Processo de "limpeza étnica em curso" no Sudão do Sul

Um processo de "limpeza étnica está em curso" em várias regiões do Sudão do Sul, afirmaram hoje peritos da ONU no final de uma missão de 10 dias no país em guerra desde dezembro de 2013.

© Reuters
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"Já existe um processo regular de limpeza étnica em curso em várias zonas do Sudão do Sul usando a fome extrema, as violações coletivas e a destruição de aldeias", declarou num comunicado Yasmin Sooka, chefe de uma delegação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

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"Em todos os lugares onde fomos ouvimos os moradores dizerem que estão prontos a derramar sangue para recuperar as suas terras", disse, adiantando: "muitos disseram-nos que tinha sido atingido o ponto de não retorno".

A responsável falava após uma visita de 10 dias da delegação às cidades de Bentiu (norte), Malakal (nordeste) e Wau (noroeste), mas também à capital Juba, com encontros com responsáveis governamentais, membros da sociedade civil e vítimas do conflito.

Sooka já tinha evocado na quarta-feira, numa conferência de imprensa, "níveis sem precedentes de violências e de tensões étnicas" em todo o país. Referira ainda que quer as forças fiéis ao Presidente, Salva Kiir, quer os rebeldes que apoiam o antigo vice-Presidente Riek Machar recrutam à força novos soldados, entre os quais crianças.

Independente desde 2011, o Sudão do Sul mergulhou em dezembro de 2013 numa guerra civil que já causou dezenas de milhares de mortos e mais de 2,5 milhões de deslocados.

No comunicado, a chefe da delegação da ONU considera que "o cenário está montado para uma repetição do que aconteceu no Ruanda e a comunidade internacional tem a obrigação de o impedir".

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