiga ministra da Saúde falou sobre candidatura ao Parlamento Europeu e assegurou que quer ser eurodeputada até 2029. A socialista falou também sobre os desafios que se enfrentam face ao contexto internacional e defendeu que o regresso do serviço militar obrigatório "não é o melhor caminho" e deve ser a "última opção".

"Não acontecerá". Temido assegura que não vai deixar PE para ser autarca
Notícias ao Minuto

21:15 - 07/05/24 por Carmen Guilherme

Política Marta Temido

Marta Temido, cabeça de lista do Partido Socialista (PS) às eleições Europeias, rejeitou, esta terça-feira, que a sua candidatura "seja uma falta de respeito pelos eleitores" depois de ter sido eleita para deputada na Assembleia da República, nas últimas Legislativas, e assegurou que não abandonará Parlamento Europeu (PE) por uma candidatura à Câmara de Lisboa. 

"Não considero que seja uma falta de respeito pelos eleitores", afirmou a socialista em entrevista à TVI e à CNN Portugal. "O trabalho que nos propomos fazer no Parlamento Europeu é uma continuação e um trabalho na mesma linha que iríamos fazer no nosso Parlamento. É apenas uma mudança do lugar de trabalho. As lutas, os valores, as prioridades são as mesmas", acrescentou, defendendo que mantém o "compromisso" com as pessoas que a elegeram.

Confrontada com o desafio deixado por Sebastião Bugalho, cabeça de lista da Aliança Democrática (AD) às Europeias, para que os candidatos deixassem claro se vão cumprir o mandato até ao fim, a também antiga ministra da Saúde assegurou que "sim". 

"Tanto quanto aquilo que são os imponderáveis de vida e estou a referi-me, obviamente, a circunstâncias que não controlamos, de vida e de morte, me permitem dizer sim. Obviamente que sim", disse.

Questionada sobre as declarações que fez em outubro do ano passado, numa entrevista ao Expresso, nas quais disse que gostava de ser autarca, Marta Temido reiterou que não irá abandonar o Parlamento Europeu, nomeadamente para uma possível candidatura à presidência da Câmara de Lisboa. "Isso não acontecerá", referiu. "O meu compromisso, agora, é com este projeto", acrescentou.

Interrogada se rejeita liminarmente a hipótese de ser autarca, num futuro próximo, à Câmara de Lisboa ou a qualquer outra autarquia, Marta Temido reforçou: "Com toda a tranquilidade"

Regresso do serviço militar obrigatório "não é o melhor caminho" e deve ser "última opção"

Na mesma entrevista, Marta Temido falou ainda sobre a guerra na Ucrânia e o facto de Vladimir Putin ter tomando hoje posse como presidente da Rússia, naquele que é o seu quinto mandato. A socialista entende que a posição assumida pro Moscovo "constitui uma ameaça" ao projeto de paz construído no espaço europeu e que a Ucrânia é "objeto de agressão".

"Claramente que a posição que tem sido tomada pela Rússia constitui uma ameaça àquilo que é um projeto de paz e prosperidade que tinha sendo construído no espaço europeu e que tinha, tem, perspetivas de alargamento. Portanto sim, a guerra terrível a que temos assistido na Europa e, infelizmente, um cenário que alguns de nós dificilmente poderiam antecipar, levam a que não possamos descansar enquanto continuarem a cair bombas em solo europeu", referiu a ex-governante. 

"Olhamos para a Ucrânia, desde logo, como um país que foi objeto de uma guerra, de agressão, que foi objeto de uma invasão e que tem dado o seu sangue pela defesa de ideais nos quais o projeto europeu também se revê", clarificou.

Face a este contexto e com a questão do regresso do serviço militar obrigatório em discussão, a candidata socialista ao Parlamento Europeu lembrou que, "em várias áreas", a obrigatoriedade "não é necessariamente a melhor estratégia para garantir a adesão das pessoas".

"É evidente que quem estuda mais profundamente estes dossiês entende - e já ouvimos vários comentários sobre esse tema nesses últimos tempos - entende que esse poderá ser um caminho, mas provavelmente não é o melhor caminho. Sabemos, em várias áreas, que a obrigatoriedade, a imposição, não é necessariamente a melhor estratégia para garantir a adesão das pessoas", disse.

Marta Temido considerou que há "vários modelos", mas que o "de obrigatoriedade é provavelmente o menos aconselhável". "Poderemos ter de recorrer a ele? Poderemos. Esperamos não ter de chegar a uma situação desse tipo? Penso que todos esperamos", apontou. Interrogada sobre se, no seu caso, é a última opção, Marta Temido foi clara: "É a última opção". 

A socialista lembrou que, brevemente, começa a campanha e que os candidatos estarão "nas ruas a falar da Europa". "Todos os valores que formam esta Europa na qual tantos investiram e que é, no fundo, um projeto tão bonito de paz e de prosperidade partilhado, estão em causa e é isso que temos de ter muito presente nas decisões que vamos tomar", disse.

Sobre a hipótese de se repetirem os resultados das Legislativas, nomeadamente um crescimento do Chega, nestas Europeias, Marta Temido frisou que não lutará apenas pela vitória.

"Vamos bater-nos por todos os meios para que não só tenhamos uma vitória, mas para que as forças democráticas consigam arredar o mais possível aquilo que, na nossa perspetiva, são respostas que não representam a nossa democracia", completou.

[Notícia atualizada às 22h21]

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